Poucas vezes um nome terá sido tão bem escolhido, como no caso da Eskada. A discoteca, na Rua da Alegria, tem andado num verdadeiro “sobe e desce” nos últimos anos. E a instabilidade parece ter vindo para ficar.
O executivo de Pedro Duarte, há um mês na presidência da Câmara do Porto, anulou uma decisão do antecessor, Rui Moreira, e voltou a conceder à discoteca Eskada licença para funcionar às quartas-feiras, até às seis da manhã. A autorização, proposta pelo vereador Hugo Beirão (Iniciativa Liberal), será “uma experiência temporária de três meses”, que teve início a 5 de dezembro.
O grupo proprietário do espaço demonstrou ter implementado “uma mudança substancial das condições reais que justificaram a limitação anterior”, graças à “aplicação total das soluções paliativas sugeridas e à melhoria do ambiente laboral”. Após consulta à PSP e à Polícia Municipal, ambas favoráveis à retoma da atividade da Eskada por um período de ensaio de seis meses, o vereador optou por reduzi-lo para três, com avaliação posterior dos efeitos.
Os moradores na Rua da Alegria e arredores, por seu lado, consideram o recuo da autarquia “inexplicável” e voltaram às queixas “contra o ruído, a perturbação do sossego noturno e a desordem”. Alguns equacionam mesmo formar um coletivo organizado para recorrer ao Ministério Público, adianta o jornal “Público”.
A luta pelo fim dos tais “transtornos” nesta zona do Porto arrasta-se há anos, e foi agravada no pós-pandemia. Além do barulho, os residentes denunciam as rixas violentas (frequentemente com jovens, segundo testemunhos), invasões a edifícios e viaturas, tráfico e uso de estupefacientes, atos sexuais em logradouros públicos, entre outros incidentes.
A frequência deste tipo de episódios motivou, em 2023, o então ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, a decretar o encerramento da discoteca por um período de seis meses, após um relatório da PSP sobre “as perturbações graves à tranquilidade há mais de 24 meses” que deram origem a vários alertas municipais.
Porém, a suspensão da atividade só durou 30 dias, depois de a gerência do Eskada ter apresentado medidas contra futuros incidentes, como reforço do número de câmaras de videovigilância e contratação de vigilância privada.
Em outubro passado, a discoteca foi novamente autorizada a “alargar o horário de funcionamento até às 6 horas da manhã ao fim de semana e feriados”, na sequência de um parecer favorável da PSP. Agora, a Câmara do Porto passou a autorizar também a abertura da Eskada às quartas-feiras.

LET'S ROCK






