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Ao fim de dois anos, chegou o podcast de Meghan Markle — e está a ser arrasado

Os críticos apontam o dedo ao egocentrismo da ex-atriz, que fez uma nova confissão sobre as dificuldades da vida na família real.
Custou, mas o podcast finalmente chegou

“É uma parada de banalidades, coisas absurdas e chavões auto-elogiosos — com uma banda sonora de bom gosto”, escreve um dos críticos. “O efeito de toda a música cintilante e conversa insípida é o mesmo de estarmos trancados na sala de relaxamento de um spa com um instrutor de ioga egocêntrico.”

Seria difícil reunir maior consenso negativo sobre um trabalho, mas a verdade é que toda a antecipação que envolveu a estreia do podcast de Meghan Markle não jogou a favor da ex-atriz. Foi um parto difícil, aquele que nos trouxe, no dia 23 de agosto, o tão badalado podcast “Archetypes”. Toda esta história começou em 2021, quando Markle e o príncipe Harry, recém-escapados das teias da família real britânica, anunciaram uma parceria milionária com o Spotify.

Depois do Canadá, o casal mudou-se para Los Angeles e em março de 2021, apresentou a Archewell, uma fundação com um braço armado na área do entretenimento. A indústria mexeu-se para garantir acesso exclusivo e a Netflix fechou um acordo que, segundo o “The New York Times”, terá atingido os 100 milhões de euros.

No caso do Spotify, o valor rondaria os 20 milhões, com vista à produção de um podcast. A Archewell começou a ser construída. Foram anunciadas contratações, entre elas a da responsável pela comunicação do Pinterest e da Apple. Chegou até a ser publicada uma pequena introdução de dois minutos e um especial de Ano Novo com convidados famosos — e a estreia pública do pequeno Archie, que desejou a todos um “bom ano novo”. De lá para cá, um vazio total. Até agora.

No início de 2022, ainda em janeiro, noticiava-se que a Spotify, que pagara milhões pelo podcast de Markle, estava farta da demora. Quase um ano depois do anúncio, a Archewell continuava à procura de uma equipa que pudesse produzir o programa, com anúncios espalhados por diversas plataformas. Foi preciso esperar mais de meio ano, até que o primeiro episódio do podcast fosse revelado ao público.

Eis que, a 23 de agosto, o podcast ganhou vida. Chamou-lhe Archetypes, palavra que tentou patentear em abril, apesar de se tratar de uma palavra do dicionário, usada há séculos na língua inglesa. Polémicas à parte, o primeiro episódio teve como convidada especial a tenista Serena Williams, bem como uma professora da universidade de Berkeley, especialista em assuntos do género no local de trabalho. Houve ainda tempo para uma breve aparição “surpresa” por parte do príncipe Harry. “Queres entrar e dizer olá?”, questionou Markle.

A receção previa-se encrispada, sobretudo no Reino Unido, onde Markle deixou poucos amigos, mas a generalidade da crítica é impiedosa. “O disparatado novo podcast da Duquesa de Sussex prometia ‘rasgar as caixas em que as mulheres têm sido colocadas há gerações’. Pelo que ouvimos no primeiro episódio, não irá fazer nada disso”, atira James Marriott, do “The Times”.

A conversa com uma das melhores tenistas da história do desporto focou-se na palavra ambição e, sobretudo, no retrato negativo feito a mulheres ambiciosas. Falou-se também sobre a vida da desportista depois do final da carreira e, inevitavelmente, Markle acabou por partilhar algumas histórias pessoas — uma delas que colocou em polvorosa a família real.

Tudo terá acontecido quando Archie tinha apenas pouco mais de quatro meses, numa viagem à África do Sul. O bebé foi deixado na residência e Markle partiu para um encontro oficial. “Estava de pé num tronco de uma árvore, a discursar para mulheres e raparigas. Quando terminei, entrámos no carro e dizem-me que houve um fogo na residência. Que tinha começado um incêndio no quarto do bebé”, contou.

“Voltámos para a Lauren, a nossa incrível ama, e ela estava em lágrimas. Ela deveria ter deitado o Archie para a sesta, mas decidiu ir primeiro trincar qualquer coisa no piso de baixo.” A ama tinha o hábito de transportar o bebé sempre consigo. “Foi quando o aquecedor no quarto pegou fogo e não havia qualquer detetor de incêndio. Foi quando perceberam que estava a arder e apagaram o fogo.”

Markle relatou o seu regresso, para encontrar toda a equipa em lágrimas e em stress. “E agora, o que era suposto nós fazermos? Sairmos e irmos para o evento oficial seguinte? Disse que isso não fazia qualquer sentido”, criticou.

A duquesa de Sussex diz que pediu que o incidente fosse tornado público, mas que o pedido foi recusado. “E tivemos que deixar o nosso bebé, apesar de nos terem mudado de casa. Tivemos que o deixar e viajar até ao outro compromisso oficial.” Serena comentou: “Eu não conseguiria ter feito isso. Teria recusado.” “Pois”, rematou Markle.

Fontes reais e especialistas notam que o casal teria sempre a decisão final sobre se teriam que ir ou não ao evento. Mas polémicas à parte, nem a revelação atenuou as críticas. Pelo contrário.

“Todas as mulheres têm ou já tiveram uma amiga como a Meghan: uma que se intromete em todos os relatos, com uma história pessoal — só que a sua é sempre mais longa e mais importante”, escreve Celia Walden, do “Daily Telegraph”.

“O Harry foi empurrado para os bastidores, para que Meghan possa concentrar-se a falar sobre si própria”, lê-se no “The Spectator”. “A primeira convidada é Serena Williams, mas os entusiastas do ténis que ouvirem o podcast podem ficar desapontados. O podcast é todo ele sobre a Meghan e demora cerca de 11 minutos até que Serena possa conseguir dar uma palavrinha nas margens [da conversa].”

Nem tudo são críticas negativas. Mesmo defraudando muitas das expectativas, as confissões de Meghan Markle são, para muitos, a prova de que a monarquia britânica tem um problema estrutural. “Quanto mais se ouve falar sobre a família real, mais claro parece que a monarquia não está a servir ninguém — nem mesmo a própria família. E pelo que se ouve no podcast, fica claro que Markle tomou a decisão acertada quando decidiu fugir.”

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