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Cabaz alimentar atinge valor recorde. Que produtos ficaram mais caros esta semana?

Quando se analisam os preços dos últimos quatro anos, as diferenças são ainda mais evidentes.

Ir ao supermercado está cada vez mais pesado para a carteira. Esta semana, o cabaz alimentar de bens essenciais, monitorizado pela Deco Proteste, atingiu o valor mais alto desde que começou a ser acompanhado, chegando aos 254,12€.

O número foi registado esta quarta-feira, 11 de março, e representa um aumento de 12,3€ (mais 5,09 por cento) em comparação com a primeira semana deste ano. Se recuarmos a 2022 — quando a organização começou a monitorizar o preço deste conjunto de produtos — a diferença é ainda maior: o cabaz custa agora mais 66,42€, o que corresponde a uma subida de 35,39 por cento.

A associação acompanha semanalmente o preço de vários alimentos considerados essenciais, analisando os valores praticados nos principais supermercados com loja online. Para calcular o custo total do cabaz, é feito primeiro o preço médio de cada produto nas diferentes lojas e, depois, todos esses valores são somados.

Na última semana analisada, entre 4 e 11 de março, alguns produtos registaram subidas particularmente expressivas. O maior aumento percentual foi o do atum em posta em óleo vegetal, que subiu 33 por cento e custa agora cerca de 1,69€. Seguem-se as salsichas Frankfurt, com uma subida de 20 por cento, para 1,94€, e a massa em espirais, que aumentou 12 por cento e custa agora cerca de 1,35€.

Também se registaram aumentos no óleo alimentar (11 por cento), no arroz carolino (10 por cento), nos brócolos (9 por cento), no iogurte líquido e no esparguete (ambos com 8 por cento) e ainda na cenoura e na batata vermelha (7 por cento).

Se a comparação for feita com os preços registados no início de 2026, alguns alimentos tiveram aumentos ainda mais significativos. A curgete lidera a lista, com uma subida de 38 por cento desde janeiro. A dourada aumentou 28 por cento e a couve-coração, 27 por cento. Outros produtos como o peixe-espada-preto, o arroz carolino, o robalo, a massa, o esparguete e as salsichas frankfurt também ficaram mais caros ao longo dos primeiros meses do ano.

Quando se olha para os últimos quatro anos, as diferenças são ainda mais evidentes. Desde janeiro de 2022, alguns alimentos praticamente duplicaram de preço. A carne de novilho para cozer lidera a lista, com uma subida de 121 por cento. A couve-coração aumentou 87 por cento e os ovos 84 por cento. Também se registaram aumentos significativos no bife de peru, no café torrado moído, nas salsichas frankfurt, no bacalhau, na polpa de tomate e no peixe-espada-preto.

A Deco Proteste alerta que os preços dos alimentos podem continuar a subir nos próximos meses. A guerra no Médio Oriente já provocou aumentos nos combustíveis e na energia, o que pode acabar por ter impacto nas cadeias de abastecimento, tal como aconteceu após o início da guerra na Ucrânia. Além disso, muitos fertilizantes agrícolas são produzidos na região ou dependem de matérias-primas provenientes dessa zona.

Se o conflito se prolongar e afetar o transporte marítimo — sobretudo no estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o comércio global — os custos de produção agrícola podem aumentar e refletir-se novamente no preço final dos alimentos.

A estes fatores juntam-se ainda os prejuízos provocados pelas tempestades que atingiram Portugal nos primeiros meses do ano, que podem também influenciar os preços de vários produtos agrícolas.

O aumento do custo dos alimentos ajuda a explicar a evolução recente da inflação. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística, a taxa terá passado de 1,9 por cento em janeiro para 2,1 por cento em fevereiro. Mesmo com valores mais baixos do que os registados nos anos de maior subida de preços, o impacto continua a sentir-se no dia a dia, sobretudo quando chega a altura de fazer compras no supermercado.

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