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Este vinho branco quase secreto custa 10€ e vai surpreender toda a gente à mesa

Feito apenas com Rabigato, existem apenas 550 garrafas. O vinho passa sete dias em contacto com as películas e deve ser servido a cerca de 12 graus para revelar todo o perfil.

Nem todos os vinhos brancos pedem gelo para saberem a verão. O Mix Grape Branco de Curtimenta, colheita de 2024, prefere chegar ao copo à volta dos 12 graus, temperatura a que revela a “frescura, as notas cítricas e uma estrutura capaz de acompanhar uma refeição”. Nascido no Douro Superior, é a sugestão de Diogo Magalhães Ferreira, responsável pelo Botella, na Foz do Porto, para aproveitar os últimos dias de verão.

A garrafa custa 10,50€ quando é comprada na garrafeira para levar para casa. Quem preferir prová-la no wine bar pode pedir um copo por 5€ ou a garrafa por 19€. Para Diogo, é difícil encontrar uma relação entre preço e qualidade semelhante dentro deste perfil. “Estamos a beber um vinho de nível de reserva especial por 10,50€. É um privilégio”, afirma. “É muito fresco, cítrico, tem madeira e alguma estrutura. Serve para um aperitivo, mas também pode acompanhar uma refeição de peixe grelhado. Por isso, é um vinho ideal para o verão.”

Antes de chegar às prateleiras do Botella, o Mix Grape começou por ser um vinho quase secreto. Há várias gerações que a mesma família trabalha as vinhas de Muxagata, em Vila Nova de Foz Côa, no Douro Superior. Durante décadas, as uvas eram vendidas para a produção de vinho do Porto, embora uma pequena parte ficasse reservada para criar um lote destinado apenas à família e aos amigos.

O ponto de viragem surgiu em 2012, quando todo o património agrícola foi reunido sob o nome Terraloga. Seguiram-se vários anos de recuperação e reestruturação das vinhas antigas, até a família começar a produzir os próprios vinhos, em 2019. Atualmente, o projeto ocupa cerca de 22 hectares, distribuídos por quatro vinhas, e trabalha apenas com uvas próprias. Mix Grape é a única marca da casa e apresenta-se através de seis referências entre tintos, brancos e rosés.

A garrafa escolhida por Diogo é o Mix Grape Curtimenta, feito exclusivamente com Rabigato proveniente da vinha Bringueira. A escolha da parcela é feita ao longo de várias semanas, através de provas, observação das uvas e análises laboratoriais. A vindima é manual, para caixas de 20 quilos, e apenas as melhores uvas seguem para a adega.

Depois de desengaçadas, permanecem sete dias em contacto com as películas. A fermentação acontece espontaneamente e inclui remontagens diárias, ajustadas através da prova. Na prática, o mosto volta a circular sobre as películas para extrair diferentes componentes da uva de forma controlada. É este processo de curtimenta, semelhante ao utilizado na produção de tintos, que dá a um vinho branco mais textura, estrutura e intensidade aromática, características que Diogo destaca. Tem 12,5 por cento de álcool e uma produção limitada a apenas 550 garrafas.

A filosofia da Terraloga passa por intervir o mínimo possível na adega, para que cada colheita revele as características da vinha e do território. Para Diogo, esta autenticidade, somada à produção reduzida e ao preço, torna a referência especialmente difícil de igualar na mesma gama.

“O objetivo é conseguirmos identificar o território. Quando provamos este Rabigato, percebemos de onde vem”, explica o responsável. A temperatura de serviço também ajuda. “Aconselho aproximadamente 12 graus. É um vinho que não precisa de estar muito gelado porque está muito bem conseguido e equilibrado. Quando os vinhos são mais equilibrados, não precisam de temperaturas tão frias.”

Durante mais de uma década, a família produzia e vendia uvas destinadas sobretudo ao vinho do Porto. Mais tarde, em 2024, decidiu reservar as melhores parcelas de cada vindima para criar os próprios vinhos. As restantes uvas continuam a ser vendidas, o que permite ao projeto crescer sem abandonar a atividade que esteve na sua origem.

Essa escolha anual das parcelas também explica a pequena escala e o caráter artesanal da produção, evitando repetir fórmulas, ao mesmo tempo que se procura perceber quais são as uvas que, em cada vindima, têm condições para dar origem aos vinhos da casa. Este é um perfil que encaixa na procura crescente por vinhos de baixa intervenção, feitos por pequenos produtores e com uma identidade territorial mais evidente. Diogo evita apresentar essa procura como uma explosão de vendas, até porque não tem números globais que o comprovem. No entanto, aquilo que observa diariamente no Botella aponta para uma mudança no comportamento dos clientes.

“As pessoas bebem menos vinho, mas bebem com mais qualidade”, resume. Em vez de escolherem várias garrafas indiferenciadas, procuram conhecer o produtor, a casta, a vinha e a forma de produção. Para criar um vinho com poucas correções na adega, acrescenta, é essencial começar com uvas em ótimo estado: os defeitos na matéria-prima não desaparecem e obrigariam a uma intervenção maior.

Foi também esta vontade de apresentar projetos menos óbvios que deu origem ao Botella. Formado em produção enológica, Diogo passou vários anos entre vinhas e adegas. Mais tarde, decidiu viajar por regiões vinícolas internacionais, mas a pandemia deixou-o oito meses em Napa Valley, na Califórnia. Quando regressou a Portugal, criou a distribuidora Wines on the Road para representar pequenos produtores especialmente afetados por aquele período.

Pouco depois, uma conversa com o amigo João Monteiro transformou um espaço vazio na esquina da Rua do Padrão com a Avenida do Brasil num wine bar. O Botella abriu em maio de 2022, com Margarida, irmã de Diogo, ligada à gestão diária. “A Foz não tinha nenhum wine bar tão especializado. O Botella nasceu como uma espécie de showroom da Wines on the Road e dos produtos que representamos, para dar a conhecer referências menos óbvias”, conta.

Quatro anos depois, a casa reúne 146 vinhos portugueses, espanhóis e franceses. Cerca de 120 podem ser pedidos a copo, com preços entre 4,50€ e 40€. A maioria dos clientes continua a ser local, mas o espaço também passou a levar visitantes de outras zonas até à Foz. “Já há pessoas que vêm comprar vinho para celebrações, batizados ou jantares porque conhecem o trabalho que fazemos”, sublinha.

A seleção continua a mudar. Entre as entradas mais recentes estão a Quinta do Carvalhido, no Douro, com referências de boa relação qualidade-preço, e a Torre de Palma, no Alto Alentejo. Neste último caso, a localização entre serras e a forte amplitude térmica ajudam a produzir vinhos com acidez elevada, menos álcool e pouca intervenção.

O copo pode ser acompanhado por uma carta pensada tanto para petiscar como para fazer uma refeição leve. Há pão de massa mãe com manteiga, azeite e pesto por 5€, burrata com pesto ou azeite trufado por 7,50€, tártaro de salmão por 9€, carpaccio de polvo por 15€, tacos mexicanos por 8,50€ e uma tábua de queijos e enchidos por 18,50€. Para quem quiser ficar para almoçar, existem ciabattas entre 7€ e 7,50€, saladas por 8€ e poke bowls de salmão ou atum por 9€. A refeição pode terminar com uma fatia do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, por 5€, ou profiteroles, por 4€.

Depois do verão, regressam também as Wine Sessions, encontros em que os produtores apresentam os seus projetos e conversam diretamente com os clientes. As datas serão anunciadas no Instagram do Botella.

Carregue na galeria para espreitar a garrafeira portuense.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua do Padrão, 78
    4150-557 Porto
  • HORÁRIO
  • Das 12h às 22h. Até às 2h à sexta e sábado.
  • Fecha à terça-feira.
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Mediterrânica

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