A Ponte D. Luís I é, desde há muito, figura central do mais famoso postal do Porto; não admira, portanto, que cada janela, vista ou novo enquadramento sejam aproveitados para atrair locais e turistas à procura de um novo ponto de vista de um dos marcos da cidade. É precisamente esse o grande trunfo do novo Guindais Garden Bar & Restaurant, precisamente instalado junto às Escadas dos Guindais.
Inaugurado a 29 de maio, o projeto ocupa a antiga Casa das Máquinas do Funicular dos Guindais e resulta de uma parceria entre a Real Companhia Velha, o Grupo Romando e a Guindais Eventos. O restaurante é apenas a primeira fase de um plano mais ambicioso para devolver este edifício histórico à cidade.
Em setembro deverá abrir a Casa das Máquinas, um complexo cultural dedicado a experiências artísticas digitais e imersivas de grande escala. A ideia passa por reunir gastronomia, arte, património e entretenimento no mesmo espaço, de forma a recuperar um imóvel que durante anos esteve inutilizado. “O projeto nasce da vontade de recuperar e devolver à cidade um dos edifícios históricos mais emblemáticos da zona dos Guindais, transformando-o num espaço contemporâneo de arte, cultura, restauração e convívio”, explica Peki Silva Reis, responsável pela comunicação da Real Companhia Velha.
A reabilitação foi assinada pelo gabinete do arquiteto Nuno Valentim, que procurou preservar a identidade da antiga Casa das Máquinas e tirar partido da localização na encosta das Fontainhas. No exterior, o jardim acompanha o declive e abre-se sobre o Douro, com zonas de relva, mesas em plataformas de madeira e cadeiras descontraídas voltadas para Gaia. No interior, a pedra, os tons quentes, a iluminação suave e um balcão curvo criam um ambiente mais intimista para os jantares.
A Guindais Eventos está ligada ao desenvolvimento da Casa das Máquinas e à recuperação do edifício, um projeto preparado durante vários anos para transformar o antigo equipamento num centro de arte digital multimédia. O espaço foi também pensado para receber celebrações, apresentações e encontros empresariais, uma vertente que continuará presente através de eventos privados e corporativos.
Na componente vínica entra uma das empresas mais antigas do País. A Real Companhia Velha foi criada a 10 de setembro de 1756, por alvará de D. José I, sob influência do Marquês de Pombal, e mantém atividade ininterrupta desde então. Desde 1960 é administrada pela família Silva Reis e possui atualmente cinco propriedades no Alto Douro Vinhateiro, num total de 557 hectares de vinha própria. Além das caves em Vila Nova de Gaia, é também responsável pela Enoteca 17.56.
No Guindais Garden Bar & Restaurant, esta ligação traduz-se numa carta de vinhos especialmente extensa. Entre as referências servidas a copo encontram-se o Evel branco e tinto (5€), o Dandy (6€), o Alvarinho da Quinta de Cidrô (8€) e o Quinta das Carvalhas (16€). Os vinhos do Porto começam nos 4€, com o Moscatel Real Companhia Velha, e chegam aos 80€ pelo copo de Quinta das Carvalhas com 80 anos.
A oferta em garrafa inclui várias referências da companhia e produtores de outras regiões. Há Evel por 18€, Dandy por 20€, Quinta dos Aciprestes a partir de 29€ e Quinta das Carvalhas Reserva por 58€, além de uma seleção de champanhes e outras referências especiais.
A cozinha ficou a cargo do Grupo Romando, cuja história começou nos anos 80 com um restaurante familiar em Árvore, Vila do Conde. A casa tornou-se conhecida pelas carnes e peixes grelhados na brasa e, ao longo dos anos, expandiu-se para novos conceitos, mantendo a gastronomia portuguesa como base, complementada por influências internacionais e sushi.
Essa evolução reflete-se também no Guindais, onde o grupo apresenta uma cozinha portuguesa contemporânea pensada para partilhar. “A tradição é reinterpretada através de uma abordagem atual, privilegiando produtos de qualidade e ingredientes sazonais”, explica a responsável.
A refeição pode começar com ostras naturais ou com ponzu (4€ por unidade), ceviche de peixe branco (14€), tártaro de novilho (18€) ou tataki de salmão com molho miso (14€). Para partilhar, há burrata com pesto e tomate (15€), bacalhau à Brás (16€), pica-pau (18€), tacos de wagyu, cinco unidades (16€), amêijoas à Bulhão Pato (29€) e salada russa de camarão-tigre para duas pessoas (35€).
A carta inclui ainda montaditos de sardinha e pimento piquillo (8€), sapateira (10€) ou anchova e tomate San Marzano (10€). Entre os snacks encontram-se o preguinho do lombo (16€), o hambúrguer Guindais (18€) e o cachorro de sapateira (20€). Durante a tarde, estas propostas juntam-se às saladas e tábuas para quem quiser apenas petiscar ou beber um copo.
Nos pratos principais há massas, risotos, peixe e carne. O spaghetti alla carbonara custa 19€, o linguíni de amêijoa e lima 26€ e o rigatoni de camarão-tigre 32€. Existem ainda risoto de cogumelos selvagens e pinhão torrado (18€) e risoto de vieiras e limão siciliano (35€).
O lombo de bacalhau com açorda de camarão custa 32€ e os filetes de polvo com arroz do mesmo 34€. Para duas pessoas, o pregado grelhado com batata a murro custa 58€. Nas carnes, há bife à portuguesa (32€), entrecôte ou picanha Black Angus (34€) e bife Wellington (34€).
Nas sobremesas, o Grupo Romando recuperou um dos seus clássicos: o mini escangalhado com gelado de baunilha de Madagáscar (14€). Há ainda merengada de limão, bolo de bolacha e mousse de chocolate (8€), cheesecake (10€) e um “piquenique” de sobremesas para quatro pessoas (45€).
O bar acompanha o restaurante ao longo de todo o dia. Os cocktails de assinatura custam entre 9€ e 11€ e incluem o Euphoria, com erva-príncipe, ananás, vodka, gengibre e maracujá, o Aura, com toranja, rosas, gengibre e hibisco, e o Saudade, preparado com vinho do Porto seco, tomilho e laranja. A sangria da casa custa 12€ por copo, 32€ por litro e 59€ por dois litros.
Ao fim de semana, os sunsets com DJ juntam música à vista sobre o Douro. O espaço está aberto todos os dias para almoços, finais de tarde, jantares e eventos. O preço médio ronda os 45€ por pessoa. A partir de setembro, está agendada a abertura da Casa das Máquinas.
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