O prato chega à mesa e o casario do Porto começa a ficar para trás. Pouco depois, os edifícios desaparecem, surgem as encostas cobertas de vinhas e o ruído da cidade dá lugar ao Douro. Desde junho que o The Largo propõe esta forma diferente de conhecer a região, isto é, levar a cozinha do Cozinha das Flores – que desde o início do ano integra a lista de restaurantes recomendados do Guia Michelin – a bordo de um iate.
A embarcação parte da Marina da Afurada para viagens privadas pelo Porto e pelo Vale do Douro. É uma espécie de versão itinerante do restaurante liderado por Nuno Mendes, onde os menus, os vinhos e até a paisagem vão mudando consoante o percurso.
“Para mim, o iate é uma forma de levar tudo aquilo em que acreditamos – hospitalidade, simplicidade e cuidado – e colocá-lo sobre o rio”, explica o chef. “Partilhar a nossa comida e os nossos vinhos neste espaço silencioso e flutuante cria algo verdadeiramente raro e bonito.”
Existem cinco programas: almoço no rio Douro, sunset no Porto, visita ao Vale do Douro, transfer entre o Porto e o Douro e charters privados. Pelo caminho, pode haver aperitivos ao pôr do sol, menus exclusivos, provas e harmonizações vínicas ou celebrações personalizadas.
As experiências privadas a bordo do M/Y Largo têm preços a partir de 1.500€, dependendo do percurso e dos elementos incluídos. O sunset de duas horas no Porto custa desde 1.800€ para duas pessoas e inclui o aluguer privado do iate, sem refeição. Já o almoço no rio Douro, com cerca de três horas de duração e navegação entre as pontes da cidade, custa 2.180€ para duas pessoas, com o passeio e uma refeição sazonal inspirada no Norte do País.

A experiência no Vale do Douro dura aproximadamente quatro horas e pode acrescentar um almoço ligeiro, provas de vinho e a presença de um sommelier. O transfer privado entre o Porto e o Douro demora cerca de seis horas e funciona como alternativa à viagem por estrada, passando pelas paisagens e eclusas do rio. Nestes casos, o orçamento varia conforme o número de passageiros, o itinerário, os menus e os restantes serviços escolhidos.
Da comida tratam as equipas do Cozinha das Flores e do bar Flôr. Os menus são preparados para cada saída, com ingredientes portugueses, produtos da estação e propostas de pequenos produtores. E o rio não serve apenas de cenário para a refeição, é o próprio percurso que ajuda a definir aquilo que chega à mesa.
Aberto no final de 2023, o The Largo ocupa cinco edifícios históricos interligados no Largo de São Domingos. O boutique hotel tem 18 quartos e resultou de um processo de recuperação que preservou elementos de construções dos séculos XV ao XIX. A arquitetura ficou a cargo de Frederico Valsassina e o estúdio dinamarquês Space Copenhagen desenhou os interiores.
No piso térreo ficam o bar Flôr e o Cozinha das Flores. É ali que Nuno Mendes trabalha ingredientes e memórias gastronómicas do Norte, com técnicas contemporâneas e cozinha de fogo. O chef português construiu grande parte da carreira em Londres, onde criou projetos como Viajante, distinguido com uma estrela Michelin, The Loft Project e Lisboeta, além de ter liderado o Chiltern Firehouse.
No M/Y Largo, essa cozinha sai do restaurante e acompanha a mudança da paisagem até às vinhas do Alto Douro. A viagem pode incluir a passagem pelas eclusas, entre as mais altas da Europa, e termina com o regresso sob a Ponte Luís I. As reservas e os pedidos de orçamento podem ser feitos no site do The Largo ou através do email journey@nullthelargo.com.
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