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Antigo Rota do Chá é agora um restaurante com sabores e rum artesanal da Madeira

O espaço abriu no final de junho com bolo do caco, espetadas em pau de louro, rum artesanal, cocktails e noites de música ao vivo.

Durante mais de 20 anos, quem entrava no número 457 da Rua de Miguel Bombarda ia à procura dos chás, dos scones e do famoso jardim da Rota do Chá. A morada continua a ser a mesma e o jardim também, mas agora há uma nova razão para fazer uma visita: muitos petiscos portugueses, sabores da Madeira, rum e cocktails.

O espaço que recebeu a Rota do Chá desde 2002 é agora ocupado pela Nova Rota Sublima, um restaurante de inspiração madeirense que junta gastronomia portuguesa, cocktails, música ao vivo e uma garrafeira dedicada ao rum. O projeto foi inaugurado a 27 de junho, após quatro meses de obras.

Miguel Lopes estava há cinco anos à procura do espaço ideal para ter um negócio próprio quando encontrou o anúncio na Internet e decidiu apresentar uma proposta. Queria dar o primeiro passo na restauração, embora nunca tivesse gerido um restaurante, e percebeu que aquela casa poderia juntar a sua história familiar, a ligação à Madeira e o projeto de rum artesanal que já desenvolvia.

“A Rota do Chá é muito conhecida no Porto e eu não quis apagar a história da casa. Por isso mantivemos a palavra ‘rota’. É uma nova rota e é Sublima por causa da minha marca de rum”, explica o empreendedor de 50 anos.

Os avós de Miguel eram madeirenses e os pais emigraram para França, país onde o empresário viveu durante cerca de 40 anos. Regressou a Portugal há sete anos e instalou-se no Porto com a família. Foi também entre amigos franceses, onde os runs macerados com fruta já estavam bastante divulgados, que começou a interessar-se por este tipo de bebida.

A marca Sublima parte de rum branco agrícola produzido na Madeira, ao qual são acrescentadas frutas como ananás. A mistura fica em maceração durante três meses e não leva corantes ou outros aditivos. A gama inclui sete sabores e é apresentada como um produto artesanal inteiramente português. Depois de levar as garrafas a vários eventos pelo País, Miguel procurava uma morada fixa onde pudesse dá-las a conhecer.

A garrafeira do restaurante permite comprar garrafas e deverá receber provas, apresentações e workshops dedicados ao rum e ao vinho. Os preços começam nos 15€ e podem chegar aos 500€, no caso de uma referência rara com 45 anos. No bar, o rum da Madeira entra em clássicos como o mojito e o Cuba Libre, servidos por 8€, e também no Jardim Secreto (12€), que o junta a hortelã, limão, pepino e água com gás.

A carta de bebidas prolonga a ligação ao arquipélago através das ponchas regional, de maracujá, de pescador ou de tangerina, desde 4,50€, da cerveja Coral, a partir de 1,50€, e de especialidades como a Nikita com álcool (7€) e o pé de cabra (8€). Somam-se seis cocktails de assinatura, todos a 12€, vinhos exclusivamente portugueses e várias referências da Madeira, do Porto, espumantes e champanhes vendidos a copo.

 

 
 
 
 
 
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Na cozinha, a responsabilidade ficou entregue ao chef Mário Pereira, que começou o percurso profissional longe dos tachos. Formado em arquitetura, o chef de 62 anos acabou por abandonar a área para seguir a gastronomia, estudou no Porto e passou pelo Le Cordon Bleu, em Paris. Trabalhou em Portugal, Espanha, Brasil e Argentina, esteve ligado a hotéis e projetos internacionais e lecionou gastronomia e história da cozinha tradicional portuguesa na América do Sul.

O primeiro restaurante que teve no Porto remonta a 1997. Mais tarde, voltou a emigrar e passou por diferentes cozinhas, unidades hoteleiras e projetos de consultoria, antes de regressar definitivamente a Portugal há quase uma década. Nos últimos anos, participou na abertura de restaurantes, hotéis e espaços na Comporta, nos Açores e noutras regiões do País.

“Tudo o que concebo é baseado numa tradição. Defendo a tradição”, sublinha Mário Pereira. Na Nova Rota Sublima, essa base portuguesa cruza-se com referências madeirenses, embora a intenção não seja reproduzir de forma rígida aquilo que se cozinha no arquipélago. “Não queremos fazer gastronomia 100 por cento madeirense. É uma inspiração que o chef depois trabalha e adapta”, acrescenta Miguel.

Entre os petiscos encontram-se bolo do caco com manteiga de alho (4,50€), chouriço assado em aguardente de cana (9€), queijo da Madeira grelhado com melaço de cana (10,50€), atum em escabeche com redução de maracujá (12€) e carpaccio de polvo, também com maracujá (15€).

As espetadas de porco (24€) e de bovino (25,50€) chegam à mesa em pau de louro, como manda a tradição madeirense, acompanhadas por ananás grelhado, batata frita e salada. Do mar saem peixe-espada-preto com vegetais grelhados (19,50€), bife de atum confitado (21,50€), arroz de lapas com peixe (22,50€) e polvo à Sublima (30€). Para terminar, há bolo de mel da Madeira (6,50€), tarte de banana (7€) e gelado com bolo de mel (8,50€).

A decoração foi pensada pela mulher de Miguel, arquiteta de interiores, com a intenção de criar um restaurante familiar e descontraído, próximo da sensação de entrar em casa dos avós. As cores fortes, os móveis diferentes entre si, os apontamentos tropicais e os murais mantêm o ambiente exuberante que sempre marcou aquela morada. O jardim sofreu poucas alterações, enquanto a intervenção maior se concentrou no piso inferior.

O restaurante divide-se entre a esplanada junto à rua, o pátio, o jardim, várias salas interiores e uma área mais reservada, chamada Sublima. Nesta última, os clientes são recebidos com uma taça de espumante e têm um serviço mais intimista, embora a carta e os preços sejam iguais aos das restantes zonas. Ao todo, a casa recebe cerca de 100 pessoas e também aceita aniversários, reuniões de empresas e eventos privados, com menus de grupo entre 25€ e 45€.

A ligação ao Quarteirão das Artes deverá crescer com exposições temporárias e a rotação de obras de artistas do Porto. A agenda semanal inclui ainda noites de fado às quintas e sextas-feiras, música ao vivo, atuações de uma banda cubana e DJ aos sábados. Entre as próximas novidades está um brunch de inspiração portuguesa, com pães, fruta grelhada, compotas e outras receitas feitas na casa. O preço ainda está a ser definido.

Durante a semana, o menu executivo custa 12€ e inclui sopa, prato principal, sobremesa, bebida e café. À carta, o valor médio deverá ficar entre os 25€ e os 30€ por pessoa. Para Miguel, os primeiros meses têm servido para formar a equipa, acertar o serviço e conquistar tanto novos clientes como aqueles que ainda associam o jardim à antiga casa de chá. “A receção tem sido positiva. Muitas pessoas que já conheciam a casa entram, experimentam e regressam”, conta.

Carregue na galeria para conhecer a nova rota deste espaço portuense.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. de Miguel Bombarda, 457
    4050-382 Baixa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 11h às 0h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa, Madeirense

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