comida

A tasca onde já passaram jogadores do FC Porto e pode comer sardinha assada por 2€

A Tasquinha dos Guindais é uma pérola na zona histórica da cidade, com petiscos caseiros e uma vista única para a Ribeira.
A grande estrela da casa.

Os negócios familiares são, sem dúvida, um dos modelos mais encontrados entre empreendimentos e investimentos um pouco por todo o País e o Porto não é exceção. Muitos dos restaurantes e locais tradicionais encontram-se abertos há muitos anos e já vêm de gerações passadas. Outros, apesar de recentes, tentam incorporar a sua própria tradição familiar e partilhá-la com os outros. 

É o caso da Tasquinha dos Guindais, um verdadeiro tesouro na zona histórica da cidade, que nasceu da divisão de uma casa e das memórias e tradições da família de Adília Conceição Almeida, nascida e criada no piso superior do edifício que, atualmente, dá lugar a uma típica tasca portuguesa, ou melhor dito, à moda do Porto no andar de baixo. 

“Nasci neste prédio e adorei crescer nesta rua, entre estas escadas e no meio de tantas outras casas populares. Eram outros tempos, estávamos sempre na rua a brincar, a conhecermo-nos uns aos outros. Já não se vê muito disso, mas quis resgatar um pouco dessas memórias e trazer uma nova vida a este meu cantinho”, começa por contar a empreendedora de 58 anos à NiP.

A Tasquinha dos Guindais era um negócio que já existia há muito tempo. Porém, só passou para as mãos de Adília, em 2019. A 15 de agosto de 2020, em plena pandemia, abriu as portas. O espaço é modesto, com decoração tradicional e de tamanho reduzido, mas cada cliente é recebido com um sorriso da equipa, composta pela própria Adília, o marido Zé, o filho Fábio e um amigo da família. 

“Costumo dizer que temos um espaço ‘pobrezinho’, quando comparados com os grandes restaurantes de alta gastronomia que vemos agora. Mas é um negócio humilde, agradável e, sobretudo, familiar. É a minha forma de homenagear a vida que os meus pais, ainda vivos, me deram, e trazer um pouco dos sabores portuenses da minha infância a turistas que querem conhecer de que somos feitos, mas também aos outros tantos portuenses que querem relembrar momentos da sua vida nesta cidade”, explica. 

D. Adília e o filho Fábio.

Adília nem sempre esteve virada para o ramo da restauração. Contudo, foi entre panelas e a brasa, que viu uma nova forma de chegar às pessoas e fazê-las felizes. Nos cinco anos antes de abrir a tasca, trabalhou como auxiliar no Hospital São João na Oncologia e Oncologia Pediátrica. Apesar de gostar de ajudar as pessoas, a sua sensibilidade não lhe permitiu continuar a exercer a profissão.

“Sou muito sensível e tenho uma forma de ser muito má, gosto mais dos outros do que de mim, e era uma agonia ver as pessoas a sofrer, vê-las partir, dá muita frustração não conseguir fazer mais. Na cozinha é diferente, alguém pode estar a passar por uma situação mais difícil, mas com a barriga cheia já ficámos mais bem dispostos para confortar o que seja”, admite. 

Agora, a D. Adília abre as portas das suas casas para tentar ajudar quem precisa com um prato de comida. Os únicos que lhe causam algum sofrimentos são a “bicharada”, pois entre gatos e gaivotas, há sempre sardinhas a desaparecer. “Habituei-os mal. Às vezes, estou na cozinha, eles aparecem e dou-lhes de comer na mão. É difícil resistir”, confessa. 

Entre os clientes habituais que já se tornaram amigos da casa, há aqueles que aparecem logo pelas 11 horas a pedir sardinhas assadas e um copo de vinho do Porto para matar as saudades do São João. Contudo, por vezes, recebes visitas especiais. 

“Pouco tempo depois da abertura, estava a decorrer uma cerimónia especial com a equipa do FC Porto, julgo que foi no Coliseu. Os jornalistas e fotógrafos queriam, claro, garantir o exclusivo. Do nada, apareceu-nos o Sérgio Conceição pela porta. Tinha feito um desvio para fugir dos jornalistas e veio parar à nossa casa. Ainda cá esteve um bocado, falou connosco e disse que iria voltar para comer umas sardinhas. Até tirámos uma foto, com o telemóvel dele e até hoje nunca a vi. Ele é um homem com um coração gigante, disse-lhe que as nossas portas estavam sempre abertas para o receber”, conta.

Quase um ano depois de terem aberto, a 19 de abril de 2021, outra personalidade do clube de futebol portuense apareceu por lá. Desta vez, sentou-se nas famosas escadas dos Guindais à porta da tasca e comeu alguns dos melhores petiscos da Dona Aldília. Falamos de Agustín Marchesín, que defrontou 94 jogos com a camisola dos dragões como guarda-redes entre 2019 e 2022. 

“Foi uma festa tê-lo cá. O meu marido, o meu filho e eu tirámos fotografia com ele. A nossa comida é muito diferente da do seu país de origem, Argentina, por isso dei-lhe a provar um pouco de tudo para que levasse consigo sempre um pouco de nós e da nossa cultura”, acrescenta.

Zé, marido da D. Adília e o antigo guarda-redes do FC Porto, Agustín Marchesín.

Na Tasquinha dos Guindais poderá encontrar petiscos caseiros, desde as deliciosas pataniscas aos bolinhos de bacalhau, ou o chouriço assado no fogareiro, uma verdadeira tentação para os apreciadores da cozinha tradicional portuguesa, sem esquecer a sardinha assada, muito apreciada e que mantém o espírito das festas sanjoaninhas todo o ano. O preço dos petiscos varia entre 1€ e 8€. Poderá ainda encontrar propostas mais consistentes como arroz de marisco (27,50€), uma receita da família da D. Adília, e bacalhau frito com cebolada (19€).

De momento, o espaço é umas das tascas apuradas no concurso Tascando, que procura eleger o melhor restaurante deste género do País. A Tasquinha dos Guindais candidatou-se com o prato característico da cidade: as sardinhas, acompanhadas por uma salada de tomate, cebola e pimento verde, também ele assado com a sardinha. O petisco é servido diariamente por apenas 2€. 

A famosa sardinha é assada à porta da Tasquinha, na brasa, à sua frente, e ainda poderá ouvir as histórias da família da D. Adília, no meio de uma das zonas mais pitorescas do centro histórico do Porto, um lugar considerado por muitos bairristas, como o mais simpático da cidade e que mais acolhe todos os que por ali passam. 

Com a chegada dos dias mais quentes, nada melhor do que relaxar na esplanada. No entanto, deixamos já o aviso: vá preparado para enfrentar a longa escadaria até lá chegar. Se preferir, a estação de metro de São Bento deixa-o muito próximo da tasca (e sem tantas escadarias para subir).

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Escada dos Guindais, 34
    4000-276 Porto
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a domingo das 11h às 21h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

MAIS HISTÓRIAS DO PORTO

AGENDA