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TOA: o speakeasy no Porto onde se serve Ásia em pratos e cocktails

Entre pratos de influências e cocktails de autor, o novo bar promete trazer uma nova experiência irreverente ao quarteirão artístico.

Singapura é uma cidade-estado marcada pela fusão entre culturas, modernidade e tradição. Entre os seus bairros mais emblemáticos está Toa Payoh, uma zona residencial que simboliza essa mistura: torres modernas a contrastar com espaços verdes, mercados de rua e uma comunidade vibrante que combina várias origens asiáticas. É precisamente daí que nasce a inspiração para o novo bar do Porto — um projeto que bebe tanto da diversidade cultural como da ideia de criar um refúgio urbano inesperado.

Mas a palavra “Toa” guarda também um simbolismo adicional vindo do Japão. Na língua, o significado de uma palavra varia consoante a combinação de kanji — caracteres de origem chinesa usados na escrita —. E “Toa”, consoante a forma como é escrito, pode remeter a conceitos como portão, entrada, jardim ou segredo. É uma coincidência perfeita para um bar que, além de se apresentar como um espaço pan-asiático, aposta na aura misteriosa de um speakeasy escondido no coração da cidade.

O TOA Porto inaugura já no próximo sábado, 20 de setembro, em plena Rua de Miguel Bombarda, o conhecido quarteirão artístico muitas vezes apelidado de “Soho do Porto”. O projeto nasce pelas mãos de Thomas Kao, empresário de Taiwan que viveu vários anos na Suíça e mantém negócios em Vancouver e Singapura. Apaixonou-se pelo Porto, onde já tinha investido em vários projetos. Agora, quis criar um espaço que refletisse a sua ligação à Ásia, mas em diálogo com a cidade que escolheu para viver.

“A ideia era recriar uma atmosfera de jardim asiático, mas trazendo também a riqueza da gastronomia pan-asiática”, explica Mayron Correia, gerente do bar. “Não queríamos cair no cliché de ser apenas ‘um restaurante japonês’. A proposta é mais abrangente: pratos autênticos de várias influências asiáticas, preparados de forma genuína.”

O espaço inspira-se nos speakeasy que nasceram nos Estados Unidos na década de 1920, durante a Lei Seca, quando o consumo e a venda de álcool eram proibidos. Eram bares secretos, de acesso restrito, escondidos em locais improváveis, e cujo acesso dependia quase sempre de uma palavra-passe ou de encontrar a entrada camuflada.

O TOA quis trazer exatamente esse espírito para o Porto. Para lá chegar, é preciso atravessar um restaurante asiático em funcionamento. “Não queremos revelar demasiado, porque faz parte da experiência. Só quem descobre a entrada consegue entrar neste jardim secreto”, explica Mayron Correia.

Lá dentro, o conceito é surpreendente. O projeto de interiores foi assinado pelo estúdio britânico Goddard Littlefair, conhecido pela sua abordagem sofisticada e cosmopolita e que recentemente abriu também escritório no Porto. A primeira sensação é a de estar num jardim secreto: as árvores já faziam parte do espaço e foram preservadas, assim como grande parte do jardim. A exceção é o bambu, que foi trazido de fora ainda pequeno e em poucos meses já “cresceu imenso”, complementado por novas trepadeiras que irão desenvolver-se naturalmente ao longo do tempo. Ao centro, uma árvore centenária domina o ambiente, rodeada por mesas de madeira, cadeiras em rattan e candeeiros de chão. O cenário completa-se com folhas de bananeira e almofadas em riscas encarnadas, criando um contraste entre exotismo tropical e elegância urbana.

“Queríamos um espaço onde as pessoas se sentissem transportadas para outro lugar, longe da azáfama da cidade, mas sem saírem do centro. Queremos que os clientes sintam que descobriram algo especial, um lugar que não se encontra por acaso. É esse o espírito do TOA”, explica Mayron. O espaço foi pensado para funcionar tanto no verão, com o jardim a céu aberto, como no inverno, graças a soluções de aquecimento que permitem usufruir mesmo nos dias frios e secos.

Além do ambiente de bar e restaurante, o TOA foi desenhado para receber eventos privados e culturais, aproveitando ao máximo as diferentes áreas do espaço. Logo à entrada, há um bar com mesas altas, pensado para casais que queiram beber um copo antes da refeição ou apenas no fim do dia de trabalho. Seguem-se duas zonas de mesas adequadas para pequenos grupos ou encontros a dois, e depois abre-se o jardim com uma área lounge, onde a natureza domina o cenário. No fundo, encontra-se ainda um pequeno salão mais intimista, sobretudo direcionado para o aluguer de eventos exclusivos.

A flexibilidade é uma das marcas do TOA: não é necessário reservar o espaço todo para organizar um evento — é possível usar apenas uma área e garantir uma experiência privativa. Para tornar tudo mais exclusivo, existe preparação para instalar um bar próprio ou até um sushi bar em qualquer zona, assegurando que o serviço é feito diretamente no local, sem necessidade procurar serviços externos.

A cozinha segue a mesma lógica de fusão pan-asiática, mas sem cair em clichés. A carta foi desenvolvida pelo chef Sammy, que já trabalhou em restaurantes com estrela Michelin em Singapura e veio propositadamente para o Porto para criar este menu. “Foi um processo longo de criação, mas trouxe a experiência internacional que queríamos”, explica Mayron. O fundador, Thomas Kao, também esteve sempre envolvido: provava receitas, pedia ajustes e até recorria às memórias familiares. “A minha avó não fazia assim”, dizia, obrigando a refinar cada prato até chegar ao sabor autêntico. O objetivo era claro: oferecer pratos genuínos, mesmo que isso implique arriscar sabores mais intensos, que podem não agradar a todos os paladares. “É o preço da autenticidade”, resume Mayron.

Nas entradas, as opções começam com clássicos de conforto: gyosas caseiras (7€), leves e recheadas de carne e vegetais; os rolinhos primavera (6,50€), crocantes e acompanhados de molho agridoce; e o duck bao (12€), um pão macio recheado com pato suculento e temperado com especiarias. 

Segue-se o bar cru, dedicado aos amantes de peixe fresco. Há diferentes cortes de sashimi de atum, salmão ou peixe branco, disponíveis em várias composições, desde 5 peças (9€) a 12 peças (18€). O salmon temaki (8€) é outra aposta de frescura, servido enrolado à mão em alga crocante, enquanto o tuna tartare (14€) combina textura e acidez num prato pensado para partilhar.

Nos pratos principais, a inspiração percorre vários países da Ásia. O crispy pork belly (15€) é servido com pele crocante e carne macia, acompanhado por molho agridoce. O tataki de wagyu (22€) destaca-se pela qualidade da carne, apenas selada para preservar o sabor. Já o pad thai (13€) apresenta a versão tailandesa autêntica, com noodles salteados, camarão, amendoim e lima. Outra proposta é o chicken katsu curry (14€), frango panado servido com molho espesso de caril japonês, e o kimchi fried rice (12€), uma receita coreana onde o arroz frito ganha intensidade com a acidez do kimchi.

As sobremesas também refletem esta diversidade. O yuzu parfait (6€) mistura acidez cítrica e frescura, enquanto a brique tartelette (6,50€) traz uma base crocante e creme leve. 

Para acompanhar, a carta de cocktails foi pensada para dialogar com os sabores fortes da cozinha. O Kyoto Negroni (13€) combina gin Roku com notas cítricas japonesas; o Bangkok Mule (12€) reinventa o clássico Moscow Mule com vodka, gengibre e especiarias tailandesas; o Shanghai Sour (12€) mistura whisky com lichia e limão; e o Saigon Spritz (11€) é leve e refrescante, com aperitivo italiano, chá verde e yuzu. Há também opções sem álcool, como o Zen Garden (8€), feito à base de chá verde e citrinos.

“A ideia é mostrar a riqueza da Ásia como um todo, com pratos tailandeses, chineses, japoneses e coreanos, sempre respeitando as receitas originais mas adaptando à nossa identidade”, reforça o responsável.

Carregue na galeria para conhecer as propostas do novo speakeasy do Porto.

 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. de Miguel Bombarda, 216
    4050-038 Baixa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 18h às 0h
PREÇO MÉDIO
?
TIPO DE COMIDA
Cocktail bar, Asiática

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