Depois de uma primeira noite marcada pelo regresso dos Da Weasel e por um concerto sinfónico que ficará na memória do MEO Marés, o segundo dia do festival, este sábado, 18 de julho, começou mais cedo, mas com a mesma energia. Coube aos Vizinhos dar início aos espetáculos do Palco MEO e bastaram poucos minutos para transformar a Praia do Aterro, em Leça da Palmeira, num enorme arraial, onde o cante alentejano se cruzou com o pop português.
O grupo formado por Tomás Cardaxo, Francisco Cartaxo, David Mendonça e Miguel Brites, nasceu em Évora, depois de os quatro amigos se terem conhecido no Grupo Académico Seistetos da Universidade de Évora. Começaram por partilhar nas redes sociais versões descontraídas de temas conhecidos, sempre acompanhadas de harmonias inspiradas no cante alentejano, até que, em 2025, lançaram “Pôr do Sol”. O tema rapidamente se tornou um fenómeno nacional, abriu-lhes as portas dos grandes festivais e transformou-os numa das bandas portuguesas do momento.
“Boa tarde, MEO Marés. Nós somos os Vizinhos e é um prazer estar nesta vizinhança”, atiraram, arrancando de imediato os primeiros aplausos após a subida ao palco. A resposta chegou logo com “Pobre Ex-Namorado”. “Obrigado por nos deixarem cumprir este sonho e por nos permitirem começar em grande”, agradeceu o vocalista, antes de desafiar o público a cantar o último refrão.
Seguiu-se “Os Guardas Bateram-me”, de Buba Espinho, que deu continuidade ao ambiente de arraial que rapidamente tomou conta do recinto. Pouco depois, chegou a versão de “Sentir o Sol”, dos Quatro e Meia, acompanhada por um palco onde dois bancos faziam parte da cenografia e por um jogo de luzes que simulava um pôr do sol, alternando entre tons de azul, roxo, vermelho e laranja, apesar da tarde ainda luminosa.
“Depois desta entrada neste palco incrível, destas pessoas incríveis… Vamos lá. Um, dois, três… Boa tarde, MEO Marés! Estamos muito felizes por estar aqui”, disseram antes de apresentarem “Daqui Ninguém Me Tira”, dedicada, explicaram, “às pessoas que nunca deixam as suas terras, as suas aldeias, e claro, o seu MEO Marés”.
O passeio musical continuou sem nunca abandonarem as raízes portuguesas. “Ouvi dizer que o MEO Marés sabe cantar uma modinha alentejana. É verdade ou não?”, desafiaram, antes de convidarem milhares de vozes a acompanhá-los em “Não É Tarde Nem É Cedo”. Sem demoras, atravessaram simbolicamente o Atlântico. “Do Alentejo vamos em direção ao Brasil. Queremos agradecer aos nossos irmãos Atitude 67 por esta música”, “Na Próxima Vida”.
O público já estava rendido ao cante alentejano quando começou “Já Não Saio”. Os quatro músicos sentaram-se nos bancos colocados em palco e criaram um dos momentos mais intimistas do concerto, com milhares de braços erguidos a acompanhar cada verso. A tranquilidade durou pouco. A pedido da banda, toda a plateia se agachou e, ao primeiro sinal, saltou em simultâneo ao som de confetis e dos gritos de “Salta, Marés, ale, ale”.

O momento mais especial ainda estava por chegar. Em “Laranjeiras”, os Vizinhos desceram do palco e entraram na plateia para cantar no meio do público. “Agarrem na pessoa que está ao vosso lado, porque esta música fala precisamente disso: do amor e de ter alguém com quem partilhar a vida… E plantar laranjeiras”, disseram. Durante vários minutos, deixaram de existir barreiras entre artistas e público, num dos momentos mais próximos e emocionantes do concerto.
De regresso ao palco, voltaram também às origens e homenagearam os tempos do Grupo Académico de Évora com “Chumba Maria”, devolvendo o ambiente festivo ao recinto. Seguiram-se “Ritinha”, “O Melhor Dia Para Casar” e “Casar É Para Esquecer”, numa sequência que transformou definitivamente a Praia do Aterro num enorme arraial português, com palmas no ar, dança e gargalhadas por toda a frente de palco.
“Marés, estas são as nossas últimas duas músicas. Esperamos que tenham gostado. Muito obrigado”, anunciaram antes de abrandarem o ritmo com “Vizinha do Primeiro Andar”, uma balada que levou milhares de pessoas a cantar de braços erguidos.
Faltava apenas a música que mudou as suas vidas. “Devem estar a perguntar porque ainda não cantámos uma música… Então está na hora de vos dar aquilo que merecem. Esta é a música que vocês abraçaram e que nos trouxe até aqui. Obrigado por levarem os Vizinhos para as vossas casas e por nos tornarem parte da vossa vizinhança”, disseram antes dos primeiros acordes de “Pôr do Sol”.
“Obrigado. Até à próxima, vizinhança”, despediram-se, encerrando uma estreia memorável no MEO Marés.
Depois dos Vizinhos, o segundo dia do festival continuou com os concertos de Diogo Piçarra, Seal e James no Palco MEO, enquanto os restantes palcos mantiveram a música ao longo da tarde e da noite, confirmando mais uma jornada de casa cheia na estreia do MEO Marés em Leça da Palmeira.
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