As portas abriram no verão, sem tempo para grandes contemplações. O calor alimentava a esplanada e o pequeno interior do restaurante acabou por ficar para segundo plano. Aos poucos, a decoração foi-se aprimorando e numa das paredes, foi crescendo uma coleção de fotografias Polaroid, onde figuram clientes, amigos, fornecedores e a equipa liderada por Kevin Carvalho, que assuma informalidade e diversão como eixo fundamental da casa, ao lado, claro, dos smash burgers.
Na parede, esta espécie de álbum de memórias em tempo real cresce à medida que o restaurante vai ganhando vida própria. O projeto abriu portas a 2 de agosto de 2025, na Praça dos Poveiros, no Porto, e desde então tem vindo a afirmar-se como um dos novos spots a ter em conta para quem leva hambúrgueres muito a sério, tal como o jovem de 28 anos.
Kevin nasceu e cresceu na Suécia, mas sempre viveu com um pé em Portugal. O pai é natural de Vila Nova de Gaia e a ligação ao País nunca se perdeu. “Sempre vivi próximo da cultura e tradição portuguesa”, conta. As viagens anuais até Portugal faziam parte da rotina familiar.
Ainda assim, viver por cá era diferente de passar férias e foi essa experiência que decidiu procurar quando se mudou para Portugal pela primeira vez em 2019.
Curiosamente, a cozinha e a comida nunca fizeram parte da equação. O interesse surgiu quase por acaso, quando acabou o secundário na Suécia e começou a trabalhar num supermercado. O plano inicial não envolvia tachos nem fogões, mas uma entrevista mudou o rumo das coisas.
“Não queria trabalhar na caixa e disse que gostava de cozinhar, porque era importante para conseguir ficar no talho ou na peixaria, mas não era verdade”, recorda. Acabou por ficar atrás do balcão do talho, embora não se sentisse capaz de dar boas recomendações aos clientes. Porque gosta de “dar o máximo” em tudo o que faz, começou a levar para casa as diferentes peças de carne e a cozinhá-las, enquanto via receitas e aprendia tudo sobre a confeção.

Foi nesse processo, feito de tentativa e erro, que a paixão apareceu. “Foi durante essa jornada que me apaixonei, embora se mantivesse um hobby, nunca uma profissão”, explica. Chegou a estudar Gestão, mas “odiava a ideia de um dia ter uma profissão de secretária”. A viragem profissional aconteceu no Algarve, em Vilamoura, no restaurante Akvavit, através de um amigo de longa data da família.
Entrou sem formação formal e num dos períodos mais exigentes do ano. “Foi muito duro mas aprendi muito”, recorda. A pandemia trouxe uma pausa forçada e um regresso temporário à Suécia, onde continuou a trabalhar em cozinhas, mas Portugal não lhe saía da cabeça. Voltou, viveu no Algarve, passou por Lisboa e percebeu que faltava uma cidade no percurso: o Porto.
A ideia do OPO Smash Burgers surgiu de forma simples e honesta: a vontade de comer um bom hambúrguer. Kevin experimentou vários spots no Porto e saiu desiludido. Em vez de ficar só pela crítica, viu ali uma oportunidade. “Percebi que havia espaço para fazer melhor.” E foi isso que decidiu tentar fazer.
O conceito do OPO assenta em três pilares: qualidade, simplicidade e personalidade. O menu propositadamente curto. Há dois hambúrgueres fixos e um especial que muda todas as semanas, que nasce de uma ideia ou inspiração concreta.
Nos hambúrgueres, tudo começa no básico, isto é, o pão e carne. O pão é feito pela Ogi, padaria de Vasco Coelho Santos. Trata-se de um pão brioche de massa mãe, “muito neutro mas rico e saboroso”, “sem a doçura habitual” dos buns de brioche.
A carne é moída diariamente no restaurante, mas revelou-se outro desafio, num blend que continua em evolução. “A carne portuguesa é super magra e para ter um smash burger suculento, uma quantidade certa de gordura é essencial”, recorda sobre o processo duro de encontrar os cortes ideais.
No menu, o The OG (9,99€) junta pão brioche de massa mãe, hambúrguer de 130 gramas, cheddar, ketchup, mostarda, cebola e pickles. Já o Smoky (11,99€) é o best seller assumido, feito com cheddar, maionese fumada, cebola caramelizada, bacon e pickles. Há ainda a Especial da Semana (11,99€), que muda regularmente. Um dos exemplos é o Smash Mi, inspirado no Banh Mi vietnamita, que acaba de entrar na rotação semanal.
Para acompanhar, há as Funky Fries (12,99€), que podem ser prato único ou para partilhar. É uma refeição completa com batatas fritas cobertas com maionese de piri-piri, pickle de cebola roxa, malagueta, um cheeseburger desfeito aos pedaços e queijo ralado.
Nas sobremesas, o destaque vai para as Bolas de Chocolate (1€), de inspiração sueca, feitas a partir da receita de infância do fundador. Há também uma sobremesa do dia, que pode ser uma french toast, um tiramisu ou panquecas.
O espaço é pequeno e intimista, com capacidade até 24 pessoas, embora 20 seja o número mais confortável, além da esplanada, que ganha especial protagonismo nos dias de sol. Há um espelho grande que amplia o espaço, uma bola de espelhos que “reflete o mood da equipa” e a já referida parede de fotografias. Kevin rejeita o serviço excessivamente formal. “Odeio a formalidade excessiva. Aqui somos amigáveis e amigos de todos.”


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