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Drama, comédia, sexo e ação: a nova série com Robert Downey Jr. tem de tudo

Em "The Sympathizer", o ator assume quatro papéis., Mas o grande destaque vai para Hoa Xuande.
Vai ser o novo fenómeno da HBO Max.

“Miúdo, vamos mandar isto tudo abaixo juntos”, segredou Robert Downey Jr. a Hoa Xuande durante as gravações de “The Sympathizer”. Na nova série da HBO, que estreia esta segunda-feira, 15 de abril, o ator mais conhecido por interpretar o Homem de Ferro não tem apenas um papel, mas sim quatro:  político, professor, agente da CIA e realizador de cinema.

Baseado no romance homónimo de Viet Thanh Nguyen, vencedor do Prémio Pulitzer em 2016, a minissérie de sete episódios é um thriller de espionagem e uma sátira intercultural sobre as lutas de um espião comunista vietnamita que começa uma nova vida na cidade de Los Angeles depois do final da guerra no seu país natal. Na sua nova vida como refugiado, descobre que os seus dias de espionagem não acabaram.

Hoa Xuande, de 36 anos, vai interpretar o espião protagonista, que se vê dividido entre o seu dever e a nova vida na comunidade de refugiados vietnamita. Apesar de estar num elenco com veteranos, entre os quais Sandra Oh, é Xuande quem dá nas vistas. “Esta série só ia funcionar se tivéssemos um bom casting”, diz Susan Downey, a produtora-executiva, ao “The Hollywood Reporter”. “A procura pelo Capitão [a personagem de Hoa] foi a mais exaustiva e difícil da minha carreira.”

O papel precisava de alguém que fosse fluente no idioma vietnamita e inglês, que fosse capaz de tocar de guitarra, que tivesse carta de condução e, acima de tudo, que “fosse charmoso e inteligente, mas com um lado negro mais escondido”.

Quando receberam um vídeo com a audição de Xuande, os produtores ficaram imediatamente impressionados, mas o papel de Capitão não foi logo entregue a Hoa. Antes de ser assinado qualquer contrato, teve de voar da Austrália, país onde vive, para a Coreia do Sul para estar com Park Chan-wook, um dos realizadores. E logo de seguida, nova viagem para Los Angeles.

“Quando estávamos nos últimos testes com os atores, ele tinha melhorado — e tornou-se claro que ele tinha as nuances, a complexidade e a disciplina necessária para ser o líder da nossa série”, realça. Quando finalmente recebeu o tão ambicionado sim, Hoa sentiu-se num sonho. A sua carreira começou há cerca de dez anos, mas este é a primeira vez que protagoniza uma obra. “No início queria ser apenas aquele asiático que não passava de um estereótipo. Já ficava contente com isso”, conta o ator à mesma publicação.

Assume que na Austrália é mais difícil os atores com descendência asiática arranjarem papéis. Foi por isso que mudou o seu apelido de Nguyen para Xuande, com esperança de ser mais adequado ao que os realizadores procuravam. “Tentei ter um nome que fosse mais ambíguo e que, pelo menos, me enquadrasse nos papéis asiáticos e não apenas nos de personagens vietnamitas.”

Nasceu em Sidney, mas cresceu em Melbourne. Sempre teve uma grande paixão por desporto. Quando era miúdo, praticava futebol, natação e estava na equipa de corrida da escola. Aos 18 anos mudou-se para Sidney, formou-se em jornalismo e começou a trabalhar em qualquer lugar que tivesse uma vaga, de bares a empresas que vendiam cartões de crédito porta a porta.

Foi durante um emprego na área da restauração que conheceu um realizador que lhe disse que tinha talento para a representação, mas que se quisesse algo mais sério ainda teria de treinar muito. Inscreveu-se de imediato na Western Australian Academy of Performing Arts.

“É para esta escola que vão os atores que querem ser a próxima Cate Blanchett”, brinca Ronny Chieng, cuja série de comédia “International Student” deu a Xuande o seu primeiro trabalho na televisão. “Não sabia o quão verde ele era porque no set era muito profissional e estava sempre contente. Quando entrava nas cenas, todas as atenções iam para ele. Quando me disse que estava na ronda final para entrar em ‘The Sympathizer’, soube que ia conseguir.”

Para se preparar para a nova série da HBO, esteve à conversa com vietnamitas que sobreviveram à guerra — a formação em jornalismo foi-lhe muito útil. Também começou a estudar o idioma vietnamita. “Quando era miúdo, tinha vergonha de ter raízes do Vietname, então nunca me preocupei em aprender a linguagem. Tive que melhorar”, explica o ator.

“As filmagens foram muito desgastantes. No final todos conseguíamos ver o impacto que tinha tido no nosso protagonista. Ele estava a flutuar pelo set como se fosse um fantasma. Se tivéssemos estado em produção durante mais uma semana, acho que teríamos mesmo um fantasma nas nossas mãos”, explica Don McKellar, o showrunner.

Carregue na galeria e conheça outras novidades de abril.

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