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Javali com castanhas é o novo prato de conforto do Vincci Ponte de Ferro

O restaurante do hotel homónimo apresenta uma cozinha de autor renovada, inspirada na sazonalidade e na criatividade do chef.

Antes de ali se instalar um dos hotéis mais impressionantes da frente ribeirinha, o Vincci Ponte de Ferro, eram apenas um conjunto de edifícios devolutos, entre a ruas Casino da Ponte e a Cabo Simão. Muitos tinham perdido a função original e acumulavam décadas de abandono, apesar da localização privilegiada. Colados à escarpa, suspensos sobre o Douro e com as janelas debruçadas sobre a estrutura metálica da Ponte Luís I, guardavam planos de um futuro diferente.

O potencial do edificado levou o grupo Vincci a avançar com um projeto de reabilitação profunda, respeitando a identidade dos edifícios enquanto lhes devolvia vida. O hotel abriu em 2021 e tornou-se o único Vincci instalado na margem do rio — distinguindo-se pela vista inédita para a Ribeira do Porto, emoldurada pelo ferro da ponte.

Hoje, o Vincci Ponte de Ferro é um refúgio contemporâneo distribuído por vários edifícios históricos, incluindo suítes instaladas no antigo Casino da Ponte, um terraço panorâmico, piscina, bares e um restaurante que se tornou rapidamente uma referência gastronómica: o Ponte de Ferro.

O restaurante do hotel homónimo, entra na temporada outono e inverno com uma carta renovada que junta técnica, sazonalidade e produtos nacionais — tudo servido perante uma das vistas mais bonitas da cidade. A nova proposta, assinada pelo chef Christophe Fernandes, reforça o posicionamento do restaurante como uma das mesas mais surpreendentes da região.

A localização do restaurante diz tudo: está literalmente de frente para a Ponte Luís I, com uma perspetiva raríssima da estrutura de ferro que parece atravessar a sala de refeições. “É isto que nos distingue dos restantes Vincci no Porto: a vista privilegiada e o facto de estarmos do outro lado do rio, onde a cidade se revela de forma inédita”, sublinha Adrian Gonzalez Pico, diretor do hotel.

O conceito acompanha a paisagem. O restaurante Ponte de Ferro aposta num serviço de fine dining, com uma cozinha que trabalha produtos de proximidade e técnicas de vanguarda. Há uma garrafeira com referências de todo o País, um serviço atento e três coisas que fazem qualquer visita valer a pena: elegância, sazonalidade e surpresa. “Queremos que o cliente sinta que tudo no prato faz sentido — a textura, o aroma, a escolha dos ingredientes. Nada é aleatório”, explica o chef.

Christophe Fernandes nasceu em França, filho de emigrantes portugueses, e cresceu rodeado de sabores da região de Champagne. Mudou-se para Portugal aos oito anos, e parte dessa memória sensorial ainda hoje influencia a sua cozinha. Formou-se em Santa Maria da Feira e passou por cozinhas como o Bull & Bear, de Miguel Castro e Silva, e o restaurante do Hotel Sheraton, onde chegou a subchef.

Aos 40 anos, quando soube que um novo Vincci estava prestes a abrir nas margens do rio, decidiu arriscar. “Tinha metas pessoais a cumprir e percebi que este era o momento de dar o salto. Aqui deram-me liberdade criativa — e isso muda tudo”, conta.

Três meses após a abertura do hotel, assumiu a liderança da cozinha. Desde então, o trabalho em equipa — hoje multicultural e muito consolidada — permitiu construir um restaurante que cresceu em consistência e notoriedade. “O que queremos transmitir? Este espaço evoluiu muito em quatro anos. Hoje somos uma referência, com uma proposta que junta sazonalidade, rigor técnico e serviço cuidado”, afirma Marlene Castro, adjunta da direção.

A nova carta foi pensada para captar o espírito do outono e do inverno — e isso sente-se em cada ingrediente. Castanha, abóbora hokkaido, cogumelos do bosque, maçã Granny Smith, espargos brancos, raviolis de abóbora, arroz do mar, couves de inverno. “A inspiração vem da natureza, mas também do mar. Trabalhamos ingredientes nacionais, como o bacalhau e o polvo, que reinterpretamos numa lógica contemporânea”, explica o chef.

Entre as entradas que provámos, três propostas sobressaem desde o primeiro momento: o camarão-tigre em molho de caril, com chamuça de queijo e ananás dos Açores, uma combinação aromática e cheia de carácter (20€); a terrina de porco preto com sabores de outono, que celebra a estação com texturas e notas terrosas (19,50€); e os cogumelos do bosque grelhados com molho holandês e queijo de Nisa, um prato vegetal surpreendentemente rico e elegante (19,50€). Mas antes mesmo das entradas, há um primeiro impacto difícil de esquecer: o snack de abertura chega à mesa escondido sob uma campânula de vidro, libertando lentamente um fumo aromático que se espalha como nevoeiro sobre o vale do Douro. Lá dentro, revela-se um tataki de atum com maionese de wasabi e pérolas de tobiko, pensado para despertar o paladar e preparar o terreno para a viagem gastronómica que se segue.

Nos principais, a nova carta oferece propostas para diferentes perfis — dos amantes de carne às preferências mais marítimas. O supremo de pintada com gnocchis de abóbora hokkaido, sálvia e pinhões (30€) destaca-se pela delicadeza, enquanto a perna de javali estufada em vinho tinto, com castanha assada e batata alourada (30€) assume o papel de prato-conforto por excelência. Já o pregado com espargos brancos e arroz do mar (32€) honra o pescado nacional com técnica apurada, e o lombo de bacalhau com castanha e couves de inverno (33€) apresenta-se como uma das criações mais emblemáticas desta nova temporada — uma releitura contemporânea de um clássico português, com profundidade de sabor e apresentação impecável.

As sobremesas seguem a mesma linha de conforto e equilíbrio, perfeitas para fechar a refeição com leveza. Há um fondant de chocolate com sorvete de tangerina (9,50€), irresistível para os fãs da combinação quente-frio; o tradicional Pudim Abade de Priscos, aqui servido com um delicado confit de citrinos (9,50€); e a maçã de inverno com caramelo (9,50€), uma sobremesa que traduz de forma doce a estação que inspira toda a carta.

Paralelamente à carta, o restaurante apresenta também um menu de degustação (70€), que evolui com as estações e inclui harmonização opcional. A intenção do espaço é começar ainda uma agenda gastronómica exclusiva, com várias experiências temáticas — entre elas um ciclo de jantares vínicos que promete destacar pequenos produtores da região. “Queremos trazer o Douro para a mesa, de forma autêntica e emocionante”, adianta Adrian Gonzalez Pico.

O restaurante disponibiliza serviço à la carte ao almoço e ao jantar, e música ao vivo todos os sábados, às 20 horas — uma combinação perfeita para uma noite prolongada com vista sobre o Porto iluminado.

No final, fica a sensação de que o Ponte de Ferro é mais do que um restaurante de hotel. É uma sala com identidade, uma panorâmica que não cansa e uma cozinha que continua em desenvolvimento. “Crescemos muito rápido, mas sempre com cuidado. O mais importante é que as pessoas saiam daqui felizes”, resume o chef Christophe.

Carregue na galeria para ver maias imagens do espaço e das novas propostas que pode provar por lá.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. do Casino da Ponte, 1, 10º piso
    4430-999 Baixa
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h30
PREÇO MÉDIO
?
TIPO DE COMIDA
Portuguesa, Autor

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