O Porto A.S. 1829 Hotel é muito mais do que um local onde dormir. Instalado no edifício da antiga Papelaria Araújo & Sobrinho, uma das mais antigas da Europa, o hotel funciona também como museu vivo da história portuense. Cada andar revela uma camada diferente da vida deste espaço centenário: desde a fundação da papelaria, em 1829, até às oficinas de tipografia e às máquinas de escrever antigas.
No rés do chão, do lado esquerdo da receção, onde em tempos funcionou uma galeria de arte, nasceu o restaurante Galeria do Largo. O espaço transformou a vocação artística original em comida, que explora a riqueza da tradição portuguesa com uma abordagem contemporânea.
É precisamente esse o espírito da nova carta de verão, criada pelo chef Manuel Ferreira: uma celebração da frescura e do conforto, da tradição e da surpresa. “Estamos numa altura que convida à partilha e ao convívio entre amigos, e é isso que une os pratos desta carta. É a carta da amizade e da diversão”, conta o chef à NiP.
Natural de França, mas com raízes bem portuguesas, Manuel Ferreira encontrou na cozinha uma forma de contar histórias. Depois de uma formação intensa — com passagem pela Escola Profissional de Mazagão, em Braga, e por cozinhas de referência como a do Sheraton Porto Hotel & Spa — assumiu, em 2015, a liderança do Galeria do Largo. Aqui, lidera uma equipa que privilegia os ingredientes frescos, sazonais e locais.
Ao almoço, a carta Galeria dos Petiscos apresenta uma abordagem mais descontraída e versátil do receituário nacional. Entre as sugestões estão a tradicional francesinha (16€), açorda de tomate (15€), prego de atum (15€) ou hot dog de polvo (16€) opções ideais para uma pausa leve e saborosa no centro do Porto. “O almoço convida a pratos mais informais, sem perder o cuidado com os ingredientes e a qualidade que caracterizam o restaurante”, garante o cozinheiro.
Já ao jantar, propõe-se um percurso pelos sabores portugueses com toques inesperados. Logo nas entradas, a criatividade faz-se notar com opções como os rissóis de sardinha com piquillo (11€) ou o surpreendente “pastel de nata” de aipo com foie gras e vinho do Porto 10 anos (16€). “Uma provocação deliberada”, que pede ao paladar para repensar o que conhece.
Nos pratos principais, o receituário tradicional serve de ponto de partida para combinações arrojadas. O bacalhau chega à mesa com feijoca e chouriço bísaro (27€), o robalo é servido com arroz malandrinho de amêijoa e coentros (25€), e o polvo corado acompanha batata e beringela fumada (29€). Tudo pensado para equilibrar memória e inovação, com técnicas de alta cozinha aplicadas a ingredientes nacionais.
As sobremesas seguem a mesma linha de pensamento. O pudim Abade de Priscos (8€), por exemplo, é servido com gelado de manjericão — uma união entre o clássico e a frescura inesperada. Há também uma seleção de queijos portugueses (18€), acompanhados de compotas feitas na casa.
A carta de vinhos e bebidas mantém-se 100 por cento portuguesa. Os espumantes da Bairrada, os brancos do Dão, os tintos do Alentejo, os verdes do Minho e, claro, os vinhos do Porto marcam presença, bem como aguardentes e Moscatel. Tudo escolhido para harmonizar com os sabores da carta e enaltecer a riqueza das castas nacionais.
Outro ponto de destaque é o menu infantil, disponível ao almoço e jantar por 10€ e 12€, respetivamente, pensado para cativar os mais pequenos sem abdicar de qualidade e sabor. Uma aposta que reforça a vertente familiar do restaurante.
Mais do que um espaço de refeições, o Galeria do Largo assume-se como um local onde a comida de conforto é elevada à arte. “Inspiramo-nos na própria história do espaço. Antigamente comprava-se papel, depois foi galeria de arte, agora é cozinha — mas tudo sempre ligado à criação. Agora criamos pratos”, explica o chef.
Carregue na galeria para conhecer as propostas do espaço, com uma localização privilegiada, entre a Rua das Flores e o Largo de São Domingos.







