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Abriu no Porto o paraíso para os amantes de cheesecake basco (e de queijos fora do comum)

O The Burnt Cheesecake abriu no Amial e transforma queijos portugueses e espanhóis em sobremesas inesperadas.

Sempre que viajavam, Marta Andrade e José Costa faziam aquilo que muitos apaixonados por gastronomia fazem quando regressam: tentavam recriar em casa os sabores que os tinham surpreendido. A diferença é que, enquanto a maioria fica pela experiência ocasional, o casal decidiu transformar essa curiosidade num projeto. O resultado abriu recentemente no Amial, no Porto, e enfrenta uma questão: até onde pode ir um cheesecake?

A resposta chama-se The Burnt Cheesecake. O novo espaço, aberto desde 20 de abril, usa o cheesecake basco como ponto de partida para explorar diferentes queijos artesanais, criando sobremesas onde o ingrediente principal deixa de ser apenas um detalhe e passa a contar a sua própria história.

Por detrás do projeto estão Marta, de 56 anos, que trabalhou durante 28 anos no setor segurador, e José, de 60, com um percurso ligado à gestão de produto na área das tecnologias de informação. Nenhum dos dois vinha da restauração, mas ambos partilhavam há muito uma paixão pela cozinha, pelos ingredientes e pela procura constante de novos sabores.

“Gostamos de cozinhar, de experimentar receitas e de perceber a ciência por trás dos processos. Quando decidimos avançar com este projeto, fiz formação específica para compreender melhor a componente profissional e legal da área”, explica Marta.

A ideia surgiu a partir do cheesecake basco, uma sobremesa nascida em San Sebastián e conhecida pelo exterior caramelizado e pelo interior cremoso. Para os fundadores, era a base perfeita para algo maior. “O cheesecake basco fascina-nos pela sua aparente simplicidade. Com poucos ingredientes consegue oferecer uma enorme complexidade de sabores e texturas. Além disso, permite que o queijo seja verdadeiramente protagonista.”

Foi precisamente essa característica que deu origem ao conceito. Em vez de utilizarem sempre o mesmo queijo, começaram a testar dezenas de variedades diferentes, analisando de que forma a gordura, a humidade, a maturação e a intensidade aromática alteravam o resultado final. “Cada queijo exige um equilíbrio próprio. Pequenas diferenças podem transformar completamente a textura e o sabor do cheesecake.”

Ao longo dos últimos anos desenvolveram dezenas de receitas até chegarem às versões que hoje fazem parte da oferta permanente. A mais procurada é a Wabi, descrita como a interpretação mais delicada da marca. Utiliza creme 100 por cento Cabrales, um queijo azul espanhol, mas de forma subtil e equilibrada. O resultado é um cheesecake cremoso, elegante e com ligeiras notas salinas que surpreendem quem espera encontrar apenas um sabor doce. “O Wabi acaba por ser a nossa porta de entrada porque é suave e acessível.”

Já a Sabi segue um caminho diferente. Produzida com queijo Tres Leches Rojo de Pría, apresenta uma maior intensidade aromática e um final ligeiramente picante. “É normalmente o cheesecake que mais surpreende. Há pessoas que param a conversa para tentar perceber os sabores que estão a sentir.”

Além destas versões permanentes surgem regularmente edições sazonais desenvolvidas a partir de novos queijos, produtores ou datas especiais. Um dos exemplos atuais é a edição Serra da Estrela, criada para assinalar o Dia de Portugal através de um dos queijos mais emblemáticos do País.

Outra das propostas em destaque utiliza queijo Picón de Peñamellera, também oriundo do norte de Espanha. Neste caso, pequenos pedaços do queijo ficam distribuídos pela sobremesa, criando contrastes entre a cremosidade do cheesecake e notas mais intensas e salinas. “Cada edição é pensada como uma experiência temporária e, muitas vezes, irrepetível.”

Os preços variam consoante a receita e o tamanho. A versão Wabi custa 15€ para quatro pessoas, 29€ para oito e 48€ para 16. A Sabi está disponível por 18€, 39€ e 69€, respetivamente. As edições especiais podem apresentar valores diferentes, dependendo dos ingredientes utilizados.

Outra das apostas do projeto passa pelas provas harmonizadas que combinam cheesecake, queijo e vinho – experiências que são conduzidas em parceria com Francisco Gonçalves e procuram mostrar como os três universos podem funcionar em conjunto. “Não se trata apenas de provar. É uma viagem sensorial guiada. Queremos que as pessoas descubram a origem dos queijos, compreendam os vinhos escolhidos e percebam como tudo se relaciona.”

As primeiras sessões foram realizadas em formato privado, mas os responsáveis pretendem aumentar a frequência destas experiências nos próximos meses. O espaço acompanha a mesma filosofia do projeto. Localizado na Rua da Azenha, no Amial, foi desenhado pelos próprios fundadores e combina materiais naturais, peças reaproveitadas e mobiliário construído manualmente.

Entre os elementos mais simbólicos encontra-se uma antiga secretária herdada da mercearia que funcionou naquele local durante mais de quatro décadas. A peça foi preservada como forma de manter uma ligação à história do edifício.

A estante feita a partir de tábuas em bruto e de um tronco de madeira, bem como os candeeiros moldados manualmente em pasta de papel, reforçam o lado artesanal da identidade do espaço. “São peças imperfeitas, mas é precisamente essa imperfeição que lhes dá caráter.”

Nos próximos meses, além das novas edições sazonais e das provas harmonizadas, será possível provar os cheesecakes à fatia no próprio espaço. As versões permanentes poderão ser degustadas sem reserva, enquanto algumas edições especiais continuarão disponíveis apenas mediante encomenda antecipada.

Carregue na galeria para conhecer o espaço e a oferta. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. da Azenha, 319
    4200-113 Paranhos
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 10h às 18h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Bolos

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