Depois de uma noite longa — seja de copos, dança ou conversas que se estendem até de madrugada — há uma fome que não se resolve com qualquer coisa. No Porto, há anos que essa fome tem nome e morada certa: o panado gigante da Tasca do Luís, conhecido por muitos como “o maior panado no pão de Portugal”. Agora, o clássico da madrugada ganhou uma nova casa em Campanhã, mesmo ao lado da estação de comboios, e com uma grande novidade à mesa.
A terceira Tasca do Luís abriu portas a 15 de outubro, na Rua da Estação, e marca um novo capítulo na história de um espaço que surgiu quase por acaso — e cresceu à boleia dos pedidos insistentes dos próprios clientes. “Inicialmente, foi pensado para ser um café, chamava-se Star Coffee. Mas as pessoas começaram a procurá-lo como tasca, sobretudo durante a noite”, começa por contar Zaíra Bosco, de 40 anos, uma das responsáveis pelo negócio, que gere o projeto em família com o pai, Luís Bosco.
A localização da primeira Tasca do Luís, junto à Estação de São Bento, rodeada de bares e discotecas, acabou por ditar o rumo. “Queríamos apostar em pizzas, mas os clientes começaram a pedir panados, rissóis, coxinhas. Aquele tipo de comida que resolve a fome a sério, às tantas da manhã”, explica. Foi assim que o panado começou a ganhar protagonismo — e tamanho.
O panado já era um marco na gerência anterior, mas a família Bosco decidiu não o reduzir. Pelo contrário. “O talho já fornecia os panados naquele tamanho, quase como uma folha A4. Achámos que não fazia sentido cortar. O pão acabou por ser só um apoio”, brinca Zaíra. O resultado é uma sandes com um panado bem maior que o pão e que muitos clientes comem de uma assentada, sem hesitar.
O nome da casa é uma homenagem a Luís Bosco, figura central da família. “O meu pai é muito comunicativo, gosta de conversar com toda a gente. O chapéu faz parte da identidade dele e é também uma ligação às nossas raízes brasileiras. Tornou-se quase uma caricatura — as pessoas pedem para tirar fotografias”, conta a filha.
O sucesso da primeira casa, aberta até de madrugada, levou à expansão do conceito. A segunda morada foi inaugurada na Cedofeita, a 30 de janeiro de 2025, com horários mais alargados durante o dia. A chegada à Campanhã surge como resposta a uma necessidade antiga: servir refeições completas, algo que as outras localizações, mais pequenas e viradas para os snacks rápidos, não permitiam oferecer.
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“Costumamos dizer que o panado ficou tão grande que teve de ir para o prato”, brinca Zaíra. Na nova Tasca do Luís, o panado é servido com batatas fritas, arroz e salada (10,50€). Há ainda frango no prato (5€), hambúrguer (8,50€), salada da chefe (6,50€) e o menu do dia, que inclui sopa, prato principal e bebida por 12,50€.
A carta também inclui opções de pequeno-almoço: pão de queijo (menu a 6,40€), panquecas (8€) ou ovos com bacon (7€). Aos sábados, na Campanhã, há feijoada do Luís (9,90€), uma homenagem direta às origens brasileiras da família.
Apesar da nova aposta nas refeições mais compostas, os petiscos continuam a ser os protagonistas do conceito. O panado no pão mantém-se a 4€, acompanhado por clássicos como pão de queijo (2€), coxinha (2,50€), quibe (2,50€), bolo (4€) e o cachorrão, um hot dog gigante, também panado, recheado com queijo e fiambre, que custa 2,50€ e surgiu para dar resposta aos insistentes pedidos dos clientes.
A história da Tasca do Luís confunde-se com a da própria família Bosco. Saíram do Brasil rumo ao Porto em 2019, à procura de uma vida melhor. Zaíra veio para fazer um doutoramento em Sociologia, Luís sempre foi comerciante e queria abrir um negócio. A pandemia atrasou os planos, e, em 2021, abriram finalmente a primeira tasca. “Acabei por desistir do doutoramento e juntar-me ao meu pai. Hoje, faz todo o sentido”, assume Zaíra.
Com a expansão, passaram a apostar no fabrico próprio, garantindo consistência e qualidade num produto que já se tornou um símbolo da noite portuense. “As pessoas chegam mesmo com fome. E sabem que aqui não saem enganadas”, resume.
Atualmente, a Tasca do Luís soma três moradas no Porto: São Bento, Cedofeita e Campanhã. O espírito da casa, esse, não mudou: comida simples, porções generosas e a certeza de que, seja a que horas for, há sempre um panado gigante à espera do cliente com mais apetite.
Carregue na galeria para ver mais imagens do novo espaço, na Campanhã.

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