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NOVA: o novo estúdio no Porto dedicado apenas aos piercings

Abriu a 30 de novembro no centro do Porto e junta ear styling, joalharia e uma equipa só de mulheres, com perfurações desde 30€.

Durante muitos anos, a arte dos piercings viveu sob a sombra das tatuagens. Quem queria fazer um furo acabava quase sempre num estúdio de tatuagens, mesmo quando procurava aconselhamento específico e diferente tipo de joias. A NOVA, um novo estúdio dedicado apenas aos piercings, abriu a 30 de novembro no Porto sob essa mesma ideia. “O piercing não precisa de estar mais na sombra da tatuagem”, afirma a fundadora Rita Cabral.

Natural de Coimbra e agora com 30 anos, Rita começou a trabalhar nesta área em 2016, em Aveiro, numa espécie de primeiro passo para chegar ao estatuto de tatuadora. “Perguntaram-me: porque é que não vais aprendendo a fazer uns piercings também para ganhar uns trocos. Na altura a profissão era altamente desvalorizada”, recorda. O interesse surgiu três anos depois, já no Porto, quando recebeu a oportunidade de assumir o lugar de body piercer num estúdio.

“Não tinha carteira de clientes e já não fazia piercings há algum tempo. Aí sim, começou a paixão”, conta. Viu-se forçada a mudar o foco, a fazer formação, arranjar material de melhor qualidade, encontrar fornecedores e tempo para o trabalho invisível. “O body piercing não é só fazer furos. Há limpeza, biossegurança, pesquisa de fornecedores, inventário.”

A agenda cresceu e, com ela, veio o cansaço. “Dava por mim a ficar no estúdio até às 10, 11 da noite só a limpar material e a tratar de tudo.” Em 2021 conheceu a Beatriz num estúdio, que se tornou a sua primeira aprendiz. “A NOVA não existia se a Bia não estivesse ao meu lado”, afirma. A dupla abriu em 2021 um espaço pequeno, apenas com marcações, até perceber que isso as fazia perder parte do público. Muitos entravam só para comprar uma nova joia. Outros queriam fazer algo no impulso do momento e não queriam esperar por uma vaga na agenda. “Rejeitávamos muita gente e percebemos que isso era uma oportunidade.”

O “achado” surgiu no verão do ano passado, com a possibilidade de ter um estúdio novo, maior, no centro. A NOVA fica na Rua Adolfo Casais Monteiro, perto da zona dos Clérigos e da vida noturna que também alimenta a procura. Funciona de terça-feira a sábado e aceita walk-ins, além do atendimento por marcação. A estética segue um registo limpo e discreto, com foco na experiência dentro do espaço. “Queremos um sítio onde o cliente se sinta integrado e acolhido”, explicam.

Com o estúdio maior, a equipa cresceu. Além de Rita e Bia, entrou Carmen, conhecida como Maui, para alargar o tipo de serviço. “Eu e a Bia somos muito especializadas no ear styling, em coisinhas mais delicadas e minimalistas. Mas se vamos abrir um estúdio de piercing no Porto, temos de abranger tudo.” É aqui que entram os piercings de grande calibre, os íntimos, a anodização e uma abordagem mais alternativa. Para a linha da frente e gestão da loja, entrou Jéssica, amiga e antiga cliente. “Eu queria um shop manager para receber os clientes, mas também para criar conteúdo”, explica Rita, sublinhando a formação de Jéssica em fotografia.

O conceito da NOVA passa por personalização e “harmonização”, palavra que se repete no discurso da fundadora. O cliente pode chegar com uma ideia definida, mas também pode chegar sem saber o que quer. “Muitos mandam inspirações ou dizem: ‘quero fazer algo, mas não sei bem o quê’. Por mensagens, muita coisa fica perdida. Somos muito apologistas do cara a cara.” A partir daí, entram a anatomia, o estilo e a joalharia disponível. “Gostamos de criar esta harmonização entre joias, gosto do cliente e anatomia. O objetivo é criar um projeto único.”

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A NOVA Piercing aposta numa estética limpa e minimalista, marcada por tons neutros, madeira clara e detalhes em vermelho-escuro que aquecem o ambiente. As vitrines exibem as peças de joalharia de forma organizada e iluminada, reforçando a sensação de cuidado e precisão associada ao trabalho técnico do piercing.

Quanto à zona de procedimento, segue a mesma lógica de simplicidade e higiene visual, com iluminação direta, superfícies desimpedidas e materiais preparados para garantir segurança e conforto durante o atendimento. Já a área de espera foi pensada como um espaço tranquilo, com cadeiras leves, mesa de apoio e elementos decorativos discretos que criam um ambiente calmo antes do serviço.

O estúdio trabalha com titânio grau de implante e com ouro (amarelo, branco e rose gold), materiais escolhidos pela compatibilidade e pela procura de um resultado mais duradouro. Rita diz que a equipa usa fornecedores certificados pela APP (Associação de Piercers Profissionais) e segue padrões exigentes de limpeza e biossegurança. “Não acho que isto devesse distinguir-nos, porque toda a gente devia trabalhar assim, mas seguimos padrões de higiene muito elevados.”

A NOVA quer ser um apoio para todos, para quem faz o primeiro furo, quem já tem vários e quer um “make over”, quem precisa de corrigir piercings antigos que não cicatrizaram bem ou ficaram mal colocados. Também vende joalharia e atende clientes que entram apenas para escolher uma peça. Em termos de preços, a equipa prefere não fixar uma lista de escolhas rígidas, porque tudo depende da joia e do tipo de perfuração. Ainda assim, Rita aponta um valor médio. “Em média, uma perfuração fica a 30€”, nota, apesar de avisar que não não querem “ser um espaço low cost”. “Usamos os melhores materiais e fornecedores. O foco é a experiência do cliente — não é só um furo.”

Esse posicionamento é também uma resposta ao que considera ser um problema do setor, marcado por “profissionais sem preparação e decisões tomadas apenas pelo preço”. Rita defende que o piercing exige aprendizagem contínua e que a margem de erro é real. “A probabilidade de infeções é elevada e não podemos brincar com o corpo das pessoas”, diz, explicando porque pondera dar formações no futuro, mas sem vender a ideia de resultados rápidos. “Não é por fazermos uma formação de duas semanas ou um mês que já somos pros.”

Para já, o plano passa por consolidar o estúdio que abriu no fim de 2025. Rita admite que os últimos dois anos foram intensos e que precisa de estabilizar a operação, com uma equipa maior e mais procura. A hipótese de uma segunda loja no Porto, ou noutra cidade, fica “para pensar mais tarde”. A prioridade, insiste, é afirmar a NOVA como um estúdio onde o piercing tem finalmente “o seu lugar”, com tempo, conversa, segurança e um serviço que não termina no momento do furo.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. de Adolfo Casais Monteiro, 37
    4050-014 Baixa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 11h às 19h

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