Setembro ainda deixa espaço para finais de tarde quentes, mesas demoradas e um copo de vinho branco servido fresco. Para aproveitar os últimos dias de verão no Porto, a sugestão chega do Tejo, embora seja feita com uma casta de origem francesa.
O ODE Viognier está disponível no The Cork, o wine bar instalado em frente ao Cinema Trindade, na Baixa portuense. Pode ser pedido por 7,50€ ao copo ou por 25€ à garrafa para beber no espaço. Quem gostar e quiser repetir a experiência em casa pode comprar a garrafa por 17€.
Produzido exclusivamente com a casta Viognier, apresenta “aromas intensos de pêssego branco, nectarina, alperce e frutos tropicais, aos quais se juntam notas mais discretas de gengibre e especiarias”. Tem 12,5 por cento de álcool e um perfil pensado para ser bebido jovem, de preferência durante os primeiros três anos.
Apesar do lado frutado, não passou por madeira. Depois da fermentação, permaneceu durante cinco meses em contacto com borras finas, os sedimentos naturais que ficam no vinho durante esta fase. A técnica ajuda a criar maior corpo e textura na boca, sem esconder a frescura e as características da casta. O resultado é um branco que funciona sozinho, ao final da tarde, mas não precisa de ficar limitado ao aperitivo.
Maria Vicente, enóloga da produtora, sugere a harmonização com sushi, sashimi, comida indiana picante e caril tailandês. A intensidade aromática do Viognier acompanha bem pratos com especiarias, enquanto a frescura ajuda a equilibrar sabores mais ricos. Na carta do The Cork, pode ser combinado com o carpaccio de bacalhau com cebola roxa em pickle e azeite de funcho (14,50€). Para uma escolha mais composta, há pão de queijo recheado com bifanas de porco e mostarda caseira (11,50€), uma das propostas que cruza diretamente as influências brasileiras e portuguesas do espaço.
A ODE está instalada numa adega construída em 1902, em Vila Chã de Ourique, no concelho do Cartaxo. Depois de vários anos sem atividade, o edifício foi recuperado e voltou a produzir vinho em dezembro de 2021. Parte da maquinaria original, incluindo mós, lagares e antigos armazéns de madeira, foi preservada e integrada numa estrutura moderna.
A enologia está a cargo de Maria Vicente, alentejana com mais de 20 vindimas de experiência, formadora certificada em vinhos da Madeira e do Porto, professora WSET e jurada em concursos nacionais e internacionais. A equipa trabalha segundo princípios de agricultura biológica, sustentável e regenerativa, com atenção à saúde dos solos e pouca intervenção na adega.
“Mínima intervenção, máxima atenção” é a frase escolhida pela responsável para resumir a filosofia do projeto. As fermentações naturais são usadas sempre que as uvas o permitem, a madeira entra apenas quando faz sentido e a filtração depende das necessidades de cada vinho. A propriedade trabalha castas portuguesas, como Arinto, Fernão Pires, Alvarinho e Touriga Nacional, ao lado de variedades internacionais, entre elas Viognier, Semillon, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon.
As versões anteriores do ODE Viognier também já receberam várias distinções. A colheita de 2022 conquistou uma medalha de ouro no Portugal Wine Trophy 2023 e foi distinguida pela Vinum Best of Portugal. A própria ODE foi considerada Produtor Revelação pela “Grandes Escolhas”, em 2025, e pela “Paixão Pelo Vinho”, em 2026.
No Porto, a referência encontrou lugar numa carta criada para apresentar diferentes regiões, castas e histórias. O The Cork abriu a 1 de fevereiro de 2025, pelas mãos de Larissa Oliveira, com o apoio da irmã, Daniela Rost. Larissa trabalhou durante quase uma década na área da moda no Brasil antes de se mudar para os Estados Unidos, onde estudou gastronomia e passou por cozinhas de hotéis e empresas de catering. Chegou ao Porto em 2023, aprofundou os conhecimentos sobre vinho e, poucos meses depois de terminar uma formação na área, decidiu avançar com o próprio projeto.
“Acreditamos que cada vinho conta uma história diferente e, por isso, escolhemos trabalhar com pequenos produtores portugueses”, explicam as irmãs à NiP. Na altura da abertura do espaço, cerca de 90 por cento da carta era composta por referências nacionais, escolhidas através do contacto direto com os produtores.
O nome nasceu das rolhas que Larissa guardava num vaso depois de receber amigos em casa. A memória desses encontros passou para uma das paredes do bar, onde um compartimento de vidro recebe as rolhas das garrafas abertas. O ambiente intimista, com pedra à vista, madeira e luz suave, foi pensado para recuperar essa sensação de estar na sala de alguém. “O conceito do The Cork nasceu da nossa vontade de criar um espaço confortável e acolhedor, onde as pessoas pudessem desfrutar de bons momentos à volta de um copo de vinho”, contam.
A carta de comida cresceu entretanto com a colaboração do chef João Macedo. Além das propostas escolhidas para acompanhar o Viognier, inclui hummus de paprika fumada (11€), pão de queijo com queijo da Serra e coulis de goiabada (10€), tártaro de novilho (16€), tábuas de queijos e enchidos e um brownie de massa-mãe com gelado (7,50€).
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