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Rachel mudou-se de Hong Kong para o Porto e abriu um supper club no jardim de casa

A cozinheira queria fazer novas amizades e criar a própria comunidade. No menu, junta as memórias e experiências da infância.
É super aconchegante.

Mudar de uma realidade para outra não é fácil. E para Rachel Lau, de 42 anos, não foi diferente. Em 2018, a cozinheira trocou as agitadas ruas e os altos edifícios de Hong Kong pela calmaria do Porto e desde então, tem sido uma aventura. Antes de se mudar para Portugal, nunca cá tinha estado e foi uma surpresa agradável. 

“Vivi em Hong Kong a minha vida inteira e apesar de sempre ter viajado muito, nunca morei no exterior”, começa por contar à New in Porto. “É uma diferença de 180 graus porque Hong Kong é sempre muito ocupado e cheio de gente e o Porto é calmo. Embora seja uma cidade, tem muitos espaços ao ar livre e não é ‘fechado’ devido à forma como se organizam os prédios. Há sempre um parque ou um jardim entre eles. Portanto, é maravilhoso”, acrescenta. 

Quando chegou a Trindade, no Grande Porto, ainda não trabalhava com a culinária mas bastou a pandemia chegar para resolver seguir a paixão que carregava desde miúda. Como muitas pessoas, Rachel ficava em casa e começou a cozinhar cada vez mais, em especial para o marido. “Comecei a cozinhar bastante para ele e pensei que poderia partilhar com o resto do Porto também”, sublinha. 

Há cerca de um ano, em julho de 2022, avançou com o próprio projeto: o Hangrywifey’s Kitchen. Com um conceito de supper club — isto é, refeições num ambiente secreto e familiar — o casal recebe, de cada vez, até 12 pessoas no jardim de casa. 

“Temos um jardim muito sossegado, aberto e privado e achámos que era o sítio perfeito para fazer um supper club”, partilha. “Somos ambos estrangeiros e achamos que é difícil fazer novos amigos por cá e, por isso, pensámos que se juntássemos pessoas que amassem comida, pelo menos teriam um tópico de conversa em comum. Decidimos construir a nossa própria comunidade, receber pessoas diferentes e fazermos novos amigos”, referiu. 

Já o nome do projeto, surgiu de uma brincadeira familiar. Em português, junta as expressões “com fome” (hungry) e “zangada” (angry) à palavra “wifey”, uma forma carinhosa de dizer mulher. “Hangrywifey é o apelido que o meu marido me deu”, explica. “Se eu não comer, fico zangada e ‘wifey’ é uma expressão que estamos habituados a dizer em casa porque é a forma que o pai do meu marido chama à sua mãe e achei que era cativante”, diz, entre risos. 

 
 
 
 
 
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Cada supper club é diferente mas mantêm um objetivo — criar vínculos entre pessoas

Para Rachel, o amor pela culinária já é antigo e foi herdado dos seus avós. “Fui criada por eles e a forma que tinham de demonstrar amor era através da comida. Por isso, sempre fui muito bem alimentada na minha infância”, conta-nos. “Todas as minhas melhores memórias com eles estão associadas à comida e sempre gostei muito disso”, refere. 

Na adolescência, começou a levar o interesse pela culinária mais a sério e decidiu fazer os próprios pratos para a família. “Depois da escola, estava habituada a ir ao supermercado para comprar os ingredientes que precisava. Os meus pais estavam a trabalhar e como tinha um irmão mais novo em casa, pensei que o mínimo que podia fazer era preparar o jantar para que quando chegassem a casa, a comida estivesse pronta. Comecei a cozinhar para demonstrar o meu amor por eles”, sublinha. 

Agora, é isso que procura fazer com o próprio negócio: trazer as memórias e as experiências da sua infância para a mesa e criar novas relações. “As pessoas vêm cá e tornam-se nossas amigas. Mesmo em grupo,  criam amizades entre si e mantêm contacto e depois fazem passeios juntos”, conta. “Ficamos muito felizes em podermos fazer isso”. 

Durante cada evento, Rachel muda o menu e procura nunca repetir os pratos. “Quando repito, é apenas um ou dois mas o resto da ementa é sempre diferente”, refere. “Era assim que acontecia em Hong Kong porque temos uma grande variedade de comida, pessoas de diferentes partes do mundo e eles vão para lá e começam a cozinhar. Estou habituada a diferentes tipos de comida e há vezes que sinto vontades distintas então, é isso que quero trazer para as pessoas do Porto também”, diz. 

Além dos brunches, almoços e jantares, Rachel começou a investir em workshops. Há cerca de duas semanas fez a primeira experiência. “Queria testar novas atividades e foi muito bem recebido”, frisa. “Depois recebi vários pedidos de pessoas que não puderam estar presentes a perguntarem-me quando seria o próximo. Ainda não sei quando vai ser, mas adoraria fazer mais”, confessa. 

Pode consultar os eventos planeados por Rachel através do site ou Instagram. Para fazer reservas, basta enviar um email para a Hangrywife’s Kitchen e, de seguida, irá receber os dados para pagamento. Depois, quando tudo já estiver confirmado, a morada. Se preferir, pode também levar a própria bebida. 

Carregue na galeria para ver alguns dos pratos e eventos já organizados por Rachel. 

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