Há uma nova sala de espetáculos no Porto. Não se trata de um edifício novo, mas de uma morada bem conhecida dos portuenses. Chama-se Coliseu Box e foi criada dentro da própria Sala Principal do Coliseu Porto Ageas, para criar um espaço imersivo e reversível, pensado para aproximar artistas e público.
Com capacidade até 400 lugares sentados ou 750 em pé, o Coliseu Box foi concebido para acolher espetáculos de média dimensão, conferências e eventos culturais ou corporativos. A estreia está marcada para segunda-feira, 26 de janeiro, com um concerto esgotado da cantora sul-africana Alice Phoebe Lou, no âmbito da parceria com o projeto musical SON Estrella Galicia.
A nova sala, apresentada esta terça-feira, 20 de janeiro, resulta de uma intervenção realizada durante o verão e responde a uma falta de espaços intermédios, tecnicamente preparados, entre as pequenas salas e os grandes auditórios. “O Coliseu Box nasce como um desejo”, afirmou Miguel Guedes, presidente do Coliseu, na apresentação do projeto. O também vocalista dos Blind Zero sublinha que o novo espaço permite “criar uma nova sala de visitas da cidade”, tanto para o setor artístico como para eventos ligados ao turismo e às empresas.
Do ponto de vista técnico, o Coliseu Box é um dispositivo cénico suspenso. A 30 metros de altura, na cúpula da sala, foram instalados oito motores que sustentam uma cortina com 12 metros de altura e uma tela de projeção com 25 metros de comprimento. Esta configuração transforma o espaço num ambiente imersivo, com o público envolvido a 360 graus. A estrutura suporta até uma tonelada de equipamento, pode ser recolhida rapidamente e garante a reversibilidade da obra, mantendo intacta a Sala Principal para espetáculos de grande lotação.

O estudo acústico foi desenvolvido pelo engenheiro Vasco Peixoto de Freitas e foi determinante para assegurar que o novo formato funciona em diferentes configurações, sem comprometer a qualidade sonora. Mesmo quando não está montado, o Coliseu Box reforça as possibilidades de desenho de luz e som nos espetáculos que continuam a decorrer na sala principal.
A obra foi cofinanciada pelo programa NORTE 2030, com um investimento global perto dos 200 mil euros. O projeto teve especial atenção à preservação do edifício, classificado como Monumento de Interesse Público. Projetado por Cassiano Branco e inaugurado em 1941, o Coliseu mantém a sua leitura arquitetónica integral. O projeto de intervenção é da autoria do arquiteto Nuno Valentim, que optou por uma solução reversível, deixando visível a abóbada da sala e respeitando a traça original do edifício.
“O desenho do Coliseu Box projeta novos usos e novas apropriações performativas sem tocar na integridade arquitetónica da sala”, explicou o arquiteto, sublinhando o carácter reversível da intervenção.

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