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ASSéDIO regressa ao Teatro Nacional São João com a peça “Terno e Cruel”

No ano em que completa 26 anos, a companhia portuense prepara-se para interpretar um texto do dramaturgo britânico, Martin Crimp.
É uma adaptação da obra do dramaturgo británico Martin Crimp.

Apesar do teatro ter tido as suas origens na cultura grega antiga, muitas das inspirações e adaptações vêm de dramaturgos britânicos e essa é a aposta da companhia portuense ASSéDIO para o seu regresso ao Teatro Nacional São João marcado para este mês. “Tenro e Cruel” é uma adaptação da tragédia de Sófocles, “As Traquínias”.

Quando, em tempos, pediram a Martin Crimp que se definisse a si próprio, o dramaturgo britânico respondeu: “Um dia, escrevi uma peça chamada ‘Terno e Cruel’”. Julga-se que se fosse pedido à ASSéDIO o mesmo exercício, talvez a resposta não andasse longe disto: “Um dia, criámos uma companhia que, em nove anos, montou seis espetáculos a partir de textos de Martin Crimp”. Uma relação tão longa, fiel e produtiva como a da ASSéDIO e Crimp não é algo comum de encontrar.

No ano em que assinala 26 anos, a companhia portuense regressa ao teatro do autor, com a encenação de “Terno e Cruel”. Trata-se de uma adaptação livre de “As Traquínias”, a tragédia “imperfeita” e menos conhecida de Sófocles, que une os destinos de Dejanira e Héracles. O dramaturgo britânico transpõe o mito para os nossos dias e para as consequências, tantas vezes desastrosas da chamada “guerra ao terrorismo”.

“Ao herói de escrúpulos ambíguos de Sófocles, auto-sacrificado no desfecho da peça como castigo pelas suas muitas transgressões, Crimp contrapõe um absoluto impenitente, produto perfeito do poder militarista que o sacrifica sem remorsos para se proteger. E à esposa da peça original, vítima relativamente inocente das suas circunstâncias e pouco capaz de agir para a elas se sobrepôr, Crimp oferece uma mulher dolorosamente consciente de quem é o marido e inabalável na sua recusa do papel de vítima. À conta do embate entre ambos, a tragédia de Sófocles transcende os seus moldes originários e chega em ‘Terno e Cruel’ mais relevante do que nunca antes visto”.

Esta sétima incursão da ASSéDIO pela obra de Martin Crimp resulta de uma coprodução com o Teatro Nacional São João. Com encenação de João Cardoso, a peça conta com as interpretações de Ângela Marques, Daniel Silva, Inês Afonso Cardoso, João Cardoso, João Castro, Lé Baldé, Luísa Guerra, Pedro Galiza, Pedro Quiroga Cardoso e Sara Neves.

“Tenro e Cruel” estreia-se esta quinta-feira, 22 de fevereiro, e estará em cena até dia 3 de março, domingo, no Teatro Nacional São João. As sessões de quarta, quinta-feira e sábado são às 19 horas. Já as de sexta-feiras decorrem às 21 horas e ao domingo são às 16 horas.

Os bilhetes já se encontram à venda online e o preço varia entre os 7,50€ e os 16€. A estação de metro de São Bento fica próxima do teatro.

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