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Agatha Ruiz de la Prada: “O Porto apaixona-me”

Designer espanhola pondera vir morar para a cidade e falou com a New in Porto sobre a sua relação com Portugal.
Fotografia de Agatha Ruiz de la Prada.

Corações, arco-íris, estrelas, luas, sóis e cor. Muita cor. Estes são os principais elementos que se destacam na marca criada por Agatha Ruiz de la Prada, cujo nome se confunde com o da própria designer espanhola, de 62 anos. Fã do nosso País, tem um carinho especial pelo Porto e aproveitou a sua nova pop-up na cidade para falar com a New in Porto.

Depois de ter tido uma loja na Boavista ao longo de cerca de 20 anos e ter passado ainda por outros espaços no Norteshopping ou, mais recentemente, na Rua da Conceição, a marca deixou de ter estabelecimentos próprios em Portugal, à semelhança do que aconteceu por todo o mundo. A sociedade está a mudar, acredita, e por isso a aposta passa pelo online, com algumas lojas pop-up onde vai mantendo a proximidade com o público.

A primeira destas lojas de curta duração esteve em Paris, no ano passado. A segunda está no Porto, apenas entre 1 e 4 de dezembro. Foi precisamente aí que a criadora falou com a New in Porto, numa conversa animada e enérgica, sempre com o olhar atento aos clientes que espreitam o espaço e que ficam admirados por encontrar a própria Agatha aqui.

“A loja da Boavista era muito bonita, mas depois passou a estar na moda o centro da cidade. Fechámos a loja por uma série de questões e eu queria fazer uma pop-up”, diz Agatha Ruiz de la Prada, explicando: “Neste momento estamos em reflexão porque a questão das lojas é um tema que toda a gente está a repensar. Uma das alternativas às lojas são as pop-up, mas dão muito trabalho. Por um lado, não quero perder a minha relação com Portugal porque é muito importante”.

A marca tem cerca de 90 por cento da sua produção no nosso País, na zona de Guimarães, numa relação de várias décadas. Tudo surgiu porque “as fábricas portuguesas estão mais evoluídas do que as espanholas”. Embora o seu país fosse muito importante a nível europeu no ramo têxtil, essas fábricas fecharam e nem sempre davam o tipo de resposta que a designer pretendia. “Portugal foi muito mais flexível e então as fábricas espanholas fecharam e ficaram abertas as de Portugal. Os portugueses vão muito mais avançados do que os espanhóis”, aponta.

Olhando para a nossa cidade, Agatha só tem elogios e pondera até mudar-se para cá. “Antes não estava tão na moda como agora, o Porto tornou-se num sítio muito chique e fico feliz por isso porque gosto muito de Portugal e do Porto.” Além da cidade e da sua arquitetura, é fã do bacalhau e do Vinho do Porto: “O Porto apaixona-me”.

Na última edição do Portugal Fashion, em outubro, a espanhola foi a convidada de honra do evento e garante que ficou “encantada”. Aproveitou também a oportunidade para voltar a aproximar-se do público nacional, até porque em Espanha faz muitas coisas e aparece com regularidade na televisão, mas cá isso não acontece tanto, por isso queria dar-se a conhecer aos portuenses.

Sempre irrequieta e com uma personalidade que não a deixa ficar muito tempo no mesmo local, não sabe ainda se conseguirá concretizar esse sonho de vir morar para o Porto, embora esteja segura de que trabalho não lhe faltaria. “Em Espanha agora todos querem vir viver para Portugal, inclusive eu.”

Quando visita o Porto, Agatha Ruiz de la Prada gosta de ir a Serralves e apreciar a arquitetura da cidade, da qual é uma apaixonada, mas há sempre espaço para descobrir novos locais. “Vim mais de 50 vezes ao Porto e cada vez descubro coisas novas. Hoje fui ao Mercado do Bolhão e achei impressionante, muito bonito e bem cuidado.” Se pudesse agathizar — termo que utiliza para classificar algo a que dá o seu toque pessoal e distintivo — algum edifício da cidade, a Casa da Música seria a sua escolha.

Ao longo de quatro décadas de carreira em que fez um pouco de tudo, acredita que o seu estilo não mudou muito. Continua a distinguir-se pela utilização da cor e por não incluir o preto nas suas peças, mas também por ter um estilo marcado que não segue as tendências mas sim as suas próprias ideias.

“O que mudou é que a moda é muito mais acessível e também muito mais difícil de competir porque, antes, a moda era de designers ou modistas e agora são grandes empresas com as quais é quase impossível competir. Há muito poucas pessoas que aguentem e eu entendo porque a moda parece fácil mas é muito dura.”

Acredita que continua a haver muito para fazer porque o mundo está em constante mudança. Se pudesse, gostava de um dia vestir Kim Kardashian, mas não pensa muito sobre o futuro, sobretudo depois da pandemia. Quanto ao País e ao Porto, a designer sublinha uma ideia que resume bem esta relação: “Sinto-me super em casa em Portugal”.

Na pop-up do Porto é possível encontrar ainda as peças da coleção cápsula com a PYRATEX mas também peças para miúdos e alguns exemplares de coleções muito especiais do atelier. Carregue na galeria para descobrir algumas das peças da mais recente coleção.

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