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Cabeleireiro, cultura e gastronomia: o novo conceito 3 em 1 do Porto é “para todos”

A Casa Odara é um refúgio para todas as pessoas celebrarem o seu verdadeiro ser a partir dos seus cabelos.
Uma casa aberta à cultura e à diversidade.

A área pedonal da Rua Mártires da Liberdade recebeu na passada terça-feira, 8 de agosto, um novo espaço que não só abriga um salão de cabeleireiro, como também um café e uma vasta programação cultural. A Casa Odara assume-se como um espaço múltiplo dedicado ao corpo, às artes e à gastronomia.

De modo abrangente e plural, esta nova casa apresenta-se como um reduto, uma pequena fortificação, dedicada à diversidade e à resistência, seja por meio do enfoque em cabelos naturais e colorações artísticas ou pelo trabalho de artistas imigrantes, LGBTQIA+, pautas feministas e antirracistas. O projeto foi idealizado por um coletivo de mulheres imigrantes que se juntaram para dar corpo — e vida — ao espaço. À frente da equipa está Gabriela Barbosa, que conta com uma experiência de dez anos a tratar de cabelos naturais, em colaboração com Janaína Kruger, gestora administrativa da Casa Odara.

Em conversa com a New in Porto, em nome de toda a equipa, Gabriela Barbosa admitiu sentir falta de um espaço que não tivesse tantas regras. “Um cabeleireiro deve sentir-se livre para fazer um bom trabalho. Um cabeleireiro é como um artista, deve ter liberdade para a criatividade fluir. Pessoalmente, acredito que só sentindo-me livre para ser eu própria é que consigo atender as pessoas como se estivessem em casa”, explicou.

Gabriela chegou há seis anos e meio a Portugal e é considerada uma das principais referências no País quanto ao corte e tratamento de cabelos naturais. Apresenta-se como uma verdadeira artista de cabelos e inspirou-se no espaço Circus Hair, onde trabalhou durante dois anos no Brasil antes de aterrar em solo lusitano. 

“Inspirei-me no ambiente de trabalho do Circus para criar o meu espaço cá na cidade. Além dos produtos e serviços relacionados com o salão, também expunham e vendiam peças de arte e frequentemente apoiavam e cediam o espaço para os mais diversos espetáculos culturais. Aliás, no mês de junho, recebiam imensos eventos ligados à pegada gay. Sempre tive um fascínio por esse espaço e foi isso que quis trazer à Odara”, admitiu.

Inspiradas na música de Caetano Veloso (1977), o nome Casa Odara “evoca a beleza e a festa tropicalista que convoca Odara como estado de espírito, qualidade de um corpo que canta e dança, que sonha e reluz”, lê-se em comunicado. Além disso, “Odara” é um termo indu que significa paz e tranquilidade e que foi absorvido pelo povo africano para evocar a beleza natural. Sob este mote, nasceu a Casa Odara no coração do Porto, um espaço que celebra o encontro, o prazer, a diversão como formas de empoderamento e resistência. 

“Odara é identidade, é proteção, é caminho, corpo vivo e pulsante. Isso tudo dentro de uma casa-aconchego, um refúgio para a diversidade e o culto às artes”, afirmou a responsável do espaço. Assim, a Casa Odara afirma-se como um espaço aberto a todas as pessoas independentemente da sua origem, orientação sexual, cultura, raça, ideologia política. O único requisito pedido é identificar-se e sentir-se confortável neste refúgio, e fazer dele, a sua segunda casa.

Gabriela Barbosa, uma das sócias do salão e a principal estilista.

Como foi referido anteriormente, o projeto foi idealizado por um coletivo de mulheres, que se juntaram a Gabriela Barbosa e a Janaína Kruger para desenhar o conceito. Em apenas 20 dias, conseguiram o local, meteram mãos à obra e trabalharam para construir a identidade da Casa Odara, onde todas as pessoas são aceites.

Entre a equipa, destacam-se Gabriela Carvalho, gestora cultural do espaço. Karina Ramos, pesquisadora e chef especializada em alimentação afrodiaspórica (fusão da gastronomia africana e brasileira). Já a colaboração criativa para o design e construção da identidade da marca ficou a cargo de Ana Siqueira, Karla Ruas e Nicolle Gaioka, o projeto de arquitetura e paisagismo é da autoria de Nicolle Gaioka, a fotografia está nas mãos de Kamilla Nostt e o Bloomy Studio e por detrás das redes sociais encontra-se Bruna Marconi.

Quanto à Casa, apresenta-se como um refúgio, onde o seu cabelo será tratado, a sua cultura expandida e a sua identidade aceite. Os tons terra, verde, terracota, a escolha da decoração e as cerca de 40 plantas que abraçam o espaço, remetem para aquela ideia de raiz sobre a qual Odara se define.

Por outro lado, a agenda cultural é outro dos pontos fortes do espaço. Pode visitar a exposição “Qualquer coisa que se sonhara”, que apresenta o trabalho das artistas Karla Ruas, Najla Leroy e do artista Samuel Wenceslau, com a curadoria de Gabriela Carvalho. A mostra é composta por obras em diferentes formatos que traçam um paralelo entre o corpo e os vegetais, a partir de raízes reais, evocando a ideia de ancestralidade. Todavia, os planos da equipa não ficam só por aqui. Dentro de algumas semanas, também estará disponível um espaço de café no primeiro andar, assim como se dará continuidade à programação cultural com grupos de leitura, workshops, concertos com DJ ao vivo como foi o caso da apresentação de Pati Sol no espaço, debates, exposições e um estúdio para gravar pocket show, como foi o caso de Michele Mara. É importante destacar que a equipa disponibiliza o espaço para ser utilizado para fins de gravação, mas quem o fizer deve trazer consigo o equipamento.

No rés-do-chão, encontra-se então o salão de cabeleireiro, que conta com uma equipa de quatro pessoas, incluindo Gabriela Barbosa, que se apoia nos técnicos de cabelo John Kennedy, com uma vasta experiência em cabelos com curvaturas e tratamentos naturais, Sabrina Manis que conta com uma formação sólida em cabelos cacheados e crespos e Maria Aparecida e a Rute, assistentes que demonstram uma grande paixão pelos cabelos naturais.

O espaço encontra-se aberto de terça a sábado, entre as 10 e as 18 horas e já está a receber marcações. Para agendamentos, visitas e consultar a programação cultural do espaço, basta estar atento às redes sociais ou entrar em contacto pelo email cultura.casaodara@nullgmail.com.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Mártires da Liberdade, 126
    4050-359 Porto
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 10h às 18h

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