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Almoça em tascas típicas do Porto enquanto faz croché. Quem é a francesa que se tornou viral?

Emmie apaixonou-se por Portugal e pelo ambiente familiar dos restaurantes do norte, onde prova pratos tradicionais. Depois, partilha tudo no Instagram.

Emmie nunca imaginou que um grupo de senhoras a cantar as Janeiras num restaurante de Matosinhos a faria sentir-se em casa num País novo. Mas foi exatamente isso que aconteceu poucos dias depois de chegar a Portugal, em janeiro de 2025.

“Ainda me emociono quando penso nisso”, conta à NiT a criadora de conteúdos francesa, de 22 anos. “Entraram várias senhoras, já com os seus 50 ou 60 anos, a cantar no meio do restaurante. Foi tudo tão espontâneo e tão caloroso que comecei a chorar. Ainda me estava a adaptar ao País e naquele momento pensei: ‘obrigada, Portugal’. Senti-me mesmo bem aqui”.

Natural de Bordéus, em França, Emmie estudou Hotelaria na cidade antes de se mudar para Portugal. Sempre teve interesse pelo universo da restauração, serviço e experiências gastronómicas. Quando chegou ao Porto ainda trabalhou em alguns restaurantes da cidade. No início deste ano, que decidiu começar a fazer avaliações gastronómicas através da sua página de Instagram chamada “Emmie au Portugal”, ou seja “Emmie em Portugal”, com mais de 60 mil seguidores. 

A ligação ao nosso País começou alguns anos antes. Em 2019, visitou Guimarães com os pais durante umas férias em família, e ficou curiosa para conhecer outros locais. Mais tarde, em 2022, voltou sozinha para passar uns dias no Porto e percebeu que queria mudar de vida.

“Quando voltei para casa, em França, disse aos meus pais: ‘descobri onde quero viver nos próximos anos. Vou mudar-me para o Porto’”, recorda. A decisão foi bem recebida pela família e, desde janeiro de 2026, os próprios pais de Emmie também acabaram por se mudar para a cidade.

Hoje, tornou-se conhecida por visitar restaurantes portugueses enquanto faz croché à mesa — um detalhe improvável que acabou por se transformar numa das suas imagens de marca.

 
 
 
 
 
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O croché surgiu como uma forma de se ligar mais à mãe e também de fugir um pouco da tecnologia. Emmie passava muitas horas nas redes sociais e sentia necessidade de encontrar algo mais manual, mais calmo e que a afastasse desse ambiente digital constante.

“Comecei a levar o croché comigo de forma muito natural. Não foi nada planeado para os vídeos ou para criar uma imagem”, explica. “Simplesmente fazia croché enquanto esperava pela comida ou durante as refeições e depois percebi que as pessoas achavam aquilo curioso”

O hobby acabou por crescer naturalmente, quase como uma forma de ocupar as mãos durante as refeições e os momentos de espera. No entanto, começou a chamar a atenção de outros clientes nos restaurantes e a despertar conversas durante a refeição. Depois, a simpatia de Emmie faz o resto. 

“As reações são sempre muito engraçadas”, admite. “Há pessoas que ficam a olhar sem perceber muito bem o que estou a fazer. Outras aproximam-se logo para conversar comigo.” Muitas acabam por associar o croché às mães ou às avós. “Há clientes que me dizem que lhes traz memórias de infância. Isso cria logo uma ligação.”

Uma dessas histórias acabou por marcá-la particularmente. Enquanto fazia uma avaliação num restaurante, Emmie decidiu oferecer uma pequena flor em crochet a uma senhora que estava a almoçar na mesa ao lado. “Ela começou a chorar e deu-me um abraço”, recorda. Pouco depois, sem dizer nada, a mulher deixou discretamente uma nota de 10 euros junto dela. “Foi um momento muito bonito. Acho que nunca me vou esquecer disso.”

A criadora de conteúdos explica que foi precisamente essa proximidade humana que mais a surpreendeu em Portugal. “As pessoas aqui falam connosco com muita facilidade. Existe um calor humano muito especial.”

Grande parte dos vídeos acontece em restaurantes tradicionais do Norte do País, sobretudo no Porto e em Vila Nova de Gaia. Emmie diz que procura sobretudo os restaurantes mais autênticos, familiares e típicas tascas portuguesas, longe dos espaços demasiado turísticos.

Um dos seus favoritos é o restaurante Zé da Serra, em Gaia. “É uma tasca muito típica, familiar e sempre cheia. Ali sente-se mesmo a identidade portuguesa.” Outro espaço que destaca é o Carpa, também em Vila Nova de Gaia.

Quanto à comida, já tem alguns pratos portugueses preferidos bem definidos. “O meu favorito é o leitão à Bairrada”, revela. Mas também fala com entusiasmo dos rissóis, das moelas, dos panados e do clássico frango de churrasco português. Para acompanhar pede sempre uma Água das Pedras, a sua bebida portuguesa favorita.

Nas redes sociais, os seguidores começaram a crescer precisamente pela forma espontânea como mostra essas experiências. Em vez de vídeos muito produzidos, Emmie prefere captar momentos simples, refeições descontraídas e conversas reais com funcionários ou clientes.

“Acho que as pessoas sentem quando existe autenticidade”, explica. “Eu fico genuinamente feliz com estas pequenas experiências”. O facto de ser estrangeira acaba também por influenciar a forma como olha para Portugal. Muitas coisas que para os portugueses são banais acabam por ter um impacto emocional maior em quem chega de fora.

Foi isso que aconteceu naquela noite em Matosinhos, quando ouviu as Janeiras pela primeira vez dentro de um restaurante. “Foi algo simples, mas marcou-me muito”, recorda. “Acho que reflete muito a personalidade portuguesa: as pessoas gostam de partilhar, de cantar, de acolher.”

Hoje, Emmie continua a descobrir novos restaurantes enquanto faz croché entre pratos e conversas. E, pelo meio, vai mostrando aos seguidores um lado mais humano e quotidiano da gastronomia portuguesa — aquele que raramente aparece nos guias turísticos.

Para ficar a conhecer melhor o trabalho de Emmie, visite a sua página de Instagram. 

Carregue na Galeria para conhecer com mais detalhe o trabalho nas redes socias de Emmie. 

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