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Esta exposição fotográfica retrata as “Noites do Norte”

Pode ver o resultado de 14 meses de trabalho do brasileiro Christian Baes no espaço do Dona Mira, até 21 de maio.
Ideal para conhecer a região norte.

O período mais grave da pandemia e os seus confinamentos foram vividos de diferentes formas por cada pessoa. Uns aproveitaram a oportunidade para passar mais tempo em casa, outros começaram a fazer exercício ou a cozinhar, houve quem aprendesse novos passatempos e quem, por força do trabalho, acabasse por quase não sentir diferenças no seu dia a dia. No caso do fotógrafo brasileiro Christian Baes, a solução passou, naturalmente, por fotografar.

Ao longo de 14 meses, Christian percorreu 19 concelhos do norte do País, passou por seis distritos e recolheu inúmeras imagens. Sempre à noite. O resultado é uma exposição intitulada “Noites do Norte”, que pode agora ser vista no espaço do Dona Mira — que além de bar tem muita cultura — até 21 de maio.

Começando do início, o fotógrafo de 34 anos mudou-se para Portugal, mais concretamente para Braga, em outubro de 2020. O objetivo era deixar para trás o Brasil, onde sentia que o momento era “extremamente delicado para todo o movimento artístico”, mesmo antes de começar a pandemia. “Era um desgaste emocional enorme. Então, decidi que era o momento de fazer esse movimento”, explica à New in Porto.

Já tinha pensado em fazer o mestrado em Fotografia e Cinema Documental, no Instituto Politécnico do Porto, por isso meses mais tarde, em julho de 2021, mudou-se para a cidade de forma a facilitar a logística. Ainda assim, nessa altura já tinha colocado em marcha este projeto que ajudou a evadir-se um pouco do confinamento, da pandemia e de tudo que isso trazia.

“Em janeiro, com o confinamento, também senti aquela angústia que tomou conta de todos nós. Sou muito inquieto, no sentido em que preciso de respirar lugares novos”, diz, acrescentando: “Um dia, estava a precisar de respirar e fui para o Soajo. Tinha visto umas imagens e achei que era ali. Peguei no carro ao final da tarde e fui para lá ver o pôr do sol”.

Estando lá, fotografar era inevitável e foi a partir daí que começou este projeto de fotografar à noite. Mesmo que a fotografia noturna não fosse, até ao momento, uma das formas principais do seu trabalho. “Ali tinha, na verdade, uma forma de respirar durante o confinamento”, aponta, até porque como as deslocações eram feitas à noite, o perigo de encontrar outras pessoas era quase inexistente.

Para selecionar os lugares que iria fotografar tentou não pesquisar demasiado para não encher a cabeça com ideias de outros e assim deixar lugar para a inspiração do momento. As sugestões iam aparecendo também através do motor de busca e a boa parte dos locais chegava apenas à noite, o que fazia com que fosse essa a sua visão do espaço.

As fotografias foram tiradas com exposições mínimas de 30 segundos, mas algumas chegaram aos 16 minutos, o que quer dizer que a câmara via muito mais do que os seus olhos poderiam alcançar. Não recorreu a programas de edição para o trabalho final, por isso, tudo o que se pode ver são técnicas de luzes e sombras e sobreposições físicas, por movimento da câmara e não por manipulação digital.

Christian ficou fascinado com a forma como a paisagem pode mudar tanto no espaço de 30 ou 40 quilómetros em Portugal, algo que não via no seu país de origem. Por isso foi juntando imagens de locais tão distintos como o Soajo, os Moinhos da Apúlia, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta, Arouca, Braga, Viseu, Montalegre, Mondim de Basto, Monção ou Viana do Castelo. Não consegue destacar um de que tenha gostado mais, embora Fafião, o primeiro, tenha um lugar especial no seu coração.

“Há um momento em que a fotografia pede para não ser mais só sua, esse é o ponto. Aí comecei a sentir essa necessidade”, revela. Nessa altura já tinha feito do Dona Mira uma espécie de segunda casa e aproveitou o convite do amigo Carlos Fuchs para trazer para este espaço a exposição. Reconhecendo que a fotografia e estas em particular refletem algo íntimo, este seria o melhor local para abrir-se assim.

O resultado é uma seleção de 26 fotografias que podem ser vistas em diferentes tamanhos nas paredes do espaço. Sempre de segunda a sexta-feira entre o meio-dia e as 22 horas e ao sábado das 10 às 22 horas, até 21 de maio.

O percurso de Christian Baes começou aos 18 anos quando queria ser ator. Daí apaixonou-se pela parte de trás das câmaras e com apenas 22 anos já tinha uma produtora, em sociedade com um amigo. Mais tarde, antes de se mudar para Portugal, teve um estúdio de fotografia durante sete anos. Em paralelo foi desenvolvendo os seus projetos mais pessoais, alguns que ainda tem para apresentar, talvez brevemente. No imediato, continua o mestrado, onde estuda a presença do som na fotografia.

Carregue na galeria para descobrir um pouco mais sobre esta exposição.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Duque de Saldanha, 431
    4300-466 Porto
  • HORÁRIO
  • De quarta a sábado das 11h às 22h30
  • Domingo das 10h às 16h
  • Fecha à segunda e terça-feira

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