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Primeira vending machine de onigiris do Porto é um sucesso — e vêm mais a caminho

A novidade foi instalada na Estação de Campanhã pela Daruma & Foods, que já está a trabalhar na expansão do conceito.

Antes de ser tendência de TikTok ou presença constante em doramas, os onigiris já faziam parte da história gastronómica japonesa há séculos. Pequenos, triangulares ou arredondados, feitos de arroz moldado à mão e embrulhados em alga nori, este snack simples é um dos alimentos mais antigos do Japão, consumido desde o período Heian (794-1185). Era a refeição prática dos guerreiros samurais, preparada para ser comida com uma mão em movimento. Hoje, continua a ser comfort food, merenda escolar e lanche de viagem — tão comum por lá quanto uma sandes mista por cá. Em Portugal, no entanto, só agora começa a ganhar o protagonismo que merece.

Quem decidiu mudar esse cenário foi Claudia Tashima, brasileira de origem japonesa que cresceu com a culinária nipónica à mesa. “O onigiri era o acompanhamento de todas as nossas confraternizações e reuniões”, começa por contar à NiP. “Sempre esteve presente no meu dia a dia”. Antes de vir ao Porto e criar a Daruma & Foods, Claudia trabalhou 12 anos no setor bancário, em São Paulo, na área de projetos e inovação — até que o desejo de empreender e a vontade de trazer um bocadinho de casa para Portugal fizeram nascer uma ideia.

A decisão não surgiu do nada. “Sempre fiz onigiris em casa e oferecia a amigos. Todos diziam que comprariam se houvesse um lugar que vendesse”, relembra. Foi ali que se acendeu a chama do projeto. A receita de família serviu de base, mas houve adaptações para o paladar português. “Foram muitos meses de testes até chegarmos à versão que fabricamos hoje”, explica.

A marca nasceu oficialmente em fevereiro deste ano, com uma fábrica de produção em Albergaria-a-Velha (Aveiro), equipamento importado do Japão e com uma missão: tornar o onigiri um snack prático, fresco e acessível no nosso quotidiano. O grande twist, porém, está no formato de distribuição. Em vez de abrir uma loja física, Claudia inspirou-se na realidade japonesa. “Morei alguns anos no Japão, e lá, as vending machines fazem parte da paisagem. Sempre achei prático e vi potencial em trazer esse modelo para cá”, diz.

Resultado? A primeira máquina de venda automática de onigiris do Porto foi instalada a 6 de junho na Estação de Campanhã, local de grande movimento diário. “Vi uma oportunidade — em certos horários não há onde comprar algo rápido para comer”, conta. A segunda máquina chegou a 23 de outubro à Lionesa Business Hub, em Matosinhos, para um público diferente, mais empresarial. Em ambas, os onigiris são reabastecidos todos os dias, e em momentos de maior procura até duas vezes ao dia.

 
 
 
 
 
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O segredo para manter a frescura está na logística e na embalagem. “As máquinas são refrigeradas e abastecidas diariamente com onigiris frescos, feitos no dia. Os onigiris têm validade de três dias”, explica. O truque para a alga se manter crocante até ao último minuto é o sistema de separação dentro da embalagem, que só permite o contacto com o arroz na hora de abrir — e quem já experimentou confirma.

Atualmente, está disponível em três versões: atum com maionese (o mais popular, cá e no Japão), atum com miso, ligeiramente mais intenso e salgado, e cogumelos com miso, uma opção vegetariana e aromática.

Os preços variam entre 3,80€ e 4€, acessíveis para quem quer um snack rápido — e mais nutritivo do que soluções industrializadas. Inicialmente, o snack não acompanhava com molho, à semelhança do que se faz no Japão. “No Ocidente tornou-se hábito comer comida japonesa com molho de soja, mas no Japão os onigiris não o acompanham”, explica Claudia. Apesar disso, a marca chegou a incluir soja por sugestão de clientes, mostrando que está atenta ao feedback que recebe.

Nas redes sociais e no Google, as avaliações são efusivas. “O melhor onigiri que já comi em Portugal, isto vindo de alguém que comeu imensos no Japão”, escreveu uma cliente. Outra partilhou: “Comi um de atum e maionese em Campanhã. Obrigada pelo flashback das memórias da Ásia. Estava delicioso”. Há ainda quem peça expansão imediata: “Por favor, comecem a distribuir para mais zonas, senão terei de ir ao Porto só para os comer”.

Claudia garante que isso já está no horizonte. “Para 2026 pretendemos aumentar o número de máquinas no Porto e iniciar a comercialização para lojas de conveniência e outros comércios”, revela. O objetivo é claro: tornar a Daruma & Foods referência nacional em snacks japoneses.

A aceitação surpreendeu a criadora — e tem gerado histórias divertidas. “Muitos portugueses nunca tinham ouvido falar de onigiri e acabam por experimentar por curiosidade. Depois voltam, trazem amigos. É lindo ver o produto ganhar espaço”. A comunidade asiática também tem dado apoio. “Costumam dizer que os nossos onigiris lembram os que comiam na infância”, conta Claudia — talvez o elogio mais precioso que um produto com alma pode receber.

Seja para quem procurauma refeição rápida entre comboios, um lanche para o trabalho ou apenas um pedaço do Japão em formato portátil, as vending machines da Daruma & Foods tornam a experiência prática, fresca e disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Basta aproximar o cartão, ouvir o clique, puxar o lacre com o número 1-2-3 e deixar o arroz ainda morno abraçar a alga crocante. É simples — e viciante.

No Porto, por enquanto, só é possível encontrar estas delícias nas máquinas de Campanhã e Lionesa, mas se depender dos fãs, esse mapa não ficará assim por muito tempo. Claudia sorri e resume tudo numa frase: “Quero que o onigiri se torne parte da rotina dos portugueses, como sempre fez parte da minha.”

Carregue na galeria para conhecer melhor o projeto e as suas propostas.

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