Os padrões étnicos nunca desaparecem completamente, mas há alturas em que voltam a ganhar força. A primavera costuma ser uma delas. Com o regresso das peças mais leves, reaparecem também os desenhos repetidos, inspirados em referências tradicionais de várias culturas, muitas vezes reinterpretados em versões mais simples e urbanas. É precisamente esse o ponto de partida do novo vestido da Two Olives. O modelo “etni”, disponível em rosa e amarelo, aposta num padrão gráfico repetido que remete para motivos tradicionais, formas orgânicas, simétricas e ritmadas, que criam continuidade ao longo de toda a peça.
Este tipo de padrão tem origem em diferentes culturas, sobretudo asiáticas, africanas e do Médio Oriente, onde os tecidos sempre tiveram um papel identitário forte. Ao longo das décadas, esses elementos foram sendo adaptados pela moda ocidental, sobretudo a partir dos anos 60 e 70, com o movimento boho e a valorização de referências artesanais. Hoje, regressam numa versão mais controlada. Menos improvisada e mais pensada. O vestido da Two Olives segue essa linha e mantém o impacto visual do padrão, mas aplica-o a uma silhueta estruturada.
O corte é, aliás, uma das chaves da peça. Os ombros com folhos criam volume na parte superior, enquanto a zona da cintura, marcada por franzido, ajuda a definir a forma do corpo. A saia em comprimento midi equilibra o conjunto e introduz movimento, sem perder estrutura.
A combinação entre padrão e construção não é por acaso. Enquanto o desenho repetido pode, por si só, pesar visualmente, a cintura marcada quebra essa continuidade e cria proporção. É isso que faz com que o vestido funcione melhor no corpo e não pareça apenas uma peça ampla.
Feito em algodão, mantém também uma componente prática. É leve, respirável e pensado para uso prolongado, o que o torna adequado para o dia a dia. Não exige muitas camadas nem styling complexo.

A peça integra a nova coleção da marca portuense Two Olives, criada em 2019 por Lia Retto e Nica Gomes Graça. O projeto nasceu de uma amizade e de várias tentativas até encontrar um posicionamento claro. “A nossa história não é linear, mas é honesta”, assumem.
Atualmente liderada por Lia Retto, a marca mantém o foco na versatilidade. “Continuo a acreditar que há um compromisso possível entre estilo e acessibilidade, entre o impulso do momento e aquilo que dura mais do que imaginamos”, explica.
Essa abordagem reflete-se nas coleções, pensadas para diferentes contextos. As peças não são desenhadas para uma única ocasião, mas para acompanhar vários momentos do dia, com pequenas adaptações. “Acredito no direito que todos temos de errar nas escolhas que fazemos, ainda que seja num vestido”, acrescenta.
O modelo “etni” segue essa lógica. Pode ser usado com sandálias rasas para um registo mais descontraído, com sandálias de salto para um jantar ou até com ténis, numa versão mais urbana. Nos dias mais frescos, funciona com um casaco de ganga ou uma peça neutra por cima.
A escolha entre as duas cores também muda o resultado final. O rosa é mais expressivo e assume-se como peça central. O amarelo, mais luminoso, aproxima-se de uma estética mais leve, associada aos dias de verão.
O vestido custa 49,90€ e está disponível online. As entregas demoram entre dois a seis dias úteis em Portugal e entre quatro a sete dias úteis para Espanha.
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