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Espetáculo imersivo ilumina a Igreja dos Clérigos com o espírito de Álvaro de Campos

Spiritus junta luz, música, poesia e a voz de João Reis numa obra de video mapping para ver no Porto até outubro.
Um espetáculo de emoções.

Depois de passada a fila da entrada, cada pessoa é convidada a ocupar como queira os bancos da Igreja dos Clérigos. Este movimento é feito desde o fundo em direção ao altar mas todos são livres para se posicionarem de forma cómoda. Há quem se sente normalmente, quem estique um pouco as pernas ou procure o melhor ângulo de visão e até quem se deite nos bancos. O importante é garantir que se aproveita ao máximo, porque o espetáculo está prestes a começar.

Este é o processo habitual antes de cada sessão do Spiritus, o espetáculo de video mapping que desde o final de abril ocupa os finais de tarde da Igreja dos Clérigos. Criado pelo atelier OCubo, inspira-se no poema “Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir”, de Álvaro de Campos, mas deixa que cada um faça a sua própria interpretação. A New in Porto foi conhecê-lo melhor.

Quando as cortinas e as portas se fecham e as luzes se apagam, é sinal de que o espetáculo vai iniciar. É possível sentar ou deitar nos bancos e até filmar ou fotografar, só não convém usar o flash, para não incomodar os restantes espectadores nem quebrar os efeitos visuais.

É pela voz de João Reis, que lê as palavras do poeta, que a viagem começa, mas este é apenas um momento breve. A partir daí, o convite é que cada um sinta e interprete à sua maneira. Há quem suspire, quem se emocione e quem se deixe levar pelos pensamentos. Tudo é válido.

Ao longo de cerca de 30 minutos desenrola-se diante dos olhos um conjunto de efeitos de luzes e de sons ao qual não dá para ficar indiferente. Toda a igreja vai adquirindo diferentes tonalidades, ressaltando-se ou escondendo-se determinados detalhes da arquitetura conforme o objetivo de cada imagem ou de cada momento do espetáculo.

Sem desvendar demasiado, poderá imaginar um céu estrelado no teto do templo, ver elementos a percorrerem todo o espaço ou até os relevos das paredes a serem desenhados com luz. O difícil vai ser ficar quieto durante aqueles minutos, sem querer olhar para todos os recantos e absorver todos os detalhes apresentados.

A criação do Spiritus partiu de uma proposta feita pela Irmandade dos Clérigos ao atelier OCubo. O objetivo era criar algo diferente para um dos monumentos mais visitados da cidade e que trouxesse alguma novidade numa altura em que o turismo regressa ao Porto.

“Sentimo-nos muito desafiados e muito honrados com esse pedido e nasceu essa parceria da vontade de criar uma experiência única que acrescentasse algo novo àquilo que a igreja já é”, diz à New in Porto o diretor criativo da OCubo, Edoardo Canessa, acrescentando: “O Spiritus é uma viagem pelas emoções, é assim que nós chamamos. São cinco capítulos, cinco momentos emocionais inspirados livremente num poema de Álvaro de Campos, que transporta o público nessa viagem sensorial a sentir o espetáculo com a sua alma. É um espetáculo principalmente de imagem, de luz, de som, de laser, que dá vida a cada entalho dourado da igreja, a cada granito, cada coluna”.

O maior desafio na criação deste espetáculo foi a complexidade necessária para trabalhar os efeitos de luz sobre a arquitetura de Nasoni. Além disso, a Igreja dos Clérigos continua a funcionar normalmente durante o dia, pelo que o material não poderia atrapalhar as celebrações. “A nível de tecnologia foi um trabalho muito árduo criar este espetáculo, mas acho que a junção criou mesmo um produto lindo”, aponta ainda Edoardo.

Ao todo, a criação do Spiritus demorou quatro meses para o conteúdo audiovisual e um mês e meio para a montagem. O material conta com oito video projetores de laser de alta definição, 24 projetores de luzes, uma máquina de fumo de alta qualidade e um laser que dá tridimensionalidade ao espetáculo.

Visto por mais de 20 mil pessoas desde a sua estreia, o Spiritus estará em exibição até 16 de outubro, de segunda-feira a sábado às 18 horas, 18h45, 19h30, 20h15, 21 horas e 21h45, sendo que ao domingo a última sessão é a das 19h30. O preço normal dos bilhetes é de 14€ para o público geral ou 12€ para miúdos entre os quatro e os 17 anos, estudantes, maiores de 65 anos, pessoas com mobilidade reduzida ou residentes no concelho do Porto.

Até 7 de agosto há ainda um preço único especial de 9€, com entrada gratuita para miúdos até dez anos. Caso a aceitação do público seja favorável, é possível que o espetáculo fique em exibição durante mais tempo do que o planeado.

De seguida carregue na galeria para conhecer melhor alguns cenários do espetáculo.

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