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Wôdu Studio: o novo espaço criativo do Porto com workshops de costura

Após anos entre desfiles e São Tomé e Príncipe, a criadora da SAYMYNAME, Catarina Sequeira, abriu um atelier de partilha.

A história de Catarina Sequeira sempre se escreveu entre linhas, tecidos e memórias. Natural de Leiria, percebeu cedo que queria ser estilista. Ainda miúda, cosia vestidos para as bonecas com retalhos que lhe chegavam às mãos e, aos 15 anos, recebeu da mãe a primeira máquina de costura. “Comecei aí a fazer peças para mim e para as minhas amigas. Não me lembro de alguma vez querer outra coisa que não este mundo da moda e do design”, recorda.

Aos 17 anos, mudou-se para o Porto para estudar Design de Moda e encontrou o lugar onde queria ficar. Trabalhou com marcas francesas de streetwear e, mais tarde, integrou a equipa de Luís Buchinho durante quase uma década. Mas a vontade de criar algo seu falou mais alto. Lançou a SAYMYNAME e tornou-se presença assídua na ModaLisboa, e em espaços multimarca na Ásia e na Europa. Em 2015, abriu a loja oficial da marca que criou e, nesse mesmo ano, foi distinguida com o Mediterranean Fashion Prize, um reconhecimento internacional que consolidou a sua carreira.

Apesar do sucesso, Catarina queria mais do que coleções e passarelas. Aceitou o desafio de regressar à Escola de Moda do Porto como formadora e começou a partilhar com as novas gerações aquilo que aprendera. Pouco depois, decidiu largar tudo e rumar a um destino inesperado: África.

“Precisava fazer uma pausa. O ritmo estava insustentável e percebi que tinha de me afastar. Fiz as malas para seis meses e fui para São Tomé e Príncipe”, conta. A viagem acabou por se transformar numa estadia de vários anos, marcada por uma ligação profunda às pessoas e à cultura local. “O ritmo mais leve, a simplicidade dos dias e a generosidade das gentes da ilha conquistaram-me. Foi ali que percebi o valor do essencial.”

wôdu studio
Catarina em São Tomé e Príncipe.

Em São Tomé, Catarina tornou-se líder de viagens e assumiu o cargo de diretora criativa da Fundação da Criança e Juventude. Criou uma oficina de artes e costura para miúdos e jovens dos seis aos 17 anos, onde estimulava a criatividade deles através do desenho, dos bordado e outros trabalhos manuais. “Uma das memórias mais bonitas que tenho foi quando fizemos postais de Natal e os vendemos para angariar fundos. Com esse dinheiro, organizamos uma excursão à Bienal de Arte e Cultura. Foi emocionante vê-los acreditar que alguém valorizava aquilo que tinham criado.”

A experiência reforçou uma ideia que sempre a guiou: a criatividade existe em toda a parte, basta ser despertada. O regresso ao Porto aconteceu quase por acaso.

“Não estava nos meus planos voltar tão cedo, mas a saudade da família e dos amigos, a vontade de criar novos projetos e de viajar com mais facilidade pesaram na decisão.” Ao mesmo tempo, surgiu a oportunidade de integrar um espaço partilhado com outros artistas na Rua de Costa Cabral. “Percebi que podia recriar, aqui, algo muito próximo do que fazia em São Tomé — só que com adultos e, desta vez, como profissão [risos].”

Nascia assim o WÔDU.STUDIO, um atelier criativo onde a costura e o design se tornam acessíveis a todos, aberto desde o passado 6 de setembro. “Quero mostrar que a costura não é antiquada ou aborrecida. Pode ser divertida, terapêutica e até uma forma de expressão pessoal”, sublinha.

O atelier funciona como uma tela em branco. Um dia, as paredes podem estar cobertas de desenhos criativos, no seguinte transformam-se em montra de peças produzidas nas oficinas. O ambiente é descontraído, pensado para acolher tanto iniciantes como quem já tem experiência.

Cada workshop tem a duração de três horas, e reúne até 12 pessoas. O custo é de 30€ por participante, com todos os materiais incluídos. “É uma experiência aberta a toda a gente, independentemente da idade ou da experiência. Já tive participantes que nunca tinham pegado numa agulha e saíram surpreendidos com o que conseguiram criar”, afirma Catarina.

Além das sessões avulsas, o espaço disponibiliza vouchers-presente com validade de um ano, ideais para oferecer a alguém especial que adore experimentar coisas novas. Em breve, chegarão também os cursos imersivos, focados no desenvolvimento de coleções e no lançamento profissional de marcas — uma partilha direta do know-how que Catarina acumulou ao longo de mais de 20 anos de carreira.

wôdu studio
Um dos primeiros workshops no Wôdu Studio.

A nova temporada de workshops arrancou a 6 setembro: os próximos, entitulados Mini Rug Loom, estão marcados para 16 e 31 de outubro, das 15 às 18 horas). Dia 18, é a vez do My Embroidered Face, no mesmo horário. A 26 de outubro, está marcado das 17 às 20 horas, o workshop de Upcycling Basked. Já no dia 25, é a vez da oficina Let’s Have a Pattern.

Cada oficina no WÔDU.STUDIO tem uma proposta distinta. No Mini Rug Loom, os participantes aprendem a usar um tear manual para criar tapetes, bases de mesa ou peças decorativas. O My Embroidered Face convida a transformar uma fotografia pessoal num autorretrato bordado, cheio de cor e expressão. O Upcycling Basket ensina a dar nova vida a tecidos esquecidos, criando cestos ou vasos únicos. Já no Let’s Have a Pattern, o ponto de partida é um grande pano coletivo, que cada participante leva para casa parcialmente bordado, transformando-o num estampado exclusivo.

Apesar do regresso, Catarina continua ligada a África através do projeto Viaja com Wôdu, no qual lidera viagens a São Tomé e Príncipe, Gana, Togo e Benim. “Acredito muito na importância de conhecer estes lugares de forma respeitosa e sustentável, valorizando as tradições e as pessoas que nos recebem”, explica.

É essa fusão entre moda, viagens e partilha que marca a nova etapa da criadora. “Quero que cada pessoa que entra no WÔDU.STUDIO saia com algo feito por si, mas também com vontade de voltar. Aqui não há julgamentos, apenas criatividade e três horas bem passadas.”

Carregue na galeria para ver mais imagens do espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de Costa Cabral, 622
    4200-211 Paranhos
  • HORÁRIO
  • Sob marcação

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