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Banda portuense Netos da Bruxa lança primeiro álbum

O novo trabalho "Animália" conta com oito músicas. A New in Porto falou com os músicos.
A banda sensação que apela ao imaginário | Fotografias: Ricardo Batista

Os Netos da Bruxa são uma banda portuguesa composta por sete membros, que refletem exatamente o talento portuense que tem vindo a crescer nos últimos anos. O novo álbum, “Animália“, transporta-nos para um universo paralelo ao nosso e mostra que não existe outra banda como esta no nosso País.

O projeto começou com João Geraldo, compositor, vocalista e guitarrista. Todas as oito músicas do novo álbum foram criadas pelo músico. Desde o início, quando Geraldo mostrava os primeiros passos das suas canções, o feedback era positivo e a motivação para produzi-las não parou de crescer. De forma orgânica, o músico começou a pensar como poderia construir uma banda. Geraldo admite que não pensou nos instrumentos que as mesmas tocavam, mas sim nas pessoas que se poderiam encaixar neste projeto. 

Primeiro juntou-se Lucas Rodrigues, no sintetizador. De seguida, Maria Inês Gouveia, vocalista. Rafael Gomes, no saxofone. João Cardita, na bateria e Andrés “Pancho” Tarabbia na percussão. Assim se formaram os Netos da Bruxa

“Eu é que estava a ser testado, na medida em que fui mostrar as minhas músicas, perguntar se eles gostavam delas, se queriam tocar e ouvir-me nesse papel, fez-me sentir como se eu é que estivesse numa audição e não o contrário”, confessa Geraldo à New in Porto. Esta foi a primeira vez que Geraldo na sua carreira como músico, assumiu a liderança de um projeto, onde as responsabilidades recaíam principalmente nele e a verdade é que o desafio acabou por compensar. 

Fruto desta aliança, os Netos da Bruxa lançaram o single “Beira Rio”. O sucesso deu-lhes a confiança necessária para terminarem o álbum. Nas palavras da vocalista, Maria Inês, este álbum parte de uma ideia “mais conceptual, do que propriamente musical ou técnica. Se calhar parte mais da ideia de concretizar o imaginário, aquele imaginário, neste caso do ‘Animália’, onde se mergulha nesta fantasia e neste momento.” 

Geraldo concordou com a visão de Maria Inês. O objetivo do músico, enquanto escrevia este repertório no seu quarto, na sua guitarra, era que de alguma forma os restantes membros da banda, pudessem pegar na fantasia e acrescentar ao imaginário. 

O nome da banda surgiu da junção de duas ideias: “Por um lado, netos vem da ideia de hereditariedade, de herança. Não herança necessariamente da nossa cultura musical, mas herança da cultura musical mundial”. Nota-se nas várias canções a pesquisa que foi feita pelos músicos, onde os ritmos, as ideias, os géneros musicais e as formas de compor partem de influências de vários pontos do mundo. Contudo, além de honrar a tradição, era importante reinventá-la, daí a parte da Bruxa. “A ideia de pegar nesses elementos, nesses ingredientes e fazer poções novas”. 

Ainda numa ideia muito preliminar, “Animália” fala de várias temáticas, mas centra-se principalmente na ideia do sol, onde a faceta do sol é muito mais evidenciada. A música “Pôr do Sol — Animália” é o perfeito reflexo desta fantasia. Para adicionar à magia, o conceito do próximo álbum vai ser sobre a lua, criando uma dicotomia entre os dois trabalhos.  

“As novas composições, que irão sair certamente só no próximo ano ou depois, são muito mais as alegorias às criaturas da noite, por exemplo, o lobisomem, a transformação”, acrescenta o grupo. 

Capa do primeiro álbum Animália
Capa do álbum tão fantasiosa como Netos da Bruxa.

A capa do álbum, desenhado por Ana Guimbra, é um espelho do repertório, onde se destaca a imaginação, de animais que assumem um papel fantasioso, simultaneamente realista. O trabalho hipnotizante de Ana Guimbra, mesmo no silêncio, quase que nos transporta para o imaginário que Netos da Bruxa conseguirem criar para os ouvintes. 

Para o lançamento do álbum, Netos da Bruxa estavam confiantes, mesmo reconhecendo que ainda não atingiu o alcance desejado. “Somos uma banda que está a começar agora. É um lançamento independente, mas consideramos que todo o feedback tem sido muito positivo, e acima de tudo, muito polivalente, ou seja, não vieram todos dizer que gostaram da mesma música”, sublinham. 

Netos da Bruxa estrearam-se dia 27 de maio no Auditório do Círculo Católico de Operários do Porto (CCOP). O evento foi organizado pela promotora Night Shift, que tem como objetivo trabalhar “overtime to make arts thrive in Porto”.

“Foi incrível, aliás, depois do lançamento do álbum, esse marco, esse momento em que tocamos para as pessoas, para mim, quase que ainda tem mais interesse, ainda estava mais motivada para isso e foi um sucesso. A sala encheu e foi muito prazeroso poder tocar ao vivo”, confessa Maria Inês.

No concerto de estreia, os Netos da Bruxa surpreenderam o público e tocaram músicas que não estão no álbum. “Lobisomem” foi um dos temas apresentados no fim, foi quase um estudo de mercado, para testar o público “e deu para perceber que as pessoas estavam entusiasmadas”. 

Para Geraldo, o álbum é uma pequena história, onde cada música retrata um momento de existência, uma sensação, um pensamento. Sempre de um ponto de vista de observador, mesmo que seja contada na primeira pessoa, na letra existe um momento em que a análise é feita de fora. As músicas transparecem a contemplação, “ou seja, mais do que música que instiga à mudança, baseia-se mais na ideia do poeta-cowboy, que passa horas a olhar para um prado verdejante, com vento que faz parecer as ondas do mar”. 

A banda arrancou verdadeiramente quando o Estúdio Cedofeita se aliou a este projeto, ajudando a divulgar todo o trabalho realizado durante o ano de gravação. Para este ano ainda não existe nenhuma data fechada para novos concertos dos Netos da Bruxa. No entanto, a banda promete dar novidades no futuro.

A banda avançou que o videoclip do tema “Rebuliço” vai sair ainda no final deste verão. Esta novidade vai contar com a participação de Kéren Xavier, bailarina que esteve presente no Chapter I: Odyssey (edição pelos Nigh Shift), numa dance performance. Vai ainda estrear uma mini entrevista, realizada antes do concerto de estreia.

Netos da Bruxa prometem concertos originais, repletos de muitas surpresas, com algum simbolismo representado através de pinturas. Mas Geraldo admite que já esteve a pensar como é que pode “tornar o cenário mais complexo e que complemente o conceito da banda”. O músico refere que muitas vezes o cenário do palco é descuidado e para o público conseguir experienciar a banda por completo tem de se conseguir transportar para o imaginário dos Netos da Bruxa.

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