Quem entra na Gruta pela primeira vez dificilmente esquece o momento em que desce a rampa iluminada a néon, deixando para trás o ruído da Rua de Santa Catarina. Ali, naquele refúgio subterrâneo no centro do Porto, Caroline Giandalia construiu algo raro: uma cozinha que não tenta agradar a todos, mas acaba por conquistar muitos. Talvez seja essa coerência — e a coragem de seguir um caminho pouco óbvio — que explique porque foi eleita Chef do Ano nos Prémios NiP 2025, por votação direta dos leitores.
Entre 10 e 25 de dezembro, a NiP convidou o público a votar nos seus projetos, espaços e protagonistas favoritos do ano na cidade do Porto. Todas as categorias foram escolhidas pelos leitores, à exceção de Abertura do Ano e Personalidade do Ano, de decisão editorial. DEpois de anunciados os vencedores nessas categorias, bem como a Melhor Artista, agora chegou a vez da Melhor Chef — e o nome mais votado foi o de Caroline Giandalia.
“Fiquei genuinamente muito feliz ao receber esta distinção”, confessa. “Representa a confirmação de que o trabalho que venho a desenvolver está a dar frutos. Não encaro este reconhecimento apenas como algo pessoal, mas como o reflexo de um trabalho coletivo.” A chef destaca o papel da equipa, do gestor do espaço e da liberdade criativa que encontrou na Gruta, sublinhando que este prémio simboliza também “uma fase mais madura e consciente do restaurante”.
Nascida no Rio de Janeiro, Caroline começou o seu percurso na pastelaria, num negócio familiar com a mãe e a irmã. Licenciou-se em gastronomia, passou por várias cozinhas no Brasil e mudou-se para Portugal há cerca de seis anos. Por cá, trabalhou com nomes como José Avillez e Ricardo Costa, integrou equipas como as do Yeatman Gastronomic e do Ovo, e acabou por chegar à Gruta, primeiro como cozinheira. Há cerca de um ano e meio assumiu a chefia e imprimiu uma nova identidade ao restaurante.
O foco está no produto e na construção de pratos a partir dele, sem tentar replicar receitas tradicionais portuguesas ou brasileiras. Peixe e marisco da costa nacional cruzam-se com ingredientes como tucupi, mandioca, açaí ou banana-da-terra, sempre com atenção às texturas, à sazonalidade e ao desperdício zero. “Não partimos de receitas, partimos do ingrediente. Estudamo-lo e construímos o prato à volta dele”, explica.
O ano de 2025 foi, para Caroline, de consolidação. “Foi um ano muito produtivo, de muito trabalho, mas também de colheita”, resume. Criativamente, sentiu-se mais segura para arriscar; profissionalmente, assumiu mais responsabilidades; e pessoalmente ganhou confiança. A resposta do público português — cada vez mais presente na sala da Gruta — veio confirmar que havia espaço para esta proposta menos previsível.
E 2026? “A sensação é que estamos apenas no começo”, diz. A vontade passa por continuar a explorar novos sabores, aprofundar a identidade da casa e surpreender quem volta. Sem pressa, mas com ambição. “O meu maior desejo é que a Gruta se torne um projeto cada vez mais afinado, consciente e fiel a si próprio, sem perder a curiosidade.” E, pelos vistos, os leitores da NiP concordam.
Instalado na Baixa do Porto, o restaurante Gruta aposta numa cozinha de autor que cruza ingredientes portugueses com referências brasileiras, num registo criativo e contemporâneo. A carta privilegia o peixe, o marisco e opções vegetais, com pratos pensados para partilhar ou para uma experiência mais completa à mesa. O ambiente é intimista e descontraído, ideal para jantares sem pressa. O preço médio por pessoa ronda os 45€ a 55€, podendo chegar aos 60€ com entrada, prato principal, sobremesa e vinho.
Carregue na galeria para ver mais imagens do restaurante liderado pela Melhor Chef do Ano, segundo os leitores da NiP.

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