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Ovos rotos e pratos do dia a menos de 10€. Está escolhida a melhor tasca do País

Já foi uma velha adega e nos últimos 50 anos funcionou como um pequeno restaurante. O dono deixou a reforma para relançar o espaço.
Não faltam opções.

Batata fritas, fatias finas de presunto cobertas com ovos muito mal passados. A receita original dos ovos rotos nasceu em Espanha, mas há muito que cruzou a fronteira para o nosso País. São servidos como entrada ou como prato principal para partilhar e a versão da Adega de São Pedro valeu-lhe a distinção de melhor tasca do País.

O prémio foi atribuído no âmbito do Tascando, um concurso que nasceu no Brasil há mais de 20 anos, sob o nome Comida di Buteco. O objetivo é eleger o melhor espaço e já soma o número recorde de um milhão de votos entre os estabelecimentos. Este ano. Miguel Moreira, decidiu trazer a competição para Portugal para “enaltecer os sabores com que todos crescemos e a gastronomia portuguesa na sua globalidade”.

O concurso lançou um derby que conseguiu ser mais polémico que um Benfica-Porto: descobrir onde fica a melhor tasca de Portugal, no Porto, ou em Lisboa? Após uma longa votação, o restaurante de João Dias, na zona da Campanhã, saiu vencedora.

A competição decorreu entre 10 e 26 de maio em tascas das duas cidades. A avaliação considera vários fatores, como o sabor do prato escolhido para a votação (claro), o atendimento, a higiene e a temperatura das bebidas. O júri, composto por mais de 40 elementos ligados ao mundo gastronomia, atribuiu os pontos.

A gerência da Adega de São Pedro decidiu concorrer com um petisco menos tradicional, mas com muita procura. A estratégia funcionou. Mas o que diferencia este prato de outros que se servem em tascos semelhantes? “Além do toque português conseguido pelas azeitonas, a qualidade dos produtos e a cremosidade dos ovos aliados aos temperos fazem a diferença”, revela João Dias à NiT. Mas no espaço vencedor há muito mais para provar.

O restaurante pertence ao portuense há cinco anos, mas para contar a história do negócio é preciso recuar pelo menos cinco décadas. “Lembrava-me disto ser uma pequena adega, que depois virou tasco. Quando me reformei decidi abraçar um projeto de restauração, um setor que adoro e, ao mesmo tempo, a Adega de São Pedro ficou disponível para compra”, conta o proprietário.

Muitos aproveitam a reforma para descansar, relaxar e adotar uma rotina mais tranquila, mas João Dias não quis “a calmaria”. Quando o antigo emprego como vendedor de aparelhos eletrónicos nunca pensou ficar em casa.

“Corri o País inteiro em trabalho e provei muitos pratos e entrei em centenas de restaurantes. Sempre que me sentava para comer e falava com os funcionários do espaço, pensava que aquilo era algo que gostaria de fazer, com calma”, refere.

Quando menos esperava, o momento chegou. “A dada altura passei pela Adega de São Pedro, uma tasquinha antiga no Porto e achei que seria engraçado e importante reabrir e fazer que valesse a pena pelo espaço.”

E conseguiu. Celeste Rocha, a mulher, deixou o gabinete de estética onde trabalhava para abraçar o projeto do marido. “Ela segurou a cozinha. Mas agora tem duas ajudantes, porque o movimento também é maior”, justifica.

Das suas mãos saem os ovos rotos (9€), o bacalhau na brasa (14€) “com muita cebola”, a posta à Mirandesa (14€) e, claro, as tripas à moda do Porto, ou enfarinhadas (5€). “Quando abrimos sabíamos que tínhamos de fazer pratos tradicionais, mas não queria reduzir-me aos petiscos do Porto. Inclui muitas das receitas que provei nas viagens que fiz pelo País”, revela.

O resultado é um menu extenso, que se divide entre petiscos e pratos mais compostos. Pode abrir o apetite com uma bifana, um prego no pão, ou um pires de moelas, rissóis, ou panados. Mas vá com fome, porque logo a seguir chegam as travessas cheias de bacalhau que sai às lascas, ou de posta de novilho “à São Pedro”. A Francesinha também não podia faltar, assim como o pernil assado lentamente no forno.

Para quem não gosta de pensar muito, o melhor é almoçar na tasca. Há pratos do dia que variam todas as semanas e consoante a estação do ano. Esta quinta-feira, 20 de junho, há arroz de cabidela (7,50€), lombo assado no forno com batata assada e arroz (9€), robalo e dourada na brasa (14€) e para celebrar o São João, sardinha assada (8,50€). A sopa do dia é de legumes e custa 1,80€. A acompanhar pode pedir um copo de vinho — “opções não faltam”, sublinha João Dias. Aliás, é quase impossível não encontrar algo que goste, uma vez que a carta tem rótulos de todo o País.

No final da refeição, João Dias, recomenda uma mousse de chocolate “feita pela Celeste” (2,50€). Também provar as natas do céu (2,50€) ou a tarte de laranja (3€), que são “igualmente saborosas”, garante o proprietário.

Carregue na galeria para ver mais imagens da melhor tasca do País de alguns petiscos que pode comer por lá.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Esteiro de Campanhã, 10
    4300-174 Campanhã
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 10h às 22h
  • Domingo e segunda-feira das 10h às 15h
PREÇO MÉDIO
?
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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