A paixão de Ana Teresa Tavares pelo trabalho manual e pela tradição portugueses deu origem à Loja da Saudade, um espaço que celebra o melhor do artesanato nacional. Jornalista de formação, Ana Teresa destacou-se no extinto jornal “24 Horas”, que encerrou em 2010. Com o nascimento dos filhos e a maternidade a tempo inteiro, surgiu a vontade de criar algo seu, que refletisse a cultura e a alma de Portugal. “Saudade é a palavra que define bem a nossa essência. E só a sentimos daquilo que é bom”, explica a fundadora.
O negócio nasceu no verão de 2021, no Mercado de Matosinhos, como um espaço dedicado a produtos genuinamente portugueses. Mais tarde, o conceito expandiu-se para a zona dos Clérigos, , onde Ana Teresa quis apostar tudo. “A partir do Porto, cidade mais antiga do país e berço do nome Portugal, sentimos que tudo é mais intenso. Esta é a loja onde se pode vestir, sentir e ver Portugal inteiro”, afirma.
O conceito evoluiu rapidamente para uma chapelaria de referência, sem nunca perder o contacto com outros artigos tradicionais: cerâmicas, cestaria, bordados, lençóis, lenços dos namorados, calçado e brinquedos típicos. “Os chapéus são apaixonantes. Além de úteis, são elegantes, distintos. Têm um sentimento de proteção e bem-estar, seja no frio ou no calor. Usar chapéu é também um forma de mostrar personalidade”, explica Ana Teresa.
A ligação aos chapéus é afetiva e familiar: pai, avós e bisavós usavam e produziam chapéus, preservando a tradição popular portuguesa. Grande parte da produção ocorre na região do Porto, reconhecida mundialmente pela qualidade e saber acumulado ao longo de gerações. “Os chapéus são feitos de afeto e saber, à mão, para se sentir. Usamos feltro de lã de merino, pelo de coelho, lebre ou castor, além de palha de artesãos de Fafe e, em casos especiais, chapéus Panamá de artesãos do Equador. Trabalhamos sempre com artigos genuínos e de qualidade premium”, detalha.

A produção é artesanal, com cuidado na seleção de tecidos e matérias-primas naturais — lã, algodão, linho e pêlo —, e atenção ao detalhe na escolha de fitas e forros, que são amigos do ambiente e evitam reações alérgicas. Cada peça é única e pensada para diferentes tamanhos de cabeça, resolvendo um problema comum: chapéus que não servem. “É frustrante ir a uma loja e só encontrar tamanho único. Aqui fazemos chapéus que falam com a pessoa, e falam mesmo!”, garante Ana Teresa.
Entre os clientes, há histórias que marcaram a loja. Um compositor e performer de Nova Iorque, cuja mãe fora chapeleira, visitou a loja e apaixonou-se por um chapéu que queria usar numa atuação numa igreja de Cedofeita, organizada pela Fundação de Serralves. “Ficou tão feliz que nos convidou para assistir ao espetáculo”, recorda. Outro episódio memorável envolve Risa e Sam, dois norte-americanos que agora vivem em Portugal e são fãs de chapéus. Sam prefere boinas e chapéus de lã, couro e juta; Risa usa chapéu de feltro todo o ano. Começaram como clientes e tornaram-se amigos, partilhando até uma noite de Natal com Ana Teresa e a equipa.
A loja também aposta em encomendas especiais para números menos comuns, tornando-se referência para clientes que não encontram chapéus à medida em lado nenhum. Os preços variam entre 41€ e 1200€, refletindo a qualidade e o trabalho artesanal de cada peça. “O nosso cliente tipo? Pode ser qualquer pessoa com atitude, mesmo que nunca tenha usado chapéu antes. Saem com um chapéu na cabeça e um sorriso no rosto”, diz Ana Teresa.
A decoração da loja no Porto reforça a tradição e autenticidade, com materiais naturais, cores quentes e uma disposição que valoriza cada peça. O ambiente de proximidade e afetividade foi pensado para proporcionar uma experiência de compra única.

A Loja da Saudade continua a evoluir, introduzindo novos padrões, modelos e acessórios — capas, lenços de pescoço, cachecóis e mantas. Um projeto recente inclui uma coleção inspirada nos trajes de Miranda do Douro, e outra nos lenços dos namorados de Viana e Guimarães, em algodão de alta contagem de fios. A ideia é crescer para novas cidades, mantendo sempre a qualidade, a autenticidade e a proximidade que definem a marca.
“A nossa aposta é sempre em artigos made in Portugal, com certificação de origem e genuinidade. Cada peça tem história e significado, proporcionando aos clientes uma experiência que ficará para a vida”, resume Ana Teresa. Para ela, a Loja da Saudade não é apenas um negócio: é um espaço de afetos, onde se celebra a cultura portuguesa e se cria uma ligação duradoura com cada visitante.







