Antes de abrir o Canto Mina no Porto, Amina — ou Mina, como lhe chamam os amigos — passou mais de seis anos a viajar pelo mundo. Percorreu países, cozinhas e culturas diferentes, sempre movida por uma curiosidade quase instintiva pela comida e pela forma como ela cria ligações. Em cada cidade, em cada mercado de rua, foi percebendo que a gastronomia tem um poder raro: junta pessoas que não se conhecem, cria pontes onde antes não havia nada e transforma estranhos em comunidade à volta de uma mesa.
Essas viagens acabaram por a reaproximar da cozinha do seu país de origem, a Tunísia. Muitas vezes confundida com outras gastronomias do Médio Oriente, a comida tunisina tem identidade própria: é intensa, aromática, marcada por especiarias, molhos fermentados e receitas de rua que fazem parte do quotidiano. Mina sonhava criar um espaço onde pudesse partilhar essa cultura de forma autêntica, sem filtros nem adaptações forçadas. Quando chegou ao Porto, percebeu rapidamente que tinha encontrado o lugar certo para o fazer.
“Encontrei uma cidade bonita, mas sobretudo uma comunidade muito acolhedora. As pessoas aqui incentivam-nos a avançar, a arriscar, a tornar os sonhos reais”, explica. Esta sensação de pertença convenceu-a a ficar e a investir. O nome do projeto reflete exatamente isso: Canto Mina significa literalmente “o canto da Mina”. Um lugar pequeno, próximo, pensado para receber.
Aberto a 26 de novembro, na Rua de Antero de Quental, o Canto Mina nasce com um conceito assumidamente pessoal. “Não somos apenas um café — somos uma vibe”, resume a fundadora. Aqui, os clientes são tratados como amigos. Pode-se entrar apenas para beber um café, almoçar algo rápido, experimentar um prato tradicional tunisino ou ficar mais tempo à conversa. A ideia é simples: fazer com que todos se sintam confortáveis, como se estivessem em casa.
O menu reflete essa mistura de mundos. Há clássicos da street food tunisina, pratos de inspiração italiana, massas frescas, bowls, sobremesas caseiras e uma aposta clara no café de qualidade. Tudo é preparado diariamente e com ingredientes simples, mas bem trabalhados, como se percebe ao folhear a carta completa.
O grande protagonista é o makloub, o bestseller da casa. Trata-se de um pão achatado, recheado com harissa, legumes frescos e proteína à escolha — frango, vaca, tenders ou nuggets — uma receita típica das ruas da Tunísia que se tornou assinatura do espaço. Custa 9€ e é um daqueles pratos que fazem muitos clientes regressar de propósito. Ao lado, surgem outras propostas informais, como panuozzo italiano, french tacos, baguetes recheadas ou wraps, quase todos entre os 7€ e os 10€, o que mantém o Canto Mina num registo acessível para o dia a dia.
Há também uma oferta mais ampla para quem chega com tempo para explorar a carta. As pizzas artesanais variam entre nove e 14€, as massas de 10€ a 13€, e pratos como ojja, escalope de frango ou camarões panados reforçam a ligação à cozinha do Norte de África e do Mediterrâneo. Para o pequeno-almoço ou brunch, surgem os ovos Benedict, omeletes, bowls de iogurte ou fruta, com preços entre os 6€ e 9€, pensados para atrair estudantes e moradores da zona.
A doçaria é outro dos pilares do conceito. Mina faz questão de juntar clássicos europeus a sabores do seu país: há croissants simples ou recheados, waffles, panquecas, crepes, brownies e doces tunisinos, quase sempre entre 1,50€ e 8,50€, além de gelados artesanais vendidos à bola. Tudo isto acompanhado por uma carta de cafés extensa, que vai do expresso ao café árabe, passando por flat white, latte de caramelo ou mocha, com preços maioritariamente abaixo dos 3€.
O espaço acompanha essa ideia de conforto. A decoração é simples, acolhedora, com apontamentos gráficos, luz quente e mesas pensadas tanto para quem vem sozinho como para grupos. A localização, próxima da casa da fundadora, não foi escolhida ao acaso: permite-lhe estar presente todos os dias, garantir a consistência da cozinha e criar relações reais com quem entra. “Quero conhecer as pessoas, saber o que gostam, perceber o que regressam a pedir”, explica.
O público é tão diverso quanto o menu. Há moradores do bairro, estudantes universitários, turistas curiosos e clientes que voltam semanalmente. O preço médio por refeição situa-se entre os 10€ e os 15€ por pessoa, dependendo das escolhas, o que posiciona o Canto Mina como um espaço democrático, pensado para o quotidiano e não apenas para ocasiões especiais.
Para o futuro, Mina quer crescer com calma. Os planos incluem novos pratos tunisinos e mediterrânicos, pequenas iniciativas culturais e eventos intimistas que promovam a formação de uma comunidade em torno do espaço. O objetivo é transformar o Canto Mina num ponto de encontro cultural no Porto, um lugar para onde se volta não só pela comida, mas pela forma como nos faz sentir.
No fim, o conceito resume-se numa ideia simples e poderosa: comida feita com verdade, servida num canto onde todos são bem-vindos.
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