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Apostamos que vai ver o “Sozinho em Casa” pela 26.ª vez — a ciência explica porquê

Todos os anos há novidades, mas há clássicos que unem gerações e até acabam com discussões. O mesmo acontece com músicas.
Quem se recorda desta cena na loja dos brinquedos?

Por esta altura já devia estar cansado de ouvir “All I Want For Christmas”, de Mariah Carey e “Last Christmas”, dos Wham!. É em casa, nos centros comerciais, no carro, no trabalho — não há literalmente nenhum local onde esta banda sonora não passe. A isto juntam-se os filmes de Natal espalhados pela grelha televisiva nacional, ou no streaming, que não nos deixam outra hipótese a não ser ver novamente um daqueles clássicos. Parece que está tudo planeado para entrarmos no espírito e, mesmo assim, não nos cansámos.

Quando chega a noite de consoada, entre bacalhau, rabanadas e discussões familiares, o cenário tradicional só fica completo com uma das estórias que já vimos dezenas de vezes — não estamos a exagerar na frequência. O “Sozinho em Casa”, por exemplo, já passou nas estações generalistas da televisão portuguesa, pelo menos, em 25 ocasiões. Mas nesta altura, há outros nomes que não podem faltar. “Música no Coração”, “Frozen”, “Grinch”, “O Amor Acontece” ou a saga “Harry Potter” são apenas alguns deles.

Assim que se houve o genérico de uma destas produções, miúdos e adultos esquecem as possíveis tensões familiares e repetem em uníssono as melhores tiradas das personagens. Não há surpresas e os monstros já deixaram de ser assustadores. Porém, continuámos a vê-los com o mesmo entusiasmo. E, afinal, há mesmo uma explicação científica para esse comportamento.

Repetir determinados hábitos pode ser explicado por duas componentes: a procura do conforto emocional e sensação de nostalgia quando recordamos momentos de felicidade”, começa por explicar o psicólogo Paulo Dias à NiT.

Ouvir a mesma playlist todos os anos, ou fazer a mesma maratona de filmes, ajudam-nos a fazer uma viagem no tempo, que tem um impacto positivo no organismo.

“O cérebro tem um circuito de prazer e recompensa que ajuda a obter os neurotransmissores de dopamina”, refere o especialista. Fazer ou ver algo que gera emoções positivas exponencia os níveis da chamada “hormona da felicidade”. E ficamos automaticamente mais relaxados e motivados.

Besta altura do ano, em que “a magia anda no ar”, os efeitos são ainda mais notórios. Normalmente, estas tradições evocam memórias reconfortante. Ver novamente um daqueles filmes é um dos programas que facilmente reúne diferentes gerações — incluindo aqueles tios mais resmungões ou os avós que nem “ligam nada a essas coisas”.

Não há discussão familiar que sobreviva a uma das partidas do Kevin, ou às traquinices do monstro verde. Além disso, há uma sensação de pertença a um grupo, porque a maioria também vive a quadra com este espírito. Dificilmente haverá outra altura do ano em que se consiga o mesmo feito.

“A parte emocional é um fator importante na tomada de decisões. Neste caso, optamos por repetir as coisas muito pela nostalgia. Relacionámos determinadas tradições com a união e pela forma como nos sentimos anteriormente quando vimos aquele filme ou ouvimos a tal música.” Existe uma grande vontade de tentar recuperar essa sensação de conforto.

No caso da música, esta tem ainda outros benefícios associados, tanto “na perceção de bem-estar psicológico” como no “desempenho diário”. Pode mesmo funcionar como uma “estratégia de promoção de estados emocionais positivos” e auxiliar na gestão do stress, da ansiedade, ou da dor. Por isso, é natural que recorremos ao som que já sabemos que nos vai deixar mais felizes.

Carregue na galeria para conhecer as novas séries (e regressos) que chegaram em dezembro às plataformas de streaming e na televisão.

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