Pão tostado, salsicha fresca, linguiça, queijo derretido e, muitas vezes, um toque picante. Sim, são assim os cachorrinhos à moda do Porto, que ao fim de várias décadas, já se tornaram num ritual quase obrigatório na cidade. Foi precisamente essa base tradicional que serviu de ponto de partida para o Mirone, um projeto que quis pegar numa das receitas mais icónicas do Porto e reinterpretá-la com um olhar mais contemporâneo, sem perder a essência. Agora, essa visão chegou à Baixa no passado 4 de abril, com a abertura do novo Mirone – Cachorrinhos da Baixa, na Rua da Picaria, a terceira casa da marca.
A história começa com Felipe Barros, 33 anos, brasileiro de São Paulo, que chegou ao Porto em 2018 para estudar marketing digital. Decidiu ficar por cá, não só pela oportunidade, mas também pela paixão pela restauração. Trabalhou em espaços como o Bonaparte e o restaurante Valentinas, onde afinou técnica e percebeu que queria fazer mais. “A gestão de pessoas e o cuidado com o lado humano são o grande segredo do nosso crescimento”, explica.
O projeto ganha forma quando se junta ao pai, Carlos, arquiteto com décadas de experiência em projetos de retalho, e a Pedro Alves, portuense, criminologista e consultor imobiliário. Cada um trouxe uma peça essencial: gestão, conceito e estrutura.
Antes de avançarem, analisaram o mercado e concluíram que ainda havia espaço para um conceito destes, dentro dos snacks tradicionais portuenses. “Queríamos oferecer uma experiência completa, como nas grandes cidades, mas com identidade local”, explica Felipe.
O primeiro passo foi dado em Gaia, em 2023, com a recuperação de um espaço que estava para trespasse. Meses depois, surgiu o Mirone Underground, um bar com vista para o Douro junto ao Jardim do Morro. O crescimento foi natural e rápido. A abertura na Baixa, no início deste mês, surge como consolidação desse percurso.
O novo espaço ocupa 123 metros quadrados na Rua da Picaria e organiza-se num único piso, dividido em dois ambientes. Logo à entrada, uma sala mais pequena, com cerca de dez lugares, funciona como cartão de visita: há um bar com mobiliário industrial em aço inoxidável, uma bancada em mármore e uma montra com objetos que ajudam a contar a história da marca.
A partir daí, um corredor liga os vários espaços, uma cozinha parcialmente aberta, copa, armazém, até chegar à sala principal, com capacidade para 26 pessoas e acesso direto a um terraço com jardim e vista para a torre da Câmara Municipal do Porto.
A decoração é uma das marcas fortes do Mirone. O verde profundo nas paredes e tetos cria um ambiente intimista, onde se cruzam peças vintage, candeeiros de diferentes épocas, ilustrações, plantas e uma coleção de cães em vários formatos, uma referência direta ao nome e ao conceito. Há ainda peças assinadas, como cadeiras desenhadas por Daciano da Costa nos anos 60 ou um cão de louça italiano com mais de um metro de altura.
Tudo foi pensado para criar uma experiência sensorial completa. “Queríamos que o cliente se sentisse em casa de amigos, confortável para ficar, comer e aproveitar o momento”, resume.
Na carta, os cachorrinhos continuam a ser protagonistas, mas já não estão sozinhos. A base mantém-se fiel à tradição, com salsicha fresca, linguiça e queijo, mas há ajustes que fazem a diferença, como o pão tipo mini baguete, desenvolvido em conjunto com fornecedores locais.
Ainda assim, outros pratos têm ganho destaque. Os pregos com carne macia e combinações que vão do clássico ao queijo da Serra, bem como as francesinhas, com molho caseiro, que são hoje tão pedidos quanto os cachorrinhos. Há também opções como sandes de presunto, ovos rotos, saladas e petiscos para partilhar.
O preço dos cachorrinhos começa nos 5,25€ e pode chegar aos 9,90€ na versão especial. Os pregos variam entre cerca de 8€ e 10,90€, enquanto a francesinha ronda os 13,50€. As batatas fritas começam nos 2,90€ e há sobremesa do dia por 3,50€.
Carregue na galeria para conhecer o novo Mirone e a sua oferta.

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