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Ameaça de chuva não abalou os fãs de Lana del Rey: o segundo dia do Primavera Sound

A artista norte-americana deu um concerto de hora e meia. Será, provavelmente, o melhor concerto do festival do Porto.
As emoções estiveram ao rubro com a Lana del Rey. Foto: Primavera Sound.

Apesar dos alertas sobre o mau tempo, no segundo dia do Primavera Sound Porto o público compareceu em peso. A chuva constante e trovões marcaram a tarde desta sexta-feira, 7 de junho, mas assim que as portas do recinto abriram (às 16 horas), os fãs acorreram ao Palco Principal. Estavam ávidos por garantir um lugar para assistir ao concerto de Lana del Rey, marcado para as 23h15.

A meteorologia não colaborava, mas não demoveu a fé dos fanáticos que pareciam acreditar que “concerto molhado, é concerto abençoado”. Cinco anos após o seu último concerto em Portugal, a cantora norte-americana foi recebida com euforia pelo público.

Lana del Rey respondeu na mesma medida. Poucos minutos depois da hora marcada, subiu ao palco, doce e confiante. A doçura da sua presença foi notada por todos quando os primeiros acordes de “Without You” começaram a ecoar. O cenário era teatral, assemelhando-se a um jardim paradisíaco, com varandas, balanços e vegetação decorando o espaço entre os instrumentos.

A artista, natural de Brooklyn, apareceu com um vestido bege com brilhantes, botas cowboy e o seu penteado característico dos anos 1960. O desfile de canções começou com “West Coast” e “Doin’ Time” e seguiu-se um alinhamento que percorreu todos os seus discos, intercalando o passado e o presente. Como não poderia deixar de ser, o êxito “Summertime Sadness” não ficou de fora.

Sempre imersa no seu mundo, onde reina a estética vintage e mantendo-se fiel à sua persona divina, a cantora mergulhou a seguir em temas como “Cherry”, “Pretty When You Cry” e “Ride”. Durante os últimos versos de “Born To Die” ocorreu o primeiro grande momento do concerto — e provavelmente o mais marcante. Lana desceu até o público, recolheu presentes, distribuiu abraços e até tirou selfies.

De volta às canções, seguiram-se “Bartender”, “Chemtrails Over the Country Club”, “The Grants”, “Did you know that there’s a tunnel under Ocean Blvd”, “Norman fucking Rockwell”, “Arcadia”, “Video Games”, “hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but I”, “have it”, “A&W”. O final majestoso do concerto veio com “Young and Beautiful”, acompanhado por um ruidoso coro de vozes. Lana del Rey, comovida, agradeceu.

Com a sua voz e olhar fortes, suaves e doces movimentos, e um alinhamento certeiro repleto de sucessos, Lana del Rey deu um concerto de hora e meia, — que será, provavelmente, o melhor desta edição do Primavera Sound. 

O ponto alto proporcionado pela norte-americana contrasta com o baque sentido do outro lado do recinto: os concertos agendados para esta sexta-feira, 7 de junho, no Palco Vodafone foram cancelados devido a problemas com a montagem da infraestrutura. “Infelizmente, todos os concertos previstos para hoje no Palco Vodafone foram cancelados. Justice, The Legendary Tigerman e Classe Crua não irão atuar”, adiantou organização do festival nas redes sociais.

“Devido a problemas técnicos imprevistos e fora do nosso controlo, os Justice não poderão atuar esta noite no Primavera Sound Porto. Apesar dos melhores esforços da nossa equipa e do festival, estes problemas impedem-nos de realizar o espetáculo como planeado”, acrescentou a dupla francesa, citada pela promotora Ritmos.

Ao final da tarde, chegou uma boa surpresa ao palco principal do Primavera, com a atuação das The Last Dinner Party, que conquistaram novos fãs e reforçaram elogios de quem já as conhecia. O quinteto feminino, que nasceu durante a pandemia, editou o álbum “Prelude To Ecstasy” em fevereiro e foi esse o mote para o concerto do segundo dia do festival. 

O grupo feminino britânico veio para reforçar porque detém o estatuto de novo hype da cena dita alternativa. Outro destaque do dia foi o concerto de Milhanas, que teve a responsabilidade de inaugurar o Palco Porto, onde iria atuar Lana del Rey. O mau tempo não desanimou a jovem artista nem o público que já lá estava à espera da norte-americana.

“Gostei muito, foi, sem sombra de dúvidas, o meu concerto favorito até hoje”, afirmou a artista no fim do concerto. Samuel Úria atuou pelas 18h35 no Palco Super Bock, onde pôs à prova algumas músicas do novo álbum que está a preparar, mas ainda sem data de lançamento.

Este sábado, 8 de junho, Pulp e The National estão encarregues de encerrar o terceiro e último dia do Primavera Sound Porto. Outro dos destaques deste sábado será a homenagem ao músico e produtor norte-americano Steve Albini, que participou em todas as edições do festival com Shellac e que morreu no passado dia 8 de maio.

Ainda há bilhetes à venda online por 75€ mais taxas. O ingresso VIP custa 135€ mais taxas. A estação de metro de Matosinhos Sul é a mais próxima do Parque da Cidade do Porto.

Carregue na galeria para rever os melhores momentos do segundo dia do Primavera Sound Porto.

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