Nos últimos meses, o Porto ganhou novas moradas para praticamente todos os gostos. Há restaurantes onde a massa fresca é feita diariamente, balcões de sushi onde o chef decide o menu, bares escondidos em locais improváveis e tascas modernas que reinterpretam receitas tradicionais portuguesas. Entre regressos aguardados, projetos muito pessoais e conceitos importados de outras culturas, a cidade continua a reforçar a sua posição como um dos destinos gastronómicos mais dinâmicos do País.
Uma das tendências mais visíveis é o crescimento da cozinha italiana. A Emiglia, antiga Nonna Pasta Fresca, abriu um novo pasta bar na Rua do Rosário e uma fábrica-loja em Campanhã, onde vende massas frescas, molhos e refeições prontas para levar para casa. Também Antonio Mezzero regressou à cidade com um novo restaurante em Aldoar, depois do encerramento da antiga casa em Matosinhos. O espaço é mais pequeno e intimista, com uma abordagem focada no conceito de slow food, pizzas napolitanas, massas frescas e menus de degustação.
Ainda dentro dos sabores italianos, o Gio Party & Pasta instalou-se no Hotel Editory Boulevard e junta cozinha italiana, espetáculos e uma estética inspirada no universo dos circos vintage. Já o Grottu, na Picaria, combina massas frescas feitas na hora com sushi do Grupo Yujin, tudo servido num espaço pensado para recriar o ambiente de uma gruta.
Para os fãs de pizza, há também duas novidades a conhecer. A Squadra, no Bonfim, nasceu pelas mãos de dois amigos de infância que começaram a fazer pizzas juntos aos 12 anos. O projeto aposta em fermentação natural e produção limitada. Já Antonio Mezzero mantém-se como uma referência para quem procura pizza napolitana de inspiração mais clássica.
A cozinha portuguesa também ganhou novas interpretações. No Largo da Lapa abriu o Pulso, projeto liderado pela chef Tânia Durão, que recupera sabores tradicionais portugueses num formato pensado para partilha. Uma das propostas mais curiosas da carta é a sobremesa inspirada no coração de D. Pedro IV, guardado na Igreja da Lapa. Na Foz, Camilo Jaña inaugurou finalmente o primeiro restaurante em nome próprio, o Camilo Cozinha Brava, onde o fogo e a brasa assumem o papel principal.
Para quem prefere experiências mais ligadas ao vinho, o Poente by Vallado trouxe um pouco do Douro para a Ribeira. O espaço distribui-se por quatro pisos com restaurante, wine bar, loja, sala de provas e experiências de realidade virtual ligadas à Quinta do Vallado. Na Rua da Torrinha, o Onze Onze aposta numa seleção de vinhos portugueses naturais e de baixa intervenção, acompanhados por petiscos para partilhar.

Os cocktails também continuam a ganhar protagonismo na cidade. O SEDE recupera o espírito das antigas coletividades de bairro, mas transforma clássicos como a francesinha e a rabanada em cocktails de autor. O ATMAN leva a experiência para outro patamar com uma carta inspirada nos conceitos de Mente, Corpo e Alma e uma abordagem que cruza filosofia hindu, ciência e mixologia. Já o Geezer esconde-se dentro de um clube de bridge na Rua Sá da Bandeira e dedica-se exclusivamente aos grandes clássicos da coquetelaria.
Na Baixa, o Boémio transformou a antiga cafetaria do Real by Casa da Calçada num gastrobar pensado para petiscar, beber um copo e prolongar a noite. A poucos minutos dali, o Yuko abriu finalmente uma segunda morada na Rua da Conceição e levou a sua famosa francesinha para o centro da cidade.
A oferta asiática também continua a crescer. O Hikari, no Marquês, trouxe para o Porto uma experiência omakase tradicional japonesa conduzida pelo chef Wataru Inoue. Com apenas oito lugares ao balcão, o menu é definido diariamente de acordo com os produtos disponíveis. No Bonfim, o Oitavo Oceano segue uma abordagem completamente diferente, misturando referências de Hong Kong, Taiwan, Tailândia, México e Estados Unidos num conceito de “tasca curiosa” criado por Dagan Wong.
Entre as propostas mais descontraídas surgem ainda o Mirone Cachorrinhos da Baixa, terceira morada da marca especializada em cachorrinhos à moda do Porto, e a Beiji, nova pastelaria francesa em Cedofeita, onde os Saint-Honoré rapidamente se tornaram uma das sobremesas mais fotografadas da cidade.
Juntos, estes 18 projetos mostram uma cidade cada vez mais diversa à mesa. Há espaço para tradição e inovação, para cozinhas de autor e conceitos mais informais, para menus de degustação de 155€ e para uma simples fatia de pizza ou um cachorrinho. A parte mais difícil será decidir por onde começar.
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