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O pioneiro da pizza napolitana renasce com um novo restaurante no Porto

Ao fim de mais de uma década em Matosinhos, Antonio Mezzero quer voltar a ser feliz num novo espaço, com uma nova filosofia e os sabores italianos de sempre.

Durante quase duas décadas, Antonio Mezzero viveu a vida em velocidade furiosa, a mesma velocidade a que entravam e saíam as pizzas napolitanas do forno. Em Matosinhos, primeiro com a Pulcinella e depois com a pizzaria que levou o seu nome, tornou-se uma das figuras mais reconhecidas da cozinha italiana em Portugal. Trouxe produtos ainda raros no País, defendeu a pizza napolitana como uma arte e chegou a conquistar, em Nápoles, o título de campeão mundial de Pizza Napolitana STG. Agora, depois de anos de excesso, cansaço, problemas de saúde e um incêndio que o obrigou a parar, decidiu fazer precisamente o contrário: reduzir tudo.

O novo restaurante Antonio Mezzero abre esta quarta-feira, 13 de maio, na Rua de Vila Nova, no Porto, perto de Aldoar. Tem apenas 24 lugares no interior e nasce como um conceito mais intimista. “Já fiz 300, 400 pizzas por dia. Agora quero qualidade de vida, quero ver os meus filhos crescerem e quero trabalhar com a quantidade certa para conseguir fazer tudo no máximo nível”, explica Antonio Mezzero. “Este espaço é pequeno, mas tem mais significado. Quero que as pessoas entrem aqui e sintam que fizeram uma viagem a Itália.”

A mudança começou a desenhar-se após o fecho da antiga casa em Matosinhos, em outubro, onde esteve durante 14 anos. A última fase não foi fácil. O chef mudou-se da Avenida Menéres para a marginal, mas um problema técnico provocou um incêndio cerca de um mês depois da abertura. Seguiram-se meses de paragem e de algumas dificuldades de saúde. Decidiu nesse momento que tinha que repensar todo o seu futuro.

No novo restaurante, a obra prolongou-se durante oito meses e foi vivida quase como uma segunda casa. “Dormi noites aqui, em cima dos sacos de cimento”, recorda. A obsessão pelo detalhe levou-o até a ir buscar trabalhadores “quase a casa” para garantir que tudo ficava exatamente como tinha imaginado.

Foram meses intensos de planeamento, obras, decoração e testes na cozinha, para criar uma experiência que transportasse os clientes até Itália através dos sabores, do ambiente e da essência do espaço. “Queria que tudo tivesse verdade, desde a comida até à forma como as pessoas se sentem quando entram aqui”, explica.

“Foi muito duro. Queria desistir todos os dias, mas não consegui. A parte mais difícil foi continuar a acreditar”, admite. “Tenho muita gratidão pelos clientes portugueses. O meu cliente foi sempre o meu melhor amigo. Voltar a ter contacto com eles vai valer todos estes meses de dificuldade.”

 
 
 
 
 
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O novo Antonio Mezzero quer manter as raízes napolitanas, mas vai além da pizzaria. A carta é curta, com antipasti, massas frescas, risottos, pizzas, sobremesas italianas e uma garrafeira que junta referências portuguesas e italianas. O objetivo é trabalhar menos pratos, mas com mais rigor, ajustando continuamente ingredientes, técnicas e combinações.

“Tenho um gosto genuíno em explorar sabores, texturas e novas técnicas para aprimorar os meus pratos e pizzas”, explica. “Não muda apenas o espaço, a ementa também traz novidades. A dedicação e atenção ao detalhe terão reflexo em tudo o que fizermos neste novo espaço.”

O rigor quase obsessivo de Mezzero sente-se também nos ingredientes que escolhe para pratos aparentemente simples. Nas sobremesas e até na sangria da casa, por exemplo, utiliza cerejas Amarena Fabbri, consideradas uma das variedades italianas mais prestigiadas. Produzidas tradicionalmente na região de Modena e Bolonha, distinguem-se pela textura firme, sabor agridoce intenso e pela calda espessa que as tornou um clássico da pastelaria italiana.

A panna cotta da casa leva precisamente estas cerejas, tal como a sangria di amarena. “As pessoas às vezes não percebem porque é que uma cereja pode fazer diferença, mas faz toda”, explica. “Quero os melhores produtos possíveis. Se vou fazer uma sobremesa italiana, quero usar aquilo que representa verdadeiramente Itália.”

Mezzero continua a importar ingredientes específicos diretamente de Itália, muitos deles difíceis de encontrar em Portugal. A ideia passa também por lançar, num futuro próximo, três menus de degustação distintos: um focado apenas em massas, outro dedicado exclusivamente às pizzas e um terceiro que combine ambos os universos.

O primeiro a chegar será o Il Mio Viaggio (A Minha Viagem, em português), um menu de degustação com harmonização vínica incluída, por 120€. O percurso inclui pratos como carpaccio de polvo, risotto al gambero tigre, linguine, sorbetto de limão e tiramisù de pistácio.

Paralelamente, o restaurante terá também um menu executivo por 19,90€, disponível durante a semana, com entrada, bebida e prato principal à escolha entre uma massa ou uma pizza com dois ingredientes. Há ainda um menu infantil por 17,50€, que inclui pizza ou massa, bebida e duas opções de ingredientes.

“Quero tirar pratos aos poucos e melhorar ainda mais os ingredientes e os detalhes. Prefiro ter menos opções e fazer tudo no máximo nível”, explica. A intenção passa por ir retirando alguns pratos de cada secção para continuar a aperfeiçoar receitas, testar ingredientes diferentes e elevar ainda mais a experiência.

Nas entradas, há burrata affumicata (14,50€), servida com rúcula e cebolinha em vinagre balsâmico; antipasto misto (29,50€), com charcutaria e queijo italiano acompanhado por focaccia; focaccia (6,50€), bruschetta (8,50€), tronco tartufado (14,50€) e carpaccio di polpo (14,50€), com polvo laminado e tarallo, uma bolacha salgada italiana.

Entre as massas e risottos, a carta apresenta linguine fresche al ragù di manzo (28,50€), gnocchi alla sorrentina (26,50€), paccheri alla puttanesca di baccalà (28,50€) e risotto al gambero tigre (32,50€).

Mezzero respeita as receitas tradicionais italianas, mas não hesita no momento de acrescentar pequenas camadas de inovação. A paccheri alla puttanesca di baccalà é um dos melhores exemplos. A base continua a ser a clássica puttanesca napolitana, tradicionalmente feita com tomate, anchova, azeitona e alcaparras, mas aqui ganha caldo de bacalhau para reforçar profundidade e ligação ao paladar português. Em vez da alcaparra tradicional, usa a flor da alcaparra, mais delicada e aromática. As anchovas transformam-se numa pasta cremosa, o bacalhau é limpo manualmente para retirar todas as espinhas e o prato termina com azeite de salsa em vez da folha inteira. “As pessoas não comem a folha de salsa, então eu transformo-a num azeite para dar sabor sem interferir na experiência”, explica.

O mesmo cuidado estende-se aos restantes pratos. “Uso coisas simples, mas quero que tudo tenha equilíbrio. A receita é tradicional, mas eu trabalho-a de outra forma. Quero que as pessoas percebam a minha arte italiana.”

As pizzas continuam a ocupar um lugar central, com massa napolitana e ingredientes selecionados. Há margherita D.O.P. (25€), generale (28,50€), tartufina affumicata (34,50€), padrino (28,50€), crudo e rucola (33€) e mortadella e pistacchio (36,50€). A massa é, naturalmente, a mesma que deu fama às pizzas de Mezzero, mas a abordagem será mais exclusiva e controlada.

O funcionamento do jantar também reflete essa filosofia mais calma e cuidada. O restaurante vai operar em dois turnos: o primeiro entre as 19h30 e as 21 horas e o segundo das 21 horas até ao final da noite. Ainda assim, a cozinha encerra às 22 horas. A ideia é desacelerar o ritmo habitual da restauração e permitir que cada prato seja preparado com mais atenção.

“Não trabalho às 22 horas da noite porque isso já não é jantar, é fome”, explica, entre risos. “Isto não é fast food. É slow food. Quero perder tempo em cada receita para entregar o melhor ao cliente.”

“Não quero que o Antonio Mezzero seja uma opção. Quero que seja uma escolha”, afirma. “Não sou um chef. Sou um artista da cozinha italiana. Desenho pratos e quero desenhá-los cada vez mais bonitos.”

O espaço acompanha essa mudança. A sala é pequena, escura, quente e envolvente, com tons terra, apontamentos italianos e uma cozinha aberta que permite acompanhar a confeção. O forno, revestido a dourado, é uma das peças centrais do restaurante. Há ainda uma máquina vermelha de corte de enchidos, pratos assinados e mesas em mármore.

A abertura marca também um renascimento pessoal. “Nos últimos anos passei por muitas dificuldades. Agora sinto que estou a renascer”, diz. “Portugal deu-me vida, lutas, problemas e milagres. Tive propostas para sair, mas não quis abandonar este país. Quero que aqui se saiba que há produto italiano verdadeiro, trabalhado da melhor forma.”

Carregue na galeria para conhecer o novo Antonio Mezzero.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Vila Nova, 1363
    4100-506 Aldoar
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 12h às 14h30 e das 19h30 às 22h30
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Italiana

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