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Fomos conhecer o conceito dos jantares às escuras — e valeu mesmo a pena

Uma repórter da NiP esteve no jantar Dining in the Dark no Bar das Cardosas. A experiência foi, no mínimo, diferente.
Vale a pena experimentar

Quem viu o último episódio da segunda temporada da série “Valéria”, tem uma ideia sobre o que são jantares às escuras. Nas cenas da produção da Netflix, as protagonistas entram numa sala completamente às escuras onde precisam de encontrar os seus lugares e supostamente jantar completamente às escuras, sem ver nada do que se passa — exceto pela aparição de Víctor, claro, mas isso é outro tema.

A verdade é que comer o que quer que seja sem estar a olhar ou sem saber o que nos vai ser servido não é uma experiência que tenhamos com frequência. Para não dizer nunca. É por isso que a ideia de ir ao Dining in the Dark, no Bar das Cardosas, no Porto, parecia tão entusiasmante. Para não fazer spoiler a quem vá às próximas sessões do evento, não direi o que foi servido, por isso, passemos à experiência em si.

No caso deste evento da Fever, a ideia é um original da empresa e é um pouco diferente dessa que se viu na série. Aqui, a sala está apenas iluminada com a luz ténue de algumas velas para que o staff possa circular. À entrada, somos conduzidos até à respetiva mesa, servem-nos as bebidas e confirmam quem escolheu que ementa. Há uma pequena apresentação do conceito do jantar e a seguir é o momento de colocar as vendas negras que estão em cada lugar.

A partir deste momento, são os outros quatro sentidos a comandar a experiência. Desengane-se quem achar que é um verdadeiro masterchef e que ninguém lhe ganha no jogo dos paladares. Se olhar para um prato num restaurante e tentar adivinhar os ingredientes enquanto prova não é sempre uma tarefa fácil, fazê-lo às cegas ou de olhos vendados é um desafio ainda maior.

Tudo parece diferente, passamos a duvidar de nós mesmos, do nosso conhecimento e daquilo que nos diz o paladar. As texturas ganham outros contornos, podemos confundir moluscos, cogumelos e bacalhau, desconfiar de novos sabores ou tipos de confeção e até comer frango a pensar que se trata de um magnífico naco de novilho. Tudo é possível.

Claro que, para alguns, será mais fácil, mas haverá sempre aquela dúvida que nos persegue desde a entrada à sobremesa, passando pelo prato principal. Não se preocupe, entre cada prato e sempre que necessário, alguém da equipa irá ajudá-lo a perceber o que acabou de comer, perguntar o que está a achar da experiência e se necessita de algo.

Agora falemos dessas dúvidas que todos têm quando pensam neste tipo de experiência: é fácil comer sem saber onde está o prato, os talheres, o copo ou até a boca? É mais fácil do que podemos a princípio temer, até porque é uma atividade mecânica que repetimos há vários anos no nosso quotidiano.

Porém, isso não quer dizer que não fique a pensar se tem ou não comida no prato, se deve cortar, picar ou empurrar a comida, se irá ter espinhas ou se não irá deixar escorrer molho para a roupa ou pelo canto da boca. Levar uma garfada vazia — ou várias — à boca também é normal, não se preocupe porque não estará sozinho.

Nesta experiência ninguém está sozinho, se pensar bem, todos estão ali vendados e a tentar descobrir sabores e texturas que podem ou não ter provado antes. É parte da magia de tudo isto e vai ver que é divertido. A mistura de sensações entre ter de cheirar, provar e por vezes até apalpar o que vai comer sem saber exatamente o que está do outro lado da venda é parte do mistério e levará certamente a muitos risos e histórias para contar mais tarde.

Sem dúvida que é uma experiência que deverá ter algum dia ou até tentar reproduzir em casa. Fica apenas a nota de que, ainda que possa ser pura ilusão — ou não —, aparentemente, provar vinhos de olhos vendados faz com que o álcool mostre os seus efeitos com maior facilidade. Ou então são apenas os nossos sentidos a iludirem-nos.

As sessões do “Dining in the Dark: jantar às escuras no Palácio das Cardosas” estão ainda a decorrer e há mais quatro marcadas. Dividem-se entre os dias 25 de novembro e 2 de dezembro, tanto às 19h30 como às 21h30. O preço por pessoa é de 30€, sem as bebidas alcoólicas incluídas. Todas as informações e os bilhetes estão disponíveis no site da Fever.

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