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Dom Luís: a nova barbearia de Campanhã nasceu de uma história de amor

Após sete anos entre Coimbra e Montalegre, o barbeiro de 30 anos trouxe a Dom Luís para a Rua do Freixo.

Há 12 anos, Inês Brito entrou num bar de Montalegre durante uma visita de fim de semana. José Lopes estava a trabalhar atrás do balcão e os dois conheceram-se nessa noite. O encontro acabaria por levar o barbeiro, hoje com 30 anos, até à Rua do Freixo, no Porto, onde abriu, a 31 de agosto, um novo capítulo da Dom Luís Barbearia.

José nasceu em Coimbra, mas tinha cerca de três anos quando se mudou para Montalegre, terra de origem do pai. Cresceu em Trás-os-Montes e regressou mais tarde à cidade natal para tirar o curso de barbeiro, influenciado por um amigo que já trabalhava na área.

A ideia inicial era trabalharem juntos, embora a diferença de idades, cerca de 12 ou 13 anos, significasse que o amigo já tinha uma carreira estabelecida quando José terminou a formação. Cada um seguiu o seu percurso e o jovem barbeiro avançou sozinho. Abriu a primeira barbearia em Coimbra, onde viveu durante aproximadamente quatro anos, antes de regressar a Montalegre.

“Depois surgiu a oportunidade de voltar para a minha terra. Passei a barbearia de Coimbra e abri em Montalegre”, conta à NiB. Foi lá que trabalhou durante os últimos cinco anos, construiu uma carteira regular de clientes e alcançou a estabilidade que muitos profissionais procuram quando criam o próprio negócio.

Essa segurança começou a pesar. “Sentia-me estagnado. Cheguei àquele ponto em que precisava de sair para perceber se conseguia construir aquilo que realmente sempre quis”, explica. A vontade de se desafiar coincidiu com a necessidade de tomar uma decisão na relação com Inês.

Os dois mantiveram-se juntos ao longo de 12 anos, mas a distância marcou cerca de quatro deles, quando José regressou a Montalegre e a companheira permaneceu na região do Porto. Conheceram-se na vila, mas foi na cidade natal dela que decidiram tentar construir uma vida em comum. “Um de nós tinha de se mudar, porque a distância sempre foi um entrave na nossa relação. Este ano decidimos tentar uma última vez e eu acabei por vir para o Porto.”

A mudança trouxe ainda outra novidade: o casal descobriu que vai ser pai. Entre uma nova cidade, uma casa partilhada, a preparação da barbearia e a chegada do primeiro filho, os últimos meses foram aquilo a que José chama “um turbilhão de emoções”.

O processo ganhou contornos ainda mais imprevisíveis em julho. Durante um jogo de padel, uma raquete acertou-lhe na mão dominante e partiu-lhe um dedo. O plano inicial era mudar-se apenas em setembro, mas a lesão impediu-o de trabalhar durante cerca de dois meses e antecipou a ida para o Porto. Nessa altura, o casal já tinha garantido, desde junho, a loja onde iria instalar a barbearia.

Ficar sem trabalhar em plena época alta de Montalegre, durante julho e agosto, retirou ao projeto uma importante fonte de rendimento. Ao mesmo tempo, a pausa forçada deu-lhes mais disponibilidade para preparar o espaço. “Conseguimos pensar em tudo com mais tempo e ao pormenor. Foi difícil não ter dinheiro a entrar numa fase de tanto investimento, mas tudo se faz.”

A Dom Luís Barbearia abriu no final de agosto, em Campanhã. A escolha da zona não estava definida à partida. Como ainda conhecia pouco da cidade, José visitou lojas em diferentes pontos do Porto e conversou com outros profissionais para perceber onde poderia encontrar público.

Foi o próprio espaço que acabou por resolver a dúvida. Com cerca de 60 metros quadrados, paredes de pedra e vigas de madeira no teto, afastava-se das lojas comerciais de paredes brancas que o casal imaginava encontrar. “Ficámos encantados. Já estive em imensas barbearias e nunca tinha visto nenhuma com esta estética.”

Em vez de alterarem a estrutura, decidiram preservá-la e trabalhar a decoração a partir dos materiais existentes. A escolha ficou sobretudo nas mãos de Inês, de 35 anos, que trabalha como comercial têxtil e contacta com clientes internacionais, incluindo marcas de luxo.

“Tenho sorte na mulher que tenho, porque ela pensa muito mais do que eu na parte de montar um espaço”, admite José. A companheira definiu a combinação de castanhos e pretos, escolheu o mobiliário, as cadeiras, a música e as plantas naturais. Também pensou na disposição dos objetos e na forma como cada elemento poderia influenciar a permanência do cliente. José ficou responsável pela operação e pela gestão financeira.

 
 
 
 
 
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A pedra clara domina as paredes, enquanto a madeira aparece no teto, nas escadas, nas prateleiras e no mobiliário. As cadeiras castanhas, com estrutura preta, acompanham os tons naturais do edifício. Plantas, espelhos altos, iluminação quente e uma estante metálica com produtos completam uma decoração simples, sem os símbolos mais previsíveis das barbearias tradicionais.

A experiência também foi pensada para quem acompanha o cliente. Há café e água, livros para folhear durante a espera e música ambiente. José preferiu não servir bebidas alcoólicas, para manter o espaço tranquilo e evitar o ruído que por vezes se cria em estabelecimentos maiores. “Gosto que o cliente entre e se sinta em casa. Não quero pessoas à espera, desconfortáveis ou com demasiado barulho à volta.”

Por enquanto, trabalha sozinho e concentra a carta nos cuidados que consegue acompanhar com atenção. O corte de cabelo custa 16€, enquanto o corte à máquina com pente único, sem degradê, fica por 13€. A combinação de cabelo e barba custa 25€ e, acrescentando as sobrancelhas, o preço sobe para 28€. O corte com tratamento de sobrancelhas custa 20€.

A barba completa fica por 10€ e o acerto dos contornos custa 8€. José fez ainda uma formação em depilação de sobrancelhas com linha, serviço que pode ser acrescentado por cerca de 3€ a 4€. “Não quisemos colocar dezenas de serviços e depois não conseguir acompanhá-los. Preferimos fazer bem aquilo que consideramos essencial.” Os preços foram definidos para acompanhar a média praticada na cidade. “Também não quisemos ser uma barbearia inacessível. Queremos criar condições para que diferentes pessoas possam vir”, acrescenta.

Para prolongar os cuidados em casa, a barbearia vende ceras, champôs, séruns, texturizadores e produtos para a barba. José trabalha com quatro marcas e seleciona aquilo que considera ser o ponto forte de cada uma. Entre as referências encontram-se produtos da Reuzel, Uppercut e Depot, algumas de empresas com as quais mantém uma relação profissional há sete ou oito anos.

As marcações podem ser feitas online, por telefone ou através das redes sociais. Nesta primeira fase, também é possível entrar sem reserva e ser atendido no momento ou pouco depois. A divulgação tem passado pelo Instagram, por cartões deixados em cafés e restaurantes, pelo contacto com o comércio local e até pela distribuição nas caixas de correio da vizinhança.

Alguns clientes que viviam no Porto e aproveitavam as visitas de fim de semana a Montalegre para cortar o cabelo já apareceram na nova loja. Agora, José procura conquistar os moradores de Campanhã sem transformar o atendimento numa linha de produção. “Não gosto de trabalhar em série. Quero ter tempo para perceber o que a pessoa procura e fazer o serviço com atenção.”

Carregue na galeria para conhecer a nova barbearia do Porto.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. do Freixo, 1789
    4300-208 Campanhã
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta-feira das 9h30 às 13h e das 14h às 19h
  • Sábado das 9h30 às 14h e das 14h às 16h

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