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Portugal Fashion: era vítima de bullying, agora é um ativista da moda

O jovem de 24 anos destacou-se no street style da semana da moda do Porto, através de um look sustentável.
Uma forma de expressão.

Costuma dizer-se que a moda é uma forma de expressão. João Cerqueira é fiel crente desta afirmação. Desde pequeno que se sente atraído pelo mundo da moda, uma espécie de escape do mundo real.

“Sempre fui colocado de parte por causa da minha sexualidade. Desde o quinto ano era insultado, nunca passou para uma agressão física. Na altura eu próprio não entendia também o que era uma pessoa homossexual e desde lá foi todo um processo trabalhar no meu amor próprio até ao dia de hoje”, conta João à NiP.

O jovem de 24 anos ainda admite ter tido fases onde receava expressar-se — através de certas roupas que gostaria de usar — por medo de ser “gozado” ou de que o bullying piorasse. A dada altura, João apercebeu-se de que as pessoas iriam sempre comentar sobre a sua aparência, por isso optou simplesmente pela felicidade.

“O que me ajudou muito na minha transição de ser uma pessoa mais confiante em mim próprio foi a moda, como poderia expressar-me através da minha roupa e isso fez com que a minha paixão por esta área aumentasse. Foi através da moda que eu consegui libertar-me e expressar-me. Levei essa lição para tudo o resto, desde que me assumi às minhas relações do dia a dia”, admite à New in Porto.

É neste sentido que o gestor de redes sociais marca presença nesta edição do Portugal Fashion, que terminou este sábado, 14 de outubro, no Museu do Carro Elétrico. House of Wildflowers, TJ Who, Nuno Miguel Ramos, Carolina Sobral, David Catalán, Miguel Vieira ou Huarte foram alguns dos principais nomes de designers que apresentaram as tendências para a primavera e o verão do próximo ano.

Embora as novas tendências vão de mãos dadas com os desfiles de moda, lá fora, entre o público, as próprias regras são ditadas pelo street style. E João aproveitou a ocasião para chamar à atenção sobre os tempos consumistas da nossa era e a importância do upcycling.

“Para hoje quis mesmo tentar aproveitar algo que já tivesse em casa. Vivemos numa sociedade muito consumista, então quis reaproveitar, fazer upcycling e reutilizar de forma diferentes peças que já tinha”, afirma o jovem criador de conteúdos.

E acresccenta: “Consumo moda diariamente, é o meu trabalho e tudo o que seja referência ou mesmo coisas não ligadas à moda eu guardo. Depois na hora de eventos ou ocasiões como o Portugal Fashion, escolho ideias com coisas que tenha em casa e possa reaproveitar”.

O look que João escolheu para o último dia do evento tem por base a cor prateada. Reaproveitou um casaco que desde “há imenso tempo” tinha no armário e nunca tinha utilizado, para conjugá-lo com umas calças, igualmente prateadas. Todavia, para ele, aquele complemento que dá destaque ao visual final é uma mala pequena de uma marca nova-iorquina.

“É de um small business (pequeno negócio) nova-iorquino que está em ascensão e neste tipo de ocasiões acho que também é importante investirmos e apoiarmos, claro, marcas conscientes que pratiquem simultaneamente uma produção e um consumo responsável”, conta à New in Porto.

 Além disso, João acredita que o upcycling ajuda a estilistas e não só a destacaram-se entre as outras pessoas, devido à felixibilidade em criar estilos e peças únicas. Vê ainda nesta técnica uma ferramenta para atingir certas tendências de uma forma mais económica e acessível, além de ser mais sustentável. 

“Para mim, o upcycling é importante porque incentiva a nossa criatividade e a forma como nos queremos apresentar ao mundo. Além, claro, da componente ecológica que nos permite dar uma segunda vida a peças que podiam não ser tão engraçadas ou que iriam ficar paradas no nosso armário”, comenta.

De seguida, carregue na galeria para ver mais pormenores do look sustentável escolhido por João Cerqueira.

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