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Nova coleção da portuense Coup d’État é inspirada no futebol

A colaboração da marca de roupa com o Leixões SC transforma mais de um século de história em peças de edição limitada.

Há histórias que dificilmente cabem dentro das quatro linhas de um campo de futebol. A do Leixões Sport Club é uma delas. O clube nasceu junto do mar, cresceu entre pescadores, estivadores e famílias do Porto a Matosinhos, e acabou por se tornar um símbolo de orgulho para várias gerações. Agora, quase 120 anos depois da fundação, essa identidade ganha uma nova forma de expressão: através de uma coleção de roupa que troca as bancadas pela rua sem perder a ligação às origens.

Foi precisamente esse o ponto de partida da nova colaboração entre a marca portuense Coup d’État e o Leixões SC, lançada a 16 de junho. Em vez de criar uma linha de merchandising tradicional, a etiqueta decidiu reinterpretar o universo do clube através da moda contemporânea, transformando referências históricas, visuais vintage e memórias coletivas em peças pensadas para serem usadas no dia a dia.

A parceria faz sentido quando se olha para o percurso da Coup d’État. A marca nasceu há pouco mais de um ano, pelas mãos de Edgar Ferreira e Guilherme Pinto de Oliveira, os fundadores do The Feeting Room e da LOT, dois espaços que se tornaram referências da moda independente no Porto. Depois de uma década a dar palco a dezenas de criadores nacionais e internacionais, decidiram lançar uma etiqueta própria, construída em torno da identidade portuguesa e da vontade de reinterpretar símbolos que fazem parte da memória coletiva.

“Não queremos apenas fazer roupa, queremos contar histórias, provocar conversas e reinterpretar símbolos com liberdade criativa. A Coup d’État é uma marca portuguesa, feita com alma, irreverência e com uma enorme vontade de celebrar aquilo que somos, com liberdade e originalidade”, defendem os fundadores.

Até o nome resulta dessa filosofia. “Coup d’État”, expressão francesa para “golpe de Estado”, foi escolhido como metáfora para uma mudança positiva e criativa. A inspiração surgiu de uma coincidência simbólica: a primeira loja The Feeting Room abriu a 25 de abril de 2015 e, dez anos depois, a marca estreou-se exatamente na mesma data, aproveitando o simbolismo da revolução portuguesa para defender uma nova forma de olhar para a portugalidade.

Desde o início que a etiqueta se apresenta como “born in Porto, made in Portugal”. Todas as peças são produzidas num raio inferior a 60 quilómetros da cidade, recorrendo a parceiros nacionais e privilegiando uma produção local, cuidada e de pequena escala.

Essa preocupação em contar histórias através do design já tinha sido evidente na coleção inaugural, inspirada no universo dos pescadores portugueses. Agora, a narrativa muda de cenário, mas mantém a mesma intenção: celebrar património, tradição e identidade sem cair na nostalgia.

 
 
 
 
 
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A escolha do Leixões surgiu de forma natural. “Representa um lado do futebol português que nos parece autêntico, visualmente rico e cheio de caráter, não apenas enquanto equipa, mas enquanto símbolo cultural”, explicam os autores.

“Quisemos olhar para o Leixões para além do campo, menos como merchandising tradicional e mais como uma forma de explorar aquilo que a cultura de clube pode representar hoje através da moda, da imagem e do storytelling.”

O Leixões é um dos maiores símbolos de Matosinhos, o que lhe valeu a alcunha de “Armada do Mar”. Ao longo de mais de um século, construiu uma história marcada pela resiliência, mas também por momentos inesquecíveis, como a conquista da Taça de Portugal, em 1961, contra o FC Porto, um feito que continua a ocupar um lugar especial na memória dos adeptos.

Foi esse espírito que a Coup d’État quis transportar para a coleção. Em vez de olhar para o clube apenas enquanto instituição desportiva, a marca decidiu explorar tudo aquilo que representa culturalmente: o orgulho local, o sentimento de pertença, a herança operária de Matosinhos e a estética crua dos antigos equipamentos de futebol português.

“Quando desenhámos esta coleção, quisemos homenagear um verdadeiro gigante do desporto português”, referem. “Para nós, a coleção Coup d’État x Leixões é mais do que roupa. É uma homenagem a mais de um século de legado, comunidade e cultura do futebol português, pensada para quem veste a sua história com orgulho.”

A coleção recupera vários elementos visuais que fazem parte da identidade do Leixões, mas apresenta-os através de uma linguagem contemporânea. As tradicionais riscas vermelhas e brancas surgem reinterpretadas em camisolas de manga curta e manga comprida, enquanto os equipamentos de treino, sweatshirts, calças, casacos e acessórios mantêm uma estética minimalista, inspirada no vestuário desportivo do século XX.

Grande parte dessa inspiração nasceu da pesquisa realizada nos arquivos históricos do clube. Os fundadores procuraram recuperar a funcionalidade, os algodões pesados, a tipografia austera e a simplicidade dos antigos equipamentos, reinterpretando essas referências através de um guarda-roupa atual.

“Entrámos nos arquivos do Leixões e fomos imediatamente atraídos pela estética crua dos seus equipamentos vintage. O objetivo foi retirar o equipamento do estádio e integrá-lo naturalmente no quotidiano”, explica a marca.

A produção voltou a ficar em Portugal. Para esta coleção, a Coup d’État escolheu trabalhar com a Lacatoni, fabricante portuguesa especializada em equipamento desportivo, garantindo que todas as peças fossem produzidas localmente e mantendo a aposta na indústria nacional, um dos pilares da marca desde a sua criação.

Ao todo, a coleção integra dez peças. Entre os destaques estão duas versões da camisola clássica do Leixões, disponíveis por 90€ e 120€, bem como uma terceira interpretação, de manga comprida, por 95€. Há ainda uma camisola em vermelho sólido por 90€, inspirada em equipamentos vintage do clube.

A linha inclui também um fato de treino completo, composto por casaco (180€) e calças (120€), uma sweatshirt por 96€, um boné por 50€, uma bandana por 20€ e um lenço em seda por 35€. Todas as peças já podem ser adquiridas na loja online da marca, bem como nos espaços físicos do The Feeting Room, no Porto, e da LOT.

Visualmente, a campanha acompanha a mesma narrativa. As fotografias foram produzidas no Estádio do Mar e em vários locais emblemáticos de Matosinhos, cruzando diferentes gerações de adeptos, antigos equipamentos, objetos históricos e referências ligadas ao quotidiano da cidade. O vermelho dominante, as bancadas gastas, os corredores do estádio e até as mesas de café ajudam a construir uma narrativa que vai muito além da moda e procura retratar um modo de viver profundamente ligado à comunidade.

“Esta colaboração é muito mais do que vestuário. É um estudo de design e herança histórica. É sobre pegar nos fantasmas de 1961, no rugido do Estádio do Mar e no salitre da costa de Matosinhos, e tecê-los em algo inteiramente novo”, resume a marca. “

Tradição, orgulho e sentimento” são as três ideias que serviram de ponto de partida para todo o projeto.

Carregue na galeria para conhecer as peças desta nova coleção da Coup d’État.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Largo dos Lóios, 86
    4050-338 Baixa
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 10h às 20h

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