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Nesta tasca não há vinho — só cocktails criativos com ares tropicais

A terceira vida da antiga Casa Marlindo, no Porto, é "uma viagem pelo tropicalismo e por Portugal".
A nova Casa Marlindo

A placa mantém-se intacta, cravada na fachada do número 15 da rua de Trás, no Porto. “Casa Marlindo, Vinhos e Petiscos”, lê-se. O espaço fundado em 1959 por um par de amigos já há muitos anos que não é a velha e conhecida tasca dos Lóios. E apesar de renovada em 2015, desde o início de janeiro que é o novo cocktail bar da cidade.

De portas encerradas há cerca de dois anos, o proprietário decidiu repensar todo o projeto e trazer novas ideias. Coube a Carolina Machado e Gonçalo Bragança reimaginar a Casa Marlindo, hoje rebatizada de Marlindo 19.59, com referência à data de fundação da antiga taberna. Com ambos veio Lia Igreja, responsável pela criação da carta de cocktails.

“Queríamos introduzir uma grande mudança, mantendo a identidade e o corpo da casa. Teria de continuar a ser Marlindo”, explica a gestora do espaço. “O conceito é um bocadinho a tasca dos anos 50, mas com ligação a um bar de cocktails do século XXI.”

Também por isso, todos os funcionários envergam uma vestimenta adequada: camisa branca de manga curta, cruz dourada ao peito e calças coloridas. A combinação reflete a nova vida do espaço.

A carta de cocktails inclui dez criações de assinatura e dois mocktails, todos inspirados na viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, os primeiros pilotos a fazer a travessia aérea do Atlântico Sul. “Os cocktails vão buscar inspiração a cada uma das paragens, mas também ao que eles levavam no avião, como o vinho do Porto, as bolachas de água e sal”, conta. “Uma viagem pelo tropicalismo e por Portugal.”

Um dos bestsellers é o Jungle Pinto (10€), uma reinvenção do Jungle Bird e que se faz com Sumol de ananás, combinado com Langs, Falernum, conhaque e Campari; e também o Samba de Cristo (10€), feito com cachaça, ameixa, Mole, Amaro Vecchio, tangerina e moscatel roxo.

Pode ainda provar o Coral (10€) com Phantom Spirits Mango Groove, June de pêssego, Beefeater Black, côco, gengibre, mezcal, sabugueiro e soda; ou o Plane Cracker (10€) com bolachas de água e sal, tequila José Cuervo, Nixta, Italicus, Lima, Beso e bitters.

Porque é importante manter o estômago composto e também a tradição, criou-se uma mini carta de petiscos onde ainda vive a bochecha de porco, estrela da antiga Casa Marlindo. “Era para manter, mas quisemos fazê-la de forma diferente. É servida com um bocado de pão, embora se coma à colher”, explica Carolina Machado. “Pretende-se que sejam apenas acompanhamentos para os cocktails. Dá para satisfazer.”

Além da bochecha e do couvert, há ainda tartes individuais com diferentes recheios (7€): bacalhau à Braga; cogumelos e espinafres; e carne de vaca, cerveja Stout e queijo Cheddar. Para terminar, um doce: um guloso sticky toffee pudding (4,5€).

É nas paredes e na decoração que mais se notam as diferenças. O conforto foi também regra nesta remodelação, tanto no piso térreo como na sala superior. As paredes acinzentadas estão agora coloridas, de azul e laranja, padrões arriscados, uma ou outra velharia a cortar o modernismo. E até a casa de banho recebeu um antigo lavatório da década de 50.

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