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Há 4 novos Porto Vintage da família Symington para provar mesmo no fim do verão

O lançamento quer demonstrar o cuidado da empresa com os vinhos ao longo de várias décadas de envelhecimento.
Há outro projeto em curso com Porto Vintage de até 60 anos de envelhecimento.

A história do vinho do Porto é antiga e remonta até aos séculos III e IV. No entanto, se há bebida que testemunha a persistência cultural do empenho vitivinícola é, sem dúvida, esta. Até inícios do ano 1.900, João Franco assinou um decreto que regulamentava a produção, venda, exportação e fiscalização do vinho do Porto. 

Desde então, esta bebida tem vindo a atravessar gerações e gerações de famílias. Atualmente, não há casa dentro e fora do País que não tenha uma garrafa de vinho do Porto e as mais diversas caves do Douro têm-se esforçado para manter viva a história desta referência e conquistar novos públicos.

Um desses exemplos é a família Symington, que introduziu uma nova abordagem nos relançamentos, de quantidades limitadas, de Portos Vintage que põem de parte para longo envelhecimento. Este lançamento, com cerca de 20 a 30 anos de guarda, chama-se “Library Release”, para sinalizar que as garrafas envelheceram em perfeitas condições, nas garrafeiras da família. 

“Os rótulos foram redesenhados para distingui-los do lançamento original em primeur. Cada casa procurou inspiração no seu legado e estética identitária para criar “roupagens” diferentes, que transmitam mensagens chaves sobre cada vinho do Porto”, começa por explicar à NiP, Charlotte Symington, responsável pela Graham’s. 

Pela primeira vez, os rótulos indicam quantos anos o vinho envelheceu em garrafa nas garrafeiras da família, assim como a informação referente às datas de engarrafamento e lançamento. Há ainda a indicação de que se trata da segunda vez que o vinho é formalmente lançado, duas a três décadas após o seu lançamento inicial. “Como parte da nossa abordagem meticulosa no que toca ao envelhecimento de Portos Vintage, estes ‘Library Release’ foram rearolhados para garantir a qualidade e os rótulos incluem o ano em que o processo foi concluído”, acrescenta. 

Para este “Library Release”, destacam-se um dos melhores clássicos do século, como o 2003 da Dow’s, Graham’s e Warre’s, que foram muito aclamados aquando do lançamento, já que se tratou de um ano muito quente e de baixas produções, que se traduziu na produção de vinho “excecionais, de grande porte e intensidade”. 

Com quase 20 anos de estágio em garrafa, nas garrafeiras Symington, estes vinhos desenvolveram, como era de esperar, uma maior complexidade e estão prontos para serem consumidos, apesar da família admitir continuarem a ter um grande potencial para continuar o processo de envelhecimento. 

Juntamente com estes 2003, está a ser lançado em paralelo um outro “Library Release”, o Porto Vintage Quinta do Vesúvio 1995, a sétima vindima da família na quinta, desde que a adquiriram em 1989. Peter Symington, principal enólogo à época, sente particular orgulho neste vinho e acredita ser um dos melhores que produziu nos primeiros anos da presença da família. 1995 assinala também o ano em que o filho, Charles (atual enólogo principal), entrou na empresa familiar. Agora com 27 anos de garrafa, este Vesúvio 1995 está num excelente ponto na sua evolução.

Pode começar a colecioná-los.

“Estamos muito satisfeitos por encetar o nosso novo conceito ‘Library Release’ com quatro empolgantes Portos Vintage da Dow’s, Graham’s, Warre’s e Quinta do Vesúvio. No seguimento de cada lançamento Vintage, en primeur, a nossa família tem sempre reservada uma pequena quantidade para envelhecimento nas nossas caves para colocar no mercado décadas depois”, explica Harry Symington, responsável pelos Porto Vintage.

“O que estamos a fazer agora de modo diferente é fazer uma distinção entre estes ‘Library Release’, comparativamente ao primeiro lançamento, enfatizando o facto destas garrafas terem envelhecido nas condições perfeitas das nossas próprias caves”, reforça. O jovem ainda admite estarem agora focados numa terceira fase de lançamentos de Portos Vintage, que ocorrerá quando os vinhos atingirem níveis extraordinários de evolução, após 40 a 60 anos de envelhecimento. “Vamos lançar uma quantidade restrita de garrafas numeradas no que designamos serem “Private Cellar” (garrafeira privada)”, acrescenta.

Em janeiro de 2024, James Molesworth, redator senior do “Wine Spectator” e principal provador de vinho do Porto, fez uma prova especial para dar uma nova sobre o relançamento das “Library Release”. Ao Dow’s Porto Vintage 2003, deu uma nota de 95 pontos e afirmou “oferecer uma experiência deleitante, com elementos de café, chocolate, tabaco e notas de ameixa preta, amora e açaí”.

O Warre’s Porto Vintage 2003 obteve também um nota de 95 pontos, ao “oferecer uma textura rica e cremosa com ameixa preta, compota de amora e cereja preta, equilibrado com um registo elegante”. Por fim, o Graham’s Porto Vintage 2003, destacou-se com 96 pontos por ser um “Porto rico e possante, apresenta notas de groselha preta e cereja com um toque de alcaçuz, bolo inglês e chocolate”. Estes Porto Vintage “Library Release” vão estar disponíveis no mercado, em garrafeiras de especialidade, a partir de setembro, com preço sob consulta.

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