comida

O chef português com mais estrelas Michelin trocou o fine dining pela cozinha italiana

O Cucina di Toscani é o seu primeiro restaurante italiano, abriu em julho e está instalado no novo hotel de luxo da cidade.

Vítor Matos é uma locomotiva que segue a alta velocidade, sem forma de parar. O chef português mais estrelado pelo Guia Michelin arranca 2026 a avançar de forma desenfreada para mais e mais projetos. O mais recente, um italiano recheado de pastas, risotos e pizzas, parece querer traçar um novo rumo para o cozinheiro transmontano. Chama-se Cucina di Toscani e abriu as portas a 16 de julho no Porto.

O restaurante integra o Lenscape Coterie, o novo hotel de cinco estrelas que abriu no Largo Actor Dias, junto à Muralha Fernandina e com vista para o Douro e a Ponte Luís I. É a primeira unidade da Coterie Collection, a nova marca criada por Ingrid Koeck e João Pedro Tavares, proprietários da Torel Boutiques. E apesar de funcionar dentro do hotel, o objetivo passa por conquistar também os locais.

Esta não é a primeira colaboração de Vítor Matos com o grupo. O chef é também responsável pelo Blind, instalado no Torel Palace Porto e distinguido com uma estrela Michelin. A ligação estende-se a outros projetos, como o 2Monkeys e o Black Pavilion, no Torel Palace Lisboa, e o Schistó e o 16 Légoas, na Torel Quinta da Vacaria, no Douro.

“Gosto de novos desafios e este fez-me sentido desde o início. A cozinha italiana tem uma tradição muito forte e achei interessante poder trabalhar esse lado mais genuíno, focado no sabor e na qualidade dos ingredientes”, explica Vítor Matos à NiP.

A escolha pode surpreender quem associa o chef aos restaurantes distinguidos pelo Guia Michelin, onde já soma seis estrelas, e a uma cozinha mais virada para o fine dining. Natural de Jorjais, em Vila Real, estudou Cozinha e Pastelaria em Neuchâtel, na Suíça, antes de construir uma carreira entre os dois países. Passou pelo Largo do Paço, na Casa da Calçada, em Amarante, e lidera atualmente vários projetos premiados, entre eles o Antiqvvm, no Porto, distinguido com duas estrelas Michelin.

Ao todo, os projetos liderados por Vítor Matos somam seis estrelas Michelin. Além das duas do Antiqvvm, o chef está associado ao Blind, no Porto, ao Oculto, em Vila do Conde, ao 2Monkeys, em Lisboa, e ao Schistó, no Douro, cada um distinguido com uma estrela. É atualmente o chef português com mais estrelas atribuídas aos restaurantes que acompanha.

O Cucina di Toscani chega num dos anos mais movimentados da carreira do chef. Em junho, Vítor Matos inaugurou o Lara by Vítor Matos, em Vila Real, o primeiro restaurante em nome próprio e um projeto familiar desenvolvido com a mulher e a filha. O italiano do Lenscape Coterie tornou-se a segunda novidade do ano, enquanto permanecem em preparação um restaurante japonês no Porto e a renovação profunda do Hool, em Guimarães. Ao todo, o chef anunciou quatro novos projetos para 2026.

No Cucina di Toscani, a técnica continua presente, mas surge ao serviço de uma cozinha mais descontraída. “A cozinha italiana é, acima de tudo, feita para partilhar. Queríamos criar um restaurante onde as pessoas se sentissem à vontade e quisessem voltar, independentemente da ocasião”, acrescenta.

A proposta assume-se como fiel à tradição. Dos azeites aos enchidos, dos queijos às massas e pizzas, todos os produtos foram escolhidos para preservar os sabores de origem. O chef garante que nunca quis reinventar receitas apenas para lhes deixar uma assinatura pessoal. “A ideia nunca foi mudar receitas que já fazem parte da tradição. O meu contributo está no cuidado com os detalhes, na escolha dos produtos e na forma como tudo é preparado.”

A refeição começa com um couvert composto por pão de pizza, focaccia, pesto de tomate, queijo-creme, tomate seco e cebolinho (6€). Entre os antipasti encontram-se a vellutata di zucca, um creme de abóbora com ricota, sementes, óleo de limão e manjericão (7€), o carpaccio de novilho com rúcula, pesto, balsâmico, parmesão e fruto de alcaparra (16€) e uma versão de caprese com mozzarella de búfala e pinhões tostados (15€).

Para partilhar há tábuas de enchidos italianos com presunto de Parma curado durante 12 meses, pancetta, mortadela de Nápoles, bresaola e pepperoni, disponíveis em meia dose (19€) ou dose completa (29€). A seleção de queijos junta parmesão, taleggio, gorgonzola e ricota e custa entre 10€ e 16€.

As pizzas são um dos grandes destaques da carta e seguem o estilo napolitano, com uma massa leve e macia, centro mais fino e um rebordo alto. A mais simples é a margherita, com tomate, mozzarella, orégãos e azeite (15€). Seguem-se a napolitana com fior di latte e manjericão (19€), a prosciutto com presunto de Parma e rúcula (19€), a Toscani com pepperoni e peperoncini (21€) e a quattro stagioni com cogumelos, azeitonas, ovo e alcachofra (20€). No topo da carta está a pizza de sapateira, berbigão e camarão (25€). “As pizzas representam muito bem a filosofia do restaurante. São preparadas com ingredientes de qualidade, uma massa bem trabalhada e muito respeito pela tradição italiana”, salienta.

Nas massas, os preços variam entre os 16€ do rigatoni à bolonhesa ou do gnocchi de batata com tomate, parmesão e manjericão e os 23€ da sturricarellia, designação usada pelo restaurante para uma massa artesanal de formato longo, com trufas, cogumelos e manteiga. Há ainda bucatini à carbonara com guanciale, gemas e parmesão (18€) e linguine negro com bisque, camarão e pesto (22€). Quem não pode consumir glúten pode trocar a pasta por esparguete de milho.

A carta inclui ainda risotos, peixe e carne. Entre as sugestões encontram-se o risoto de açafrão com folha de ouro (19€), a corvina à milanesa com risoto de ervilhas (23€), o robalo com creme de tomate assado, alho e flor de alcaparra (28€), o ossobuco com puré trufado e cebola-pérola (28€) e vitela com presunto, sálvia, jus de carne e risoto de tomate seco (26€).

Para terminar, o tiramisù está disponível em seis versões: original, matcha, framboesa, pistácio, limão e avelã. A dose para uma ou duas pessoas custa 9€ e a versão para quatro a seis pessoas fica por 19€. A carta de sobremesas inclui ainda panna cotta de baunilha com cardamomo, framboesas, hortelã e chocolate (8€), pudim de ovo com cacau e gelado de nata (10€) e fruta (6€).

A cozinha é coordenada diariamente pelo chef residente Carlos Marques, que trabalhou com Vítor Matos no desenvolvimento da carta e da identidade gastronómica do restaurante.

Já o nome presta homenagem a Oliviero Toscani, fotógrafo italiano conhecido pelas campanhas da Benetton. “A inspiração veio sobretudo da sua personalidade forte e da forma como valorizava a autenticidade. Tentámos trazer esse espírito para o restaurante, criando uma experiência simples, mas com identidade”, explica Vítor Matos.

A ligação à fotografia prolonga-se na decoração assinada por Isabel Sá Nogueira. Um teto de vidro colorido projeta uma luz quente sobre a sala, enquanto uma instalação de espelhos côncavos e convexos altera as perspetivas e cria diferentes enquadramentos.

Nesta pequena incursão por uma área menos formal da gastronomia, Vítor Matos confessa que este lado italiano é também uma boa aprendizagem: “Aprendi que, muitas vezes, menos é mais. Quando os ingredientes são bons, não é preciso complicar.”

Carregue na galeria para conhecer a estreia do Vítor Matos na cozinha italiana.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Largo Actor Dias, 75
    4000-192 Baixa
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 12h às 15h e das 19h30 às 23h30
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Italiana

ARTIGOS RECOMENDADOS