Inês Gomes sempre acreditou que as flores podiam transformar momentos simples em memórias inesquecíveis. Aos 42 anos, após uma carreira no setor comercial, decidiu seguir a paixão que a acompanhava desde miúda e abrir um negócio próprio em Esposende: a Bosque Arte Floral. “Este projeto é o florescimento das sementes que lancei ao universo”, resume.
A loja, inaugurada há três anos, tornou-se um espaço criativo onde nascem ramos frescos únicos e arranjos de flores preservadas. Inês, porém, queria ir mais longe, encontrar uma forma de levar os seus bouquets para fora do horário comercial e disponibilizar flores frescas a qualquer hora do dia ou da noite. A inspiração chegou ao olhar para fora: cidades como Miami, Melbourne ou Varsóvia já tinham máquinas automáticas dedicadas a flores, e funcionavam com sucesso.
“Sou uma pessoa curiosa, atenta e sempre pronta a inovar. Quando percebi que este conceito ainda não existia em Portugal, decidi arriscar. Investiguei, troquei ideias com colegas de profissão e percebi que era o passo certo. Hoje, orgulha-me dizer que lançámos a primeira vending machine de flores do país”, partilha a fundadora.
O lançamento oficial aconteceu a 7 de setembro, em Esposende, mas o impacto chegou passados dois dias ao Porto, com duas máquinas instaladas no interior das estações de metro de Campanhã e do Estádio do Dragão, respetivamente. E não passou despercebida: trata-se de um serviço pioneiro e inovador que permite comprar flores frescas a qualquer momento, seja para surpreender alguém, celebrar uma data especial ou simplesmente alegrar o caminho para casa.
No Porto, a iniciativa conta com o apoio da florista local Fiori para, tal como acontece em Esposende, ter a facilidade de repor as flores frescas da máquina, bem como de levantar encomendas e pedidos personalizados.
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O funcionamento é simples. A máquina dispõe de oito compartimentos refrigerados, preparados para manter os ramos frescos e perfeitos até ao momento da compra. Cada bouquet é colocado em jarras com água, garantindo a sua durabilidade. “Todos os dias abastecemos a máquina com novas criações. Os ramos mudam constantemente para que haja sempre variedade e surpresa”, explica Inês. Os preços variam entre os 25€ e os 50€, havendo também trabalhos mais elaborados que podem surgir pontualmente.
Além das opções disponíveis, a máquina tem ainda uma funcionalidade extra: permite que clientes levantem encomendas personalizadas. “Se alguém encomendar um ramo connosco, pode depois levantá-lo na máquina através de um código. É rápido, prático e totalmente automatizado”, acrescenta. O pagamento é feito exclusivamente com cartão bancário, de forma simples e eficaz.
A experiência de compra procura replicar a magia que existe na loja física. “Embora a máquina seja mecânica, a essência do nosso trabalho está em cada ramo. As cores, as texturas e as combinações refletem a identidade de ambas as floristas — Bosque e Fiori —. Queremos que, ao abrir a porta da máquina e escolher um bouquet, o cliente sinta a mesma ligação que teria na loja”, afirma a florista.
O feedback não podia ter sido mais positivo. Nos primeiros dias, a procura foi tão grande que a equipa precisou de repor a máquina várias vezes. “As pessoas ficam surpreendidas e encantadas com a ideia. Muitos dizem que finalmente conseguem comprar flores fora de horas. Alguns clientes até brincam que já não há desculpa para os maridos chegarem a casa de mãos a abanar”, conta Inês, divertida.
Há histórias curiosas a surgir desde o primeiro dia. “Já tivemos pessoas a parar no caminho para um jantar e a comprar um ramo de última hora. Houve também quem usasse a máquina para um pedido de desculpas inesperado. Isso mostra que conseguimos trazer as flores para o quotidiano, para os pequenos gestos espontâneos”, partilha a fundadora.
O design elegante da máquina contribui para a surpresa, integrando-se bem no espaço urbano e tornando-se quase uma instalação artística. Mas o verdadeiro impacto está na forma como democratiza o acesso às flores. “Quero que oferecer flores seja visto como algo natural, do dia a dia. Um carinho que podemos fazer para nós próprios ou para quem gostamos, sem precisar de uma data especial”, reforça Inês.
Com o sucesso da estreia, o Bosque Arte Floral já prepara a expansão. Estão previstos novos pontos em cidades como Braga, Guimarães, Lisboa, Algarve e, em breve, Barcelos. “Não temos dúvidas de que esta ideia vai florescer por todo o país. Queremos que as máquinas se tornem parte da vida urbana, tal como acontece noutros locais do mundo”, diz.
Além das flores frescas, o conceito poderá incluir também plantas ou flores preservadas, alargando as opções disponíveis. “Estamos a criar raízes para um futuro em que oferecer flores será cada vez mais fácil, acessível e natural”, conclui Inês Gomes.
Para já, o Porto pode orgulhar-se de acolher as primeiras máquinas do género em Portugal, que, em vez de snacks ou bebidas, distribuem beleza, — e prometem mudar a forma como os portugueses oferecem flores.
Carregue na galeria para ver mais imagens das novas vending machines, bem como de alguns dos arranjos que poderá encontrar em cada uma.

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