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Bookster: influencer literário brasileiro está a fazer uma road trip por Portugal

Pedro Pacífico já passou pelo Porto, Douro ou Aveiro, para conhecer locais associados aos maiores escritores portugueses.

Entre as vinhas do Douro, as paisagens de Tormes, a Livraria Lello e as casas onde viveram alguns dos maiores escritores portugueses, Pedro Pacífico tem passado os últimos dias a descobrir Portugal através dos livros. O criador do Bookster, um dos mais influentes projetos literários do Brasil, está a realizar uma road trip que cruza património, gastronomia, vinhos e literatura pelo norte e centro do País.

A viagem começou a 27 de maio e termina este terça-feira, 2 de junho. Pedro integra um pequeno grupo composto por dois jornalistas, um guia e um motorista, que tem percorrido o norte e centro do País. Pelo caminho, passou pelo Porto, Vila Nova de Famalicão, Guimarães, Baião, Vila Real, Sabrosa, Lamego, Viseu e Aveiro. Em cada paragem, o objetivo foi o mesmo: “conhecer melhor Portugal através dos escritores que ajudaram a moldar a identidade cultural do País”.

O grupo visitou a Fundação Eça de Queiroz, esteve em Tormes, na casa que inspirou “A Cidade e as Serras”, passou pela Casa de Camilo Castelo Branco, em São Miguel de Seide, conheceu espaços ligados a Sophia de Mello Breyner Andresen e Miguel Torga, visitou o Jardim Botânico do Porto e entrou na histórica Livraria Lello, incluindo a sala dedicada às obras raras.

“Está a ser uma experiência inesquecível. Uma coisa é ler um livro. Outra é visitar os lugares que inspiraram aquele escritor. Depois de ler ‘A Cidade e as Serras’, por exemplo, estar em Tormes muda completamente a experiência da leitura”, conta à NiT o influencer de 32 anos.

Entre todos os locais visitados, houve um que o marcou particularmente. “A casa de Tormes foi provavelmente o lugar que mais me impressionou. Há muitos objetos pessoais de Eça de Queiroz e conseguimos sentir uma ligação muito forte à vida dele. É uma experiência completamente diferente da leitura.”

 
 
 
 
 
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O roteiro, desenvolvido em parceria com a TAP, o Turismo do Porto e Norte e o Turismo Centro de Portugal, procura precisamente mostrar o nosso País através dos seus meiores escritores. Além das visitas literárias, inclui experiências gastronómicas, provas de vinhos, hotéis temáticos e vários locais que ajudam a compreender melhor a identidade cultural portuguesa.

A componente gastronómica também se revelou surpreendente para o criador de conteúdos. “Brincamos muitas vezes no grupo que vamos precisar de fazer dieta quando a viagem acabar”, diz o brasileiro nascido em São Paulo.

“A comida tem sido maravilhosa e impressionou-me perceber como a gastronomia muda tanto de cidade para cidade. Mesmo em distâncias relativamente curtas, encontramos pratos, tradições e formas de cozinhar completamente diferentes.”

Outro dos aspetos que mais destacou à NiT sobre esta viagem tem a ver com o estado de conservação dos centros históricos. “Impressionou-me muito a forma como as cidades preservam a sua história. Há um enorme respeito pela memória de quem veio antes. Isso vê-se nos edifícios, nos museus, nos restaurantes e até na forma como as pessoas falam dos seus escritores.”

Neste momento, Pedro está em Aveiro, hospedado no hotel MS Collection Aveiro, onde até os quartos fazem parte da experiência literária. “O quarto onde estou tem o nome de personagens d’‘Os Maias’. São pequenos detalhes que tornam esta viagem ainda mais especial para quem gosta de livros”.

Apesar de já conhecer Lisboa, admite que esta foi a primeira vez que explorou com profundidade muitas cidades de menor dimensão. “Muitas pessoas visitam apenas a capital e o Porto, mas esta viagem mostrou-me que as cidades mais pequenas têm coisas incríveis para oferecer. Há lugares lindíssimos, menos turísticos, com restaurantes surpreendentes e uma identidade muito própria.”

Para Pedro Pacífico, esta viagem tem um significado especial. Afinal, desde criança que cresceu rodeado por autores portugueses. “No Brasil estudamos Eça de Queiroz na escola e existe uma ligação cultural muito forte entre os dois países. Conhecer estes lugares dá uma nova dimensão aos livros que li ao longo da vida.”

O hobby que se transformou numa profissão

Muito antes de se tornar uma das principais referências literárias no Brasil, Pedro Pacífico era um simples leitor à procura de companhia. Cresceu numa casa onde os livros faziam parte do dia a dia e, quando estava a terminar o curso de Direito, começou a descobrir nas redes sociais uma nova geração de leitores que recomendava obras muito para lá das habituais listas de bestsellers.

“Nasci numa casa de leitores. Sempre cresci rodeado de livros”, recorda. “Naquela altura comecei a perceber que havia pessoas a falar sobre literatura de uma forma diferente, a apresentar autores e livros que eu nunca encontrava nos circuitos mais tradicionais.”

Ainda assim, havia também uma motivação mais pessoal para seguir este caminho. “Sentia falta de pessoas para falar sobre os livros que estava a ler. Ao mesmo tempo, percebia que havia muita gente interessada em aproximar-se da leitura, mas sem saber bem que livros escolher ou que caminho seguir. Faltava alguém que despertasse essa curiosidade.”

Foi dessa necessidade que nasceu o Bookster no Instagram, em 2017. O perfil começou como um simples hobby, sem qualquer plano de negócio ou ambição profissional. “Criei a página apenas para partilhar a minha experiência como leitor e o meu amor pelos livros. Nunca imaginei que aquilo pudesse transformar-se numa carreira.”

O projeto começou a crescer de forma orgânica. Primeiro, chegou a leitores habituais à procura de novas recomendações. Depois apareceram pessoas que tinham deixado de ler há anos e encontraram no Bookster um incentivo para regressar aos livros. Aos poucos, o perfil transformou-se numa comunidade com centenas de milhares de seguidores.

Hoje, sete anos depois, Pedro deixou a advocacia para se dedicar exclusivamente ao universo literário. Além de gerir o Bookster, lidera o clube de leitura Bookster Pelo Mundo, escreve para o jornal “O Globo” e participa regularmente na programação cultural da CNN Brasil.

“Acabou por se tornar o meu trabalho principal. O mais gratificante é perceber que ajudou muitas pessoas a regressarem à leitura e outras a descobrirem esse hábito pela primeira vez.”

O sucesso do projeto, acredita, também reflete um desejo crescente de encontrar espaços para desacelerar num mundo dominado por notificações, vídeos rápidos e consumo constante de informação.

“Vivemos uma época em que os ecrãs disputam a nossa atenção a todo o momento. Mas também vejo muitas pessoas à procura de formas de voltar a encaixar a leitura na vida delas. Os livros continuam a ter essa capacidade única de nos fazer parar e olhar para o mundo de outra forma.”

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