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Atriz Marlene Barreto apresenta livro “Aquário” no Porto ainda este mês

As sessões decorrem nos Maus Hábitos e na Livraria Poetria. A obra está já à venda por 18€.
A autora.

Inspirada na peça de teatro da sua autoria, “Aquário”, a criadora artística Marlene Barreto apresenta o primeiro livro que fará parte da “Trilogia do Pessimismo”. Depois do espetáculo que estreou no Teatro Comuna, em 2022, “Aquário” foi transformado em livro-objeto, que será apresentado no Porto nos dias 11 e 12 de março.

“Depois da estreia do espetáculo, reparei que muitas pessoas achavam ‘Aquário’ um tanto pessimista. No início não percebia a crítica, se seria por se tratar de uma distopia, mas depois decidi aproveitar este ‘pessimismo’ como uma forma de linguagem criativa. Foi assim que começou a surgir esta ‘Teoria sobre o Pessimismo’, que veio com a vontade de percebê-la e refletir melhor em torno dela”, começa por contar à NiP, a atriz de 40 anos.

Trata-se então de um desdobramento, que de uma peça de teatro, passou a ser uma música, agora é um livro e, segundo a autora, ainda se tornará em muitos outros tantos objetos. “Apercebi-me com a peça de teatro que havia muito mais que falar à volta da nossa democracia e as ameaças que constantemente a atacam, este desdobramento leva-nos a confrontar o desconforto de certos aspetos da nossa vida que, por vezes, não questionamos”, admite.

A história passa-se num futuro de exceção, após a erupção do supervulcão Yellowstone, onde a humanidade está à beira da extinção. A personagem ‘P’ acorda no meio de uma névoa de fumo, sem qualquer referência de si mesma. A única ajuda é ‘A’, a autora da sua história, que vive num “desespero profundo” devido ao iminente fim, dependendo de um aquário para sobreviver.

À New in Porto, a autora confessa tratar-se de uma metáfora onde o oxigénio é, tal como na realidade, um bem-necessário, mas só quem tem dinheiro, tem acesso a ele. É uma metáfora da perda do sentido da humanidade.

“Em ‘Aquário’ foquei-me no poder como uma das maiores ameaças à nossa democracia. Nos dias de hoje é algo transversal porque todos queremos chegar e ter poder, mas e depois? O que fazemos com esse poder? Ao mesmo tempo tem muito a ver com as catástrofes naturais, as alterações climáticas. É uma exacerbação do consumo que nos leva a certos lugares inimagináveis, onde só pensamos em lucrar com a desgraça de quem não tem nada. É um cenário apocalíptico absurdo, mas é inspirado na nossa realidade”, defende.

Marlene Barreto ainda refere o desafio que foi trazer a reprodução do espetáculo em si para o texto, por se tratarem de linguagens artísticas completamente distintas. Contudo, aproveitou-se dos elementos visuais que caracterizam as peças de teatro para construir uma história não-linear e pouco convencional à escrita que estamos habituados.

A capa.

O livro será apresentado ao vivo no podcast FEMINA, nos Maus Hábitos a 11 de março, segunda-feira, pelas 21 horas e, no dia seguinte na Livraria Poetria, pelas 18 horas. A entrada para assistir a ambas as apresentações é gratuita.

Como consequência da sua obsessão pelos desdobramentos e objetos, a criadora reservou ainda para este momento, outra estreia: a música-tema de ‘Aquário’, original da brasileira Brina Costa e com as participações de Madalena Palmeirim, Moreno Veloso, Paulo Mutti e Zé Manoel, assim como o videoclipe realizado pela criadora no momento do primeiro laboratório artístico do espetáculo.

“Tem sido um caminho incrível o deste projeto. Eu própria, fico espantada com as ramificações que tem tido, graças à colaboração de uma equipa dedicada. Cada vez mais, as pessoas são o que mais valorizo no mundo profissional”, admite.

À NiP revela já estar a trabalhar no segundo livro da trilogia, “Memo”, que terá ainda um espetáculo a estrear em outubro deste ano. Neste caso, a história aborda a questão da memória e da opção de género, isto é, a aniquilação da memória da mulher é mais uma metáfora que representa as ameaças à nossa democracia. “O terceiro livro provavelmente abordará as questões tecnológicas, mas até lá ainda há um longo caminho a percorrer”, acrescenta.

O livro é lançado a propósito dos 50 anos do 25 de Abril. “Estamos a falar da liberdade, o nosso bem mais precioso, e acho que não só no sentido do 25 de Abril, mas mais a propósito do momento em que estamos prestes a eleger um novo primeiro ministro. É importante pensarmos a quem vamos a ceder e distribuir esse poder e ‘Aquário’ é uma forma de falar sobre isso”. O livro já se encontra à venda por 18€.

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