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Depois de uma má experiência, este chef decidiu abrir no Porto um “vero” restaurante italiano

Salvatore Montella é o responsável por garantir que todos os pratos italianos do Vera respeitam as regras da tradição.

A primeira refeição que fez num restaurante italiano no Porto foi um desastre. Salvatore Montella estava na cidade com um investidor e decidiram fazer uma paragem num espaço de comida italiana. Apesar dos preços elevados, acabaram por pagar e sair antes de terminar a refeição. Foi aí que surgiu a vontade de abrir na cidade um restaurante onde as receitas, os produtos e até o tempo de preparação respeitassem as regras tradicionais. O resultado é o Vera, aberto desde 1 de junho na Avenida de Rodrigues de Freitas, no Porto.

O investidor, que prefere não ser identificado, vive em Portugal, passou pela China e está ligado a diferentes projetos de restauração no Porto, Lisboa e Açores. As viagens frequentes a Itália aproximaram-no de Salvatore e acabaram por transformar aquela conversa num restaurante. “Não é apenas um restaurante italiano, é uma experiência culinária italiana autêntica. É ir a Itália sem sair do Porto”, explica à NiP João Perfeito, responsável pela comunicação do espaço.

Natural de Nápoles, Salvatore começou a trabalhar enquanto ainda estudava, aproveitando os fins de semana para passar por trattorias e restaurantes tradicionais napolitanos. Depois de concluir a formação, mudou-se para Londres, onde começou num pequeno italiano em Piccadilly e passou, mais tarde, por cozinhas de alta restauração. Regressou depois a Nápoles para trabalhar em eventos e catering, antes de partir para Melbourne, na Austrália.

Na cidade australiana, trabalhou no Sarti e no Bar Carolina e, em 2019, abriu o Aromi, em Brighton, com Paolo Masciopinto. O projeto juntava as raízes napolitanas de Salvatore à cozinha do Piemonte e chegou a ser distinguido como um dos novos italianos mais interessantes de Melbourne. A pandemia levou ao encerramento e ao regresso do chef a Itália. Desde então, criou o laboratório de comida vegetal Kalea e começou também a dar formação em cozinha vegetal contemporânea, com atenção à massa fresca, às técnicas e ao aproveitamento dos ingredientes.

No Vera, ficou responsável pelo conceito gastronómico, pelas receitas e pelos padrões que a equipa deve repetir em cada serviço. Salvatore treinou a brigada e trabalhou na construção da carta durante os meses anteriores à abertura. Quando está em Itália, é Atish quem fica responsável pela cozinha e por manter os processos definidos pelo chef de 39 anos.

Preparar tudo demorou entre três e cinco meses e implicou testar várias receitas e fornecedores. A exigência chegou ao ponto de a equipa mudar três vezes de parceiros por considerar que os produtos não tinham a qualidade necessária. Vários ingredientes vêm diretamente de Itália, enquanto as massas, os molhos, a maionese e as sobremesas são preparados no restaurante. A pasta é feita todos os dias e a massa das pizzas repousa durante 48 horas antes de entrar no forno. “A comida é a verdadeira protagonista. O que interessa é que, sempre que alguém venha cá, encontre a mesma qualidade”, reforça Joã

O chef do Vera.

O restaurante tem cerca de 60 lugares, incluindo a esplanada. No interior, as paredes claras e texturadas juntam-se à madeira, à pedra em tons quentes, às cadeiras de verga e a pequenos candeeiros que tornam o ambiente mais intimista ao jantar. Os arcos, o balcão e a cozinha visível completam o espaço, pensado para receber tanto casais como grupos de amigos ou famílias.

À mesa, a carta começa pelas bruschettas, entre 6€ e 8€. Pode escolher a al pomodoro (6€), a Pugliese com burrata, tomate e azeitona preta (7,50€) ou a Primavera com prosciutto San Daniele, rúcula e parmesão (8€). Nos antipasti encontram-se as crocchette de batata e parmesão (5,50€), os arancini recheados com bolonhesa, ervilhas e queijo (6€), as almôndegas com ragù e fondue de queijo (12€) e a burrata com ’nduja e pão de massa mãe (13€).

Depois chegam as massas frescas. As opções incluem pappardelle alla Sorrentina (16€), tagliolini com pesto de amêndoa à moda de Trapani (17€), tagliatelle alla carbonara (18€), lasanha à bolonhesa (19€), gnocchi de quatro queijos (20€) e mezzelune alla Norma, recheadas com beringela, tomate e queijo fumado (21€). Entre os restantes pratos há parmigiana de beringela (17€), cotoletta com batatas fritas (18€) e bacalhau alla pizzaiola (24€).

Nas pizzas, os preços começam nos 10€ da Marinara e nos 11€ da Margherita com tomate San Marzano e mozzarella de búfala. Seguem-se a Diavola (13€), Quattro Formaggi (15€), Primavera e Pesto (16€), Tartufata (17€) e Mortadella com creme de pistácio (18€).

Para terminar, há trufas de chocolate artesanais (3€), panna cotta com caramelo, chocolate ou frutos vermelhos (5,50€) e tiramisù clássico (6,50€). A carta de bebidas mantém a ligação a Itália, com Prosecco a 5€ por copo e 23€ por garrafa, vinhos brancos desde 5,50€ por copo, tintos de diferentes regiões, aperitivos e cocktails como Aperol Spritz (7€), Campari Spritz (7,50€) e Negroni (9€).

Apesar da localização central e da presença de turistas, o Vera quer primeiro conquistar quem vive na cidade. Segundo João, cerca de 90 por cento das reservas têm nomes portugueses. “Queremos primeiro conquistar as pessoas do Porto. Se formos um restaurante de confiança para quem vive cá, os estrangeiros acabam por vir também.”

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. de Rodrigues de Freitas, 266
    4000-416 Baixa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a domingo das 12h30 às 15h e das 18h30 às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Italiana

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